"A Cristina Ferreira partilhou coisas connosco muito íntimas"

Ana Guiomar prepara-se para estrear um novo projeto. "A Que Sabe o Amor" é o nome de um videocast da autoria da atriz, que junta gastronomia e memórias felizes. 

Numa série de oito episódios, Ana Guiomar conversa, à mesa, com convidados muito especiais sobre emoções, momentos marcantes e tradições familiares. 

Entre os nomes que aceitaram partilhar com a atriz receitas e histórias estão Cristina Ferreira, Sara Prata, Rui Melo, José Condessa e até Diogo Valsassina - ex-namorado de Ana Guiomar.

Em entrevista ao Fama ao Minuto a propósito da estreia de "A Que Sabe o Amor", Ana Guiomar contou-nos todos os detalhes sobre este projeto especial. Prometeu revelações únicas de Cristina Ferreira, confessou ter acabado em lágrimas o programa em que conversou com Diogo Valsassina e ainda reagiu aos rumores de reconciliação com o também ator. 

"A Que Sabe o Amor" é o nome deste novo grande projeto. Conte-nos tudo, que videocast é este?

Isto é um podcast com um componente muito forte de videocast, porque acabou por ser quase um programa de televisão. Ficou muito, muito, muito giro, e decidimos criar aqui toda uma coisa maior do que só um podcast - que não é muito interessante só por si.

De que forma criaram essa "coisa maior"?

Temos muitas rubricas, temos um leque de convidados incrível. Vamos aliar a gastronomia às memórias felizes e às memórias de infância. Estou muito contente com este projeto, deu-me muito prazer. Não foi trabalho, foi mesmo desafio e prazer. E é isso que nós queremos mostrar nestes oito episódios.

A Cristina Ferreira fez partilhas muito giras em relação à relação dela com o João Monteiro

E porquê este tema e título, "A Que Sabe o Amor"?

Porque acho que quando nós nos sentamos à mesa, pelo menos em minha casa, e as pessoas que vão ao podcast também me passaram isso, acho que é onde nós partilhamos amor. Às vezes amor em  forma de discussão, não é? Porque nenhuma família é funcional, felizmente. É onde nós temos os temas mais fraturantes, é onde desde pequeninos mostramos aquela nota pior, é onde mostramos a nota melhor, onde comemoramos uma gravidez, onde dizemos que nos vamos divorciar ou anunciamos uma separação. Acho que a mesa, pelo menos para os portugueses, é sempre um sítio de partilha e muitas vezes está associado a memórias boas. "A Que Sabe o Amor" é um título bom para isso.

Esses temas tão sensíveis e íntimos de partilhas de amor e familiares vão ser abordados nestas conversas com os convidados?

Há convidados que querem partilhar mais, há convidados que querem partilhar menos. Acho que eles acabam todos por partilhar imenso, porque não há viagem que se faça, considero isto uma viagem, sem termos um bocadinho do lado íntimo da pessoa e do que ela partilhou. Posso dizer que as partilhas do José Condessa com a família, por exemplo, são muito generosas. Ele, tal como eu, tem uma ligação à família muito grande.

A Cristina Ferreira, também nossa convidada, fez umas partilhas muito giras em relação à relação dela com o João Monteiro, que acho que os espectadores talvez nunca tenham ouvido. Nem [tenham visto] aquele lado dela mais emotivo, é muito, muito giro. A mim deu-me um grande gozo e eu acho que a quem vê e a quem nos ouve também vai dar.

Num época em que têm surgido vários podcast e videocast, o que é que este projeto traz de diferente de outros que já foram feitos?

Primeiro, não é só um videocast onde nós estamos sentados e temos o microfone à frente. Nós temos uma mesa, temos a minha cozinha, temos uma coisa toda montada como se fosse a minha cozinha. Cozinhamos lá, às vezes. Por exemplo, o José Condessa e a Raquel Tillo são pessoas que quiseram cozinhar. Temos convidados que querem levar a comida. Eu estou sempre a comer com eles, ou seja, o prato que eles escolheram para cada episódio nós vamos comendo.

Temos várias rúbricas, temos um tarot da cozinha, que está ligado a emoções. Temos uma rúbrica com uns fones, que as pessoas vão ouvindo e são sempre coisas relacionadas com elas e o tema à mesa. Temos também a viagem, que é muito giro, de escolha múltipla, que nos vai levar a um destino onde a pessoa foi muito feliz ou não. O componente vídeo, nós intitulamos como podcast, mas eu acho que o próprio videocast acabou por ser mais interessante. Tem muita cor, tem muita alegria, tem às vezes lágrimas, muitas vezes sorrisos. Às vezes acontecem grandes disparates. Posso dizer que a Sara Prata, no segundo episódio, tenta desenformar um molotov que nem sempre corre bem. Ficou muito giro.

"A Que Sabe o Amor" vai estar disponível onde?

Vai estar disponível nas plataformas todas. YouTube, Spotify, vai estar disponível nas plataformas todas normais de videocast e de podcast.

A Ana disse no início da conversa que na realidade este videocast podia até dar um programa de televisão. Gostava que chegasse à televisão?

Só se for daqui a muito tempo, porque acho que nunca se abre a porta de casa completamente e eu gosto muito de ter o controle dele nas minhas redes sociais, confesso. Mas podem-me convidar para fazer um parecido lá com o produtor deles. A nossa é a nossa, para já.

Já há datas para a estreia?

Dia 2 de agosto. É isso que estamos a revelar hoje.

Os episódios já estão todos gravados?

Os episódios já estão todos gravados. Nós montámos aquilo tudo e foram dias de alegria. Fiz no mês passado. Éramos para lançar um bocadinho mais para a frente mas fiquei tão feliz com o resultado final e agosto é o meu mês. O "Mãe Já Não Tenho Sopa" faz anos, eu faço anos. Senti que era uma coisa que era boa de fazer agora. Está tudo gravado, está tudo editadinho e estamos super prontos para sair um de 15 em 15 dias - sempre ao domingo.

Até posso confessar que me emocionei no final [da conversa com Valsassina], foi um bocado de vergonha

Tendo em conta que já está tudo gravado, qual foi a conversa que mais gostou e a marcou de alguma forma?

Não consigo escolher uma porque todas as pessoas que convidei, todas as pessoas com quem partilho momentos muito felizes, sabiam que iriam dar boas histórias. Tenho um convidado que, se calhar, é assim mais resguardado que é o Rui Melo, não estamos habituados a ouvir muita intimidade sobre ele e foi muito giro. Mas todos me deram coisas muito boas. Tenho a Nilsa Carona, uma influencer moçambicana, que para mim é espetacular. Ela tem uma vivência, tem umas raízes completamente diferentes e aborda um tema muito giro que é o cuidar do marido, o cuidar da casa, que nós hoje em dia ligamos isso um bocadinho à vassalagem e à pouca emancipação da mulher. Para mim esse tema foi muito interessante, aliado às vivências dela e ao estilo de vida tão diferente. A Cristina foi muito giro porque ela partilhou coisas connosco muito íntimas, que eu não estou habituada a ouvi-la partilhar.

O primeiro episódio vai ser o Diogo Valsassina, que acho que também é um encontro muito giro. Mesmo tendo vivido com ele tanto tempo, ele ainda me consegue surpreender até na escolha do prato. Portanto, foi muito prazeroso, foi muito muito giro.

Também a Ana nunca foi de expor muito a vida pessoal ou o lado mais íntimo. Tal como os seus convidados, acaba por fazer partilhas pessoas neste projeto?

Sim, há sempre partilha: eu também fazia isso, também gostava disso, o meu pai também, a minha mãe já fez. Acho que há uma troca de partilhas.

E o Diogo Valsassina, foi um convidado particularmente difícil?

Não, foi um convidado muito fácil. Estou muitas vezes com o Diogo, viajo sempre com o Diogo, faz parte do grupo de amigos. Foi a pessoa com quem sabia que queria partilhar o primeiro episódio. Primeiro por curiosidade, acho que as pessoas têm sempre alguma curiosidade, depois porque era a pessoa que se aquilo corresse mal me iria aturar. E não quero saber, não tenho vergonha. Segundo, porque acho que é muito engraçado termos esta conversa agora já com o distanciamento. A partilha dele foi muito gira, porque falou muito da avó. Falou muito das memórias que tinha com o pai na cozinha, que era quem assumia sempre essa liderança, e que ele já perdeu, infelizmente. Foi uma conversa muito gira. Até posso confessar que me emocionei no final, foi um bocado de vergonha.

O Diogo faz parte do meu grupo de amigos, podem já especular à vontade

Não posso deixar de perguntar, o Diogo é convidado deste novo projeto numa altura em que voltam a surgir rumores de que poderiam ter reatado a relação. 

Esses rumores acontecem sempre. Eu abro o jogo todo. Estivemos na conferência de imprensa do Rock in Rio e eu disse logo: vou viajar agora e vou com o Diogo. O Diogo faz parte do meu grupo de amigos, podem já especular à vontade. Já estou a dar informação antes. 

Mas é normal que as pessoas especulem e está tudo bem. A aproximação é real porque nós fazemos realmente muita coisa juntos e passamos muito tempo juntos.

E, afinal, a que sabe o amor?

Quando nós pensámos nesta ideia, o amigo que me acompanhou nisto, que é um dos meus melhores amigos e a quem eu devo tudo, o José Ricardo Lopes, fez-me três perguntas: Quem é que queres convidar? Sobre o que é que queres falar? E o que é que é para ti o amor, antes de o perguntares aos outros?

O amor sabe-me aquilo que eu iniciei esta conversa, que é, sabe-me a mesa cheia, a casa cheia, partilhas familiares, discussões. Sabe-me a mesa e sabe-me a casa. Acho que ter a proeza de ter os pais divorciados há pelo menos 35 anos e conseguir passar o Natal com os dois em minha casa reunidos à mesa, acho que isso é a melhor definição de a que é que sabe o amor. Respeito, partilha e escuta, porque na mesa também há muita escuta.

Costuma perguntar-se se já encontraste o amor. Sente que já o encontrou em todos os campos da sua vida e até nas pequenas coisas?

Já encontrei o amor em todas as formas e áreas da minha vida, porque todas as relações da minha vida são longas - desde a pessoa que me arranja o cabelo até à pessoa que me gere. Gosto de relações longas e tenho três cães que me amam se mais ninguém me amar. Acho que já encontrei o amor em todas as áreas da minha vida e acho que sou muito felizarda e muito sortuda por todas as pessoas que me acompanham. 

Por último, que outros projetos tem para breve além desta grande estreia?

Para já, é mesmo só isto. Estou muito dedicada ao digital, acabei o espetáculo ["Uma Ideia Genial"] no dia 31 de junho, portanto quero passar este verão a sim mesmo, mesmo livre. Havia a hipótese de regressar à ficção, mas não vai ser antes do verão. Preciso que seja um personagem que me desafie, que me traga aqui qualquer coisa de novo, embora eu esteja muito agradecida porque a Amália [da novela "Amor à Prova] foi uma personagem completamente diferente do "Festa é Festa". Depois em 2027 já tenho muita ficção, muito teatro, essas coisinhas todas