22h. Exames. Ministério da Educação assegura que nenhum aluno será prejudicado no acesso ao Ensino Superior

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Da Laura Figueiredo. Jornal das 10, na Rádio Observador, com edição da Laura Figueiredo.

O Ministro da Educação diz que as classificações dos alunos que estão suspensas vão ser comunicadas ainda hoje às escolas e assegura que nenhum aluno será prejudicado no acesso ao ensino superior. Na sequência da reunião desta tarde com representantes do Conselho das Escolas, das Associações de Diretores e Dirigentes Escolares, o ministério fez um ponto de situação. Em comunicado, assegura que todos os alunos com notas suspensas vão ver o problema resolvido ainda este sábado. Na mesma nota, o Ministério da Educação lamenta os atrasos e os constrangimentos verificados, pede desculpas aos alunos, às famílias, aos professores e às escolas e confirma que vai ser disponibilizado de forma gratuita o acesso às provas em formato PDF. Esta tarde, a Provedoria de Justiça tinha pedido ao Ministério da Educação um ponto de situação sobre a publicação das notas dos exames nacionais.

E da oposição, Laura, chegam as críticas. O PCP culpa o primeiro-ministro pelos problemas na correção dos exames nacionais e diz que o ministro da Educação revelou falta de coragem.

Paulo Raimundo considera que muitas coisas estão por resolver e nota também que Fernando Alexandre não tem como justificar o injustificável. Para o secretário-geral do PCP, na origem do problema verificado nos exames, está a política do governo de desmantelamento do Estado. Paulo Raimundo diz que no Ministério da Educação foram dispensados mais de 500 profissionais, o que, na perspectiva do PCP, desorganizou toda a estrutura. Esta manhã, também a líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, acusava o ministro da Educação de teimosia e incompetência. Quanto ao Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo diz que Fernando Alexandre deve pôr o lugar à disposição.

E do lado do PS, José Luís Carneiro diz que Luís Montenegro é o principal responsável pelos problemas.

O secretário-geral socialista considera que há apenas uma pessoa a responsabilizar pelo atraso no lançamento das notas dos exames, o primeiro-ministro, na medida em que, para José Luís Carneiro, o ministro da Educação não assume responsabilidades.

Isto só tem um responsável, o primeiro responsável por se ter avançado de forma imprudente para esse processo é o primeiro-ministro, na medida em que o ministro da Educação não assume qualquer responsabilidade. Não o fez na Assembleia da República, não o fez no debate parlamentar e julgo que até por vezes parece cantar vitória com um processo que foi mal sucedido, mas pelo fato de conseguirmos chegar ao fim, o alívio é de tal ordem que parece que se chegou ao fim em condições.

O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, esta manhã em Fafe, onde deixou também claro que não rejeita uma comissão parlamentar de inquérito ao ministro Fernando Alexandre.

Também a marcar este sábado na atualidade nacional, André Ventura pede a demissão do ministro da Administração Interna, avisa que manter Luís Neves no cargo vai arrastar o governo para uma cumplicidade criminosa.

Numa carta enviada ao primeiro-ministro, o presidente do Chega alerta que a permanência em funções do ministro da Administração Interna afeta muito negativamente a imagem do governo. Diz também que inevitavelmente o Executivo será arrastado para a cumplicidade criminosa, pressão sobre as instituições de investigação criminal e perda de autoridade institucional. André Ventura faz ainda uma referência à recente reunião que teve com o presidente da República, dizendo que ficou ainda mais convencido do que é preciso fazer neste momento. O presidente do Chega recorda também o caso de Miguel Macedo, antigo ministro da Administração Interna, que se demitiu por se ver envolvido numa suspeita criminal durante o governo de Passos Coelho. André Ventura deixa ainda um aviso a Luís Montenegro, diz que manter Luís Neves no cargo vai alterar as relações do Chega com o Executivo.

Já o Bloco de Esquerda, Laura, exige explicações cabais ao ministro da Administração Interna ainda hoje.

O partido pede que Luís Neves explique as relações com o empreiteiro que tinha na sua posse um reboque apreendido numa operação da PJ. O deputado Fabian Figueiredo considera que gera uma enorme perplexidade que um empreiteiro amigo de Luís Neves tenha na sua posse um reboque apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga. O Blocoista salientou ainda que foram encontrados bidões com químicos para o processamento de drogas no reboque. Considera, por isso, que o ministro tem de prestar esclarecimentos cabais e urgentes sobre o caso.

E em Almada, as reservas de água atingiram hoje os 40%, número que já permite avaliar uma eventual redução dos cortes no abastecimento.

A informação é avançada pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento. A escala de monitorização utilizada compreende cinco níveis, sendo agora registado o nível três, amarelo, que compreende valores entre os 30 e os 50% de reservas de água. Ora, este nível implica então a avaliação da situação e uma possível redução do número de horas de cortes. Entretanto, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento anunciaram também que continuam a operação de apoio às instituições prioritárias. Desde o início do mês que têm sido relatadas sucessivas falhas no abastecimento de água em Almada, com especial incidência na Costa da Caparica, o que levou a autarquia a decretar situação de alerta.

E seguimos com a atualidade internacional e com o líder supremo do Irão, que ameaça infligir lições inesquecíveis aos Estados Unidos. Isto, Laura, na sequência da retomada dos ataques.

Numa mensagem escrita divulgada pela televisão estatal, Mojtaba Khamenei afirma que os ataques norte-americanos provam que a assinatura de Donald Trump não tem valor. O aiatola declara que a Frente de Resistência Iraniana tem reservadas lições inesquecíveis ao inimigo americano. A declaração de Khamenei surge depois do Irão ter anunciado a suspensão dos compromissos estabelecidos no Memorando de Entendimento com os Estados Unidos. De recordar que o líder supremo do Irão não é visto publicamente desde o início da guerra.

