James Sagan, um VC de 34 anos baseado em São Francisco, quer “ganhar dinheiro, não preservar narrativas”.
É assim que ele justifica estar prestes a assumir o controle do OnlyFans.
Em sua primeira entrevista após liderar um concórcio que comprou 16% na rede social em março, o CEO da Architect Capital disse ao The Information que vai escalar sua posição na empresa até que ela se torne majoritária, e que não pretende fugir do core business: a venda de pornografia.
“Havia investidores muito interessados na plataforma e eles não tinham grandes preocupações morais, e sim de reputação,” disse. “Já nós, da Architect, gostamos de investir em negócios bons e incompreendidos.”

A atual controladora do OnlyFans é Yekaterina “Katie” Chudnovsky, a viúva e mãe dos quatro filhos de Leonid Radvinsky, o empresário que comprou o negócio em 2018 e o transformou no fenômeno que é hoje.
Radvinsky, que fez fortuna no início do século criando uma plataforma de streaming pornográfico (MyFreeCams), lutava contra um câncer e já tentava vender o OnlyFans antes de morrer em março deste ano.
Sagan, que diz ter atuado inicialmente como um consultor da família para intermediar a venda, acabou comprando o negócio.
Hoje ele diz que o encaixe era óbvio, e ressalta seu modo “pragmático” de ver o mercado. Um dos seus grandes investimentos antes do OnlyFans foi a Juul, startup de cigarros eletrônicos.
“Se os bilhões de fumantes do mundo migrassem para o Juul, que é muito mais seguro que um cigarro, economizaríamos centenas de bilhões de dólares globalmente em gastos evitáveis com saúde. O OnlyFans, na minha opinião, tem uma estrutura muito parecida, sendo também um negócio de redução de danos,” disse ao The Information.

O empresário defende, nessa linha, que conteúdo adulto e trabalho sexual são práticas antigas, e que o OnlyFans é a forma mais segura de consumí-las.
Entre as “vantagens”, ele argumenta que: não há intermediários, os criadores ficam com 80% da receita, e que o site é fortemente monitorado, com moderação humana de todos os conteúdos, baixos índices de CSAM (material que exiba ou promova abuso sexual infantil) e processos de verificação de identidade equivalentes à abertura de uma conta bancária.
“Para um pragmático, é inegável que este é um modelo de negócios completamente disruptivo, muito melhor para qualquer pessoa que participe desse mercado, e eu diria que é por isso que ele é tão bem-sucedido hoje,” disse Sagan.
Além disso, ele diz acreditar que a lógica do OnlyFans – de pagamento direto aos produtores de conteúdo, sem a venda de publicidade como nas grandes redes sociais – é o futuro da creator economy.
No longo prazo, Sagan vê um IPO do OnlyFans; ele diz que já há bancos interessados e nenhum entrave legal que impeça a listagem da empresa. (NASDAQ: HOTTT?)
Mas antes disso, ele quer tornar o OnlyFans aceitável para um “um time de talentos de primeira linha” que hoje ainda resiste a postar seu conteúdo na plataforma.
Sagan pretende criar novas ferramentas e produtos financeiros para os criadores e melhorar o processamento de pagamentos. “Com isso, provavelmente haverá outros casos de uso e outros criadores se juntarão à plataforma. E se o conteúdo continuar sendo adulto, tudo bem. Não vamos nos esquivar disso,” disse Sagan.
O investidor disse ainda que um dos pontos mais fortes da tese é seu baixo nível de disrupção por AI.
“[O OnlyFans] é provavelmente a plataforma com menor probabilidade de ser impactada pela AI, e o motivo é que as pessoas não acessam o OnlyFans pela qualidade do conteúdo, que a AI talvez consiga replicar fielmente, mas sim pela conexão humana,” ele disse ao The Information.
“Há uma epidemia de solidão da qual todos estamos cientes, e este é o único lugar na internet onde você pode se comunicar de forma autêntica com um ser humano, e é por isso que as pessoas pagam por esse conteúdo.”
Sim, claro…
O OnlyFans movimentou US$ 8 bilhões e faturou US$ 1,4 bilhão em 2024.
Sagan investiu na empresa a um valuation de US$ 3,15 bilhões, pagando pouco mais de 2 vezes a receita.
Matheus Prado