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Meia-noite em ponto. Jornal da Meia-Noite, com edição da Laura Figueiredo. E Laura, o Ministro da Administração Interna diz que se sente legitimado para continuar a desempenhar funções.
Luís Neves tem estado sob pressão na sequência da polémica com as obras da casa que tem em Odemira e também do atrelado encontrado em casa do construtor que trabalhou na propriedade e de quem é amigo. Esta tarde, Luís Neves esteve na sede da Liga Portuguesa dos Bombeiros e, confrontado com as recentes polémicas, diz que se não se sentisse legitimado, não continuaria a desempenhar o cargo.
Antionte eu fiz uma declaração que responderei na altura própria, ponto por ponto, e quero lhe dizer, o senhor é que fez essa questão, que me sinto totalmente legitimado para continuar a fazer o meu trabalho. Eu hoje estive aqui na qualidade de Ministro da Administração Interna. Se eu sentisse o contrário, não estaria aqui.
Senhor Ministro, quando é que vai pedir desculpo?
Só vou dizer assim: estou disponível para tudo. Muito obrigado.
E continuará sempre em funções, Sr. Presidente do Conselho?
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, em declarações aos jornalistas no final da visita à sede da Liga Portuguesa dos Bombeiros.
E o primeiro-ministro recusa precisamente falar sobre o caso que envolve o ministro da Administração Interna e pede, Laura, que se aguarde pelo inquérito.
Em declarações aos jornalistas na Figueira da Foz, Luís Montenegro afirmou que é necessário esperar pela conclusão desse inquérito aberto pelo Ministério Público. A Procuradoria-Geral da República anunciou a abertura de um inquérito relativamente ao caso do atrelado com produtos químicos encontrado na Constro Barcelos, a empresa do amigo de Luís Neves. Ora, o primeiro-ministro recusa comentar o tema. Quando questionado sobre a coordenação do Executivo, Luís Montenegro responde que o governo está em grande forma e a trabalhar todos os dias.
Luís Montenegro, que diz também que Portugal é hoje um país mais amigo do investimento.
Num discurso na Figueira da Foz, o primeiro-ministro destacou as parcerias que considera serem de topo com os Estados Unidos e com a Alemanha e afirmou que o combate à pobreza se faz com a criação de riqueza.
Portugal é um país com estabilidade política, Portugal é um país com estabilidade económica, com estabilidade financeira. É um país que hoje é mais amigo do investimento do que era ontem. É um país que quer cobrar menos impostos a quem trabalha e é um país que também quer premiar o resultado das empresas. Um país que sabe que para combater a pobreza, para combater a dificuldade, tem que criar riqueza.
O primeiro-ministro diz ainda que a única forma de aumentar salários é ter empresas mais lucrativas. Declarações de Luís Montenegro na Figueira da Foz, durante a cerimónia que marcou o início da obra de construção de uma fábrica de componentes para centros de dados.
E Laura, é uma das notícias que está a marcar esta quinta-feira. A Polícia Judiciária já está a investigar a morte de uma criança de um ano que ficou esquecida durante várias horas dentro de uma carrinha que a deveria ter levado para a escola.
O alerta foi dado perto das 16h, quando a criança estava já há várias horas na carrinha, num dia de bastante calor. A criança de um ano e meio terá sido recolhida logo de manhã por uma viatura que a deveria ter transportado para o polo do colégio que frequentava, na zona do Pregal, mas acabou por ficar esquecida no interior da carrinha, entretanto estacionada junto a outro polo na Avenida Cristo Rei. De acordo com a fonte da PSP, o colégio só deu pela falta da criança quando a mãe a foi buscar, pouco antes das 16h. Durante a tarde e início de noite, o jornalista do Observador, Pedro Rainho, esteve em Almada a acompanhar o caso e faz-nos um ponto de situação.
Boa noite, Laura. Deixa-me começar com um apontamento de reportagem. Nós estamos precisamente, como tu dizias, na Avenida Cristo Rei, frente ao número 56, que é precisamente onde funciona uma das instalações do Colégio Mestre Cuco. Eu digo uma das instalações, por quê? Porque este colégio, esta instituição, tem outras instalações a cerca de 1,5 km de distância deste local e era para aí que esta manhã a criança que acabou por ser encontrada já inanimada dentro de um carro devia ter sido levada. As autoridades estão a referir-se a este caso, a esta morte desta menina de um ano e meio, como um caso de esquecimento. O que aconteceu foi, segundo aquilo que conseguimos apurar ao longo das últimas horas, como era habitual, todas as manhãs os pais prepararam a criança para ir para a escola, entregaram-na à porta do prédio a uma funcionária do colégio, e isso era absolutamente habitual, acontecia várias vezes por semana, segundo nos relataram alguns dos vizinhos desta família. O problema foi quando a funcionária, em vez de se dirigir para a creche, para o tal edifício que fica a 1,5 km de distância de onde nos encontramos, veio para aqui, para o número 56 da Avenida Cristo Rei. E depois o dia decorreu e só a meio da tarde, cerca das 16h, ao que foi possível perceber, quando a mãe ia recolher a criança depois do dia de trabalho, houve um período de desorientação. Nenhum dos funcionários da creche sabia onde estava a criança e foi nesse momento que uma funcionária, já neste edifício, acorreu à tal carrinha, um SUV, e se apercebeu de que a criança estava inanimada na cadeirinha onde tinha sido transportada ao início da manhã. Enfim, ainda houve manobras de reanimação. Já não foi possível reverter o estado em que a menina se encontrava e o óbito foi declarado neste mesmo local. Deixe-me só dar-te um apontamento de reportagem. Como eu dizia, nós estamos em frente ao edifício do colégio. Neste momento, os portões estão fechados, as portadas amarelas das janelas também estão fechadas e as luzes todas apagadas. Há cerca de uma hora, não era ainda assim, havia funcionários que entravam e saíam das instalações. Nós tentámos abordar alguns desses funcionários Acreditamos que a própria diretora também ainda estava nas instalações, mas ninguém quis prestar declarações. Neste momento, a PJ já assumiu a investigação. Não há detenções feitas neste caso e, como eu dizia, tudo aponta para uma situação resultante de um esquecimento.
Jornalista d'O Observador, Pedro Raínho, que tem estado nas últimas horas em Almada a acompanhar os desenvolvimentos do caso.
E na Basílica da Estrela, em Lisboa, Laura, decorreu esta quinta-feira o velório de Luís Represas.
Ao longo da tarde, várias figuras da sociedade portuguesa estiveram na Basílica da Estrela para se despedirem do músico, que morreu ontem aos 69 anos. Foi o caso de Manuela Azevedo, que lembra Luís Represas como um grande poeta e um homem bom, com quem mantinha uma relação muito afetiva.
Mas acho que ele foi cedo demais, porque agora, com esta guerra horrorosa, com estes monstros todos, nós precisamos de ter pessoas com valores, de ter poesia, dar beleza à vida.
No velório esteve também durante a tarde José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores. Diz José Jorge Letria que mesmo durante os últimos tempos, nunca percebeu que Luís Represas estivesse debilitado.
Ele com uma voz pujante e com aquela presença forte fisicamente que ele tinha quando cantava, e não imaginávamos que ele estava doente ou que iria estar mais doente. Ele não falava dos achaques físicos que tinha e da vulnerabilidade física que tinha. Eu posso dizer-vos, como amigo dele e admirador dele, que perdemos um dos melhores de nós todos, como cantor, como compositor e como pessoa que não se cansava de procurar novos caminhos, novas vias e novos percursos.
Também António Costa, presidente do Conselho Europeu e ex-primeiro-ministro, marcou presença no velório. Esta sexta-feira realizou-se o funeral reservado à família.
E no desporto, mais concretamente no futebol, Laura, o Benfica arrancou hoje oficialmente a época 2026/2027 e com um desaire na Suíça frente ao St. Gallen.
O jogo da primeira mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa. Os encarnados foram derrotados por 2 x 1 em casa dos suíços. A formação helvética adiantou-se no marcador aos 37 minutos por Alio Baldé. O Benfica empatou sete minutos depois, através de Rafa, mas o St. Gallen sentenciou o encontro aos 80, com o gol de Tom Gall. O encontro da segunda mão está agendado para daqui a uma semana, dia 30 de julho, no Estádio da Luz.
Nove minutos para lá da meia-noite, Laura. Vamos a outras notícias que importa destacar nesta noite informativa.
Foi detido em Lisboa um imigrante ilegal que fugiu do Centro de Instalação Temporária do Porto. De acordo com a PSP, o imigrante foi intercetado pelas autoridades na estação do Oriente, em Lisboa. A mesma fonte indica que o imigrante vai ser novamente levado ao centro de instalação temporária de onde fugiu. O imigrante de nacionalidade brasileira tinha fugido durante esta tarde do Centro de Acolhimento de Cidadãos Estrangeiros, na cidade do Porto. Em França, um incêndio obrigou já a retirada de cerca de 20 mil pessoas de casa. O fogo, que atingiu já mais de 3 mil hectares, está agora contido, de acordo com a autarca da região. O fogo começou ontem ao início da tarde, numa região turística no sudoeste do país. Uma casa foi destruída pelas chamas, mas não há registro de vítimas. Donald Trump vai impor novas tarifas a 60 países por suspeitas da prática de trabalho escravo. A informação é avançada pelo escritório do representante comercial norte-americano, que indica que as novas tarifas variam entre os 10% e os 12,5%. De acordo com a mesma fonte, os países atingidos pelas tarifas representam cerca de 99% das importações dos Estados Unidos. As novas tarifas vêm substituir as de 10% aplicadas atualmente, que chegam ao fim amanhã.
Ponto final nesta edição da meia-noite e também nesta noite informativa na Rádio Observador, com a Laura Figueiredo, que está de regresso amanhã a partir das 20h30. Um abraço, Laura. Bons descanso.
Obrigada. Até amanhã.