Na Ucrânia, Laura, continuam as manifestações contra a demissão do ministro da Defesa.

Milhares de ucranianos voltaram a juntar-se durante o dia de hoje em Kiev para protestar contra a saída de Mykhailo Fedorov do governo. O presidente ucraniano está a levar a cabo uma remodelação total do Executivo. Os protestantes falam numa crise na liderança militar do país, sendo que este é já o terceiro dia consecutivo de manifestações de apoio ao antigo ministro da Defesa. Volodymyr Zelensky fez já saber que está atento aos protestos, garante que tudo se vai resolver.

E na Venezuela continua a subir o número de mortos na sequência dos dois sismos registados a 24 de junho. São já mais de 5 mil e o país tem agora pela frente o enorme desafio de reconstrução.

Os sismos destruíram mais de 60 mil casas. Há milhares de pessoas desalojadas, sem apoio e deixadas a lutar contra condições sanitárias que estão a degradar-se. A ajuda internacional existe, mas é insuficiente. É o que conta a coordenadora médica dos Médicos Sem Fronteiras, Alima Husseyn, que esteve à conversa com o jornalista José Rafael Lopes.

Alima Husseyn está nos Médicos Sem Fronteiras há 17 anos. Diz que nunca viu uma situação como a que afetou a Venezuela.

É um cenário de guerra completamente. Desde a entrada do estado de La Guaira, já vemos pessoas em tendas, em carpas pequenas, mas é muito desolador ver o que se encontra nas ruas. Ainda há muitas pessoas que estão procurando por seus entes embaixo dos escombros.

O relato chega numa altura em que continuam a ser retirados corpos dos escombros nas zonas mais afetadas. Pelos mortos não há muito a fazer, os vivos têm uma árdua batalha pela frente.

As pessoas têm medo, estão vigilantes, estão em alerta. Nem todo mundo consegue dormir, nem todo mundo consegue trabalhar direito. Todos sofreram muito, todos foram afetados de alguma maneira.

E há mesmo quem apenas procure um pouco de paz.

Nesse momento já não se encontraria mais pessoas com vida. Então eles estão procurando mais é retirar os corpos, é retirada de corpos, pra que as pessoas possam encerrar um ciclo e poder fazer o luto delas.

A degradação dos corpos das vítimas aumenta o risco sanitário. Há relatos já de problemas entre a população. O risco de epidemias cresce e é difícil ser contrariado com os meios disponíveis na Venezuela.

Como eles não têm água, eles não têm onde utilizar banhos, essas coisas, então estão muito mais afetados e o risco é muito maior. Pode haver enfermidades como dengue, zika.

O horizonte é de reconstrução, mas ainda está longe, sobretudo devido às mais de 60 mil casas que foram destruídas. Muitos dormem ao relento.

Há muitos prédios que foram interditados por falta de estrutura e de base, que não sabemos se vão ser demolidos ou se vão cair. Então muitas pessoas ainda estão nesses campos, nesses abrigos a céu aberto.

Ainda assim, a esperança mantém-se.

A população venezuelana mostrou um nível de solidariedade muito grande nessas últimas três semanas. Estamos vivendo um dia de cada vez, como se diz.

O relato de Alima Husseyn, a coordenadora médica dos Médicos Sem Fronteiras na Venezuela, no país desde fevereiro, e sem certezas quando vai poder regressar a uma vida normal.

Um trabalho do jornalista José Rafael Lopes, com retrato da vida na Venezuela, nas zonas afetadas pelos dois sismos.

E falamos ainda nesta edição das 10 de desporto, mais concretamente do Mundial. Isto porque, Laura, já se joga o penúltimo jogo desta edição do Campeonato do Mundo: França frente à Inglaterra.

Partida que decide o terceiro e quarto classificado ao nível mundial de seleções. Conosco em estúdio está o Diogo Varela a acompanhar o jogo entre a seleção francesa e inglesa. Diogo, boa noite. Com os primeiros minutos decorridos em Miami, temos já um golo.

Boa noite, Laura. Golo para a Inglaterra. Um grande golo por parte do capitão inglês Declan Rice. Deram-lhe espaço aos três minutos de jogo e o médio do Arsenal foi por ali fora e à entrada da área atirou sem qualquer hipótese para Mike Maignan. O guarda-redes francês ficou pregado no relvado a ver a bola embater no fundo da baliza. Nem esboçou a defesa. Agora com praticamente 10 minutos no Hard Rock Stadium, Laura, só tem dado Inglaterra. A seleção de Thomas Tuchel, além do golo, está claramente mais perto do 2 x 0 do que propriamente a França de chegar ao 1 igual, mas uma intervenção agora de Dean Henderson, o guarda-redes inglês, na primeira tentativa gaulesa. A França apareceu aos 10 minutos, foi preciso falar para vermos a turma de Didier Deschamps tentar uma primeira ocasião à baliza do guarda-redes habitualmente suplente, Dean Henderson. Recordar que quando foi frente à Argentina na última ronda, nas meias-finais, Thomas Tuchel recuou as linhas todas. A ver vamos de que forma reage agora o selecionador inglês a este golo marcado a favor da seleção dos Três Leões.

Resumo do início do jogo entre França e Inglaterra com o jornalista Diogo Varela. Amanhã, às 8 da noite, a derradeira final do Campeonato do Mundo: Espanha ou Argentina, uma delas vai ser campeã do Mundo de 2026.

E vamos acompanhar tudo aqui na Rádio Observador, em coemissão especial, com o relato também do Diogo Varela. Diogo Varela, breve nota para uma quase mudança que acontecia no jogo.

Eu creio que é fora de jogo