A 23 de dezembro de 1783, na Maryland State House, em Annapolis, o homem mais poderoso da América entrou numa sala cheia de congressistas e devolveu o poder. George Washington comandara o Exército Continental durante oito anos. A guerra estava ganha, o exército adorava-o, e o governo civil que pretendia dar-lhe ordens estava falido, débil e receoso dos próprios soldados. A história oferecia precedentes mais sombrios — César, Cromwell e, poucos anos depois, Bonaparte. Washington entregou a patente ao Congresso, fez uma vénia e regressou a Mount Vernon a tempo do Natal. Quando Jorge III soube do que ele tencionava fazer, terá dito que, se o fizesse mesmo, seria o maior homem do mundo. Fê-lo. Nove meses antes, em Newburgh, enfrentara oficiais que conspiravam contra a autoridade civil e desarmara a revolta com um gesto: tirou os óculos, atrapalhou-se com eles e observou que envelhecera e quase cegara ao serviço do país. Valeu mais do que um exército.
…