Alegria no senado da Colômbia

Opinião Colunistas Sónia Dias

É nestas coisas que vemos que Portugal é um País muito atrás... Na Colômbia, uma ex-atriz porno acaba de ser eleita senadora. Deyci Alejandra Omaña Ortiz, de 33 anos - mais conhecida como Amaranta Hank na indústria dos filmes para adultos - nasceu em Cúcuta e foi empossada pelo partido de esquerda Pacto Histórico em Bogotá. Foi jornalista, escritora e editora antes de se tornar estrela da pornografia, setor que abandonou por dois motivos: maus-tratos e medo de contrair HIV. Dois anos e três litros de silicone depois decidiu tornar-se ativista pelos direitos das trabalhadoras sexuais. Outras bandeiras que levanta são a segurança social, saúde mental, combate à exploração e o fim do estigma contra quem trabalha na indústria. “Somos mulheres que contribuem para o PIB do país e para as economias populares, e além disso, geramos emprego”, diz ela, que segue inspirada os exemplos de Cicciolina, que foi eleita deputada em Itália, ou Yvette Luhrs, nos Países Baixos. “Todas elas demonstraram que a nossa experiência não é um obstáculo, ao contrário, é conhecimento puro”, sublinha. Levante a mão quem tem a ousadia de dizer que ela está errada... Eu disse a MÃO!!

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Blog

Opinião Colunistas Blog

Fiz três viagens com Agustina Bessa-Luís (idas a festivais literários, feiras do livro) e sempre me espantei com o à vontade daquela senhora aparentemente tímida, discreta como uma pequena nuvem, coquette, sorridente e perversa. Maravilhosa. Ouvi-la era sempre surpreendente: sobre meteorologia, pintura, um livro desconhecido, uma cidade histórica, a roupa de há trinta anos. Leio pela primeira vez ‘Embaixada a Calígula’ (Relógio d’Água), um livro de 1961. É o relato de uma viagem de carro (um VW dos anos cinquenta) através de Espanha, França e Itália, com encontros literários pelo meio. Ouve-os e comenta (era o tempo em que existiam Julián Marías, Cela, Duvignaud, Aranguren, gente séria). Agustina terá 37 anos na época e usa a linguagem de uma sábia, contempla a sombra de dois companheiros de viagem inesperados, Fílon de Alexandria e Calígula, escuta os sinais de um Ocidente que se despede depois de desistir de ser um Sísifo cansado. Nada lhe é estranho, mas mantém um distanciamento sublime. É um livro belíssimo.

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Começar bem

Opinião Colunistas Correio da Saúde

Carlos Cortes

Carlos Cortes

Bastonário da Ordem dos Médicos

31 de julho de 2026 às 00:30

O SINACC, o novo sistema de gestão das listas de espera para consultas e cirurgias, deverá entrar em vigor já amanhã. O princípio é correto, mas a operacionalização não.

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Filhos daquele tempo

Opinião Colunistas

Lembro-me, como se fosse hoje, do anúncio que saia da rádio. Era um miúdo, teria os meus treze anos e, apesar de não ter maturidade para perceber a magnitude do que se passava, percebia que aquele seria um momento canónico na história do meu país.

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Grande filme

Opinião Colunistas A bem da noção

Até acredito que o gabinete do Chega tenha sido vandalizado por figuras sinistras à procura de um ‘documento decisivo’. Afinal, vem nos filmes, e todos sabemos que, mais cedo ou mais tarde, a realidade imita o cinema. Por isso, aceitemos que um meliante ao serviço de forças obscuras entrou no gabinete, aproveitando o facto de a porta estar aberta. O que me encanita é a porta ter ficado aberta logo no dia em que [sic] o André guardara lá ‘documentos fundamentais’ sobre o seu alvo favorito nesta quinzena. Caramba, até o Keanu Reeves, que tem fama de distraído, quando descobriu energia barata percebeu que tinha de guardar a fórmula em lugar seguro. Sei lá, num cofre de parede, de preferência atrás de um retrato do líder.

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Medir forças

Opinião Colunistas Crónicas deste mundo

Os ritmos do conflito entre o Irão e os Estados Unidos refletem as avaliações dos beligerantes sobre as suas capacidades. Essa medição de forças socorre-se dos elementos de informação que é possível obter e revela as lutas que se travam no campo da contrainformação.

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Parafuso a parafuso

Opinião Colunistas Nação Valente

O caso Luís Neves não se esgota nas explicações do próprio. Depende, sobretudo, do país em que desejamos viver. Se a ambição é sermos uma democracia liberal, robusta e moderna, o ministro já não seria ministro. As irregularidades admitidas, os indícios de ilegalidade e as decisões estapafúrdias - o atrelado, sempre o atrelado - bastariam para recomendar a sua saída. Se, pelo contrário, a ideia é conservar a bitola baixa e ir desmontando o regime, parafuso a parafuso, a conferência de imprensa não correu mal. Para o português manhoso, foi até um sucesso. Pessoalmente, preferia viver no primeiro país. Mas não cultivo ilusões: perante a passividade do primeiro-ministro (e do Pre- sidente da República), tudo indica que caminhamos para o segundo. As forças anti-sistema, aqui como em toda a parte, não costumam chegar de fora com archotes. Nascem quase sempre no coração do sistema.

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Saturante

Opinião Colunistas Pedro Santana Lopes

Será que Rui Pereira, que foi juiz do Tribunal Constitucional e também Ministro da Administração Interna, tem o “rabo preso”? Será que Fernando Medina tem o “rabo preso”? Será que Miguel Sousa Tavares (mais cético) tem o “rabo preso”? Obviamente que não, os três. São só algumas das pessoas que ouvi ou a aceitarem as explicações de Luís Neves ou a não alinharem no coro de censura feroz ao atual titular do Ministério da Administração Interna. Insinua-se que são solidariedades de outro tipo. Os três? Não acredito. Não pertenço nem nunca pertenci a qualquer organização desse tipo, por isso não sei. Não pertencer não significa que não se respeite quem é. Como é óbvio.

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Silly Season 2026: Os vencedores de julho

Opinião Colunistas

Está ao rubro mais uma edição dos prémios que distinguem os momentos mais patetas da televisão portuguesa nesta época em que o calor amolece tudo, incluindo os critérios editoriais. Julho não desiludiu. Com o Mundial a decorrer em simultâneo com o Rock in Rio e com temperaturas que dispensavam roupa, a televisão portuguesa encontrou maneira de falhar nas três frentes ao mesmo tempo. Admira-se a eficiência. Os candidatos, como é tradição, apresentaram-se com a naturalidade desarmante de quem não sabe que está a concorrer a coisa nenhuma, o que, convenhamos, é metade do encanto.

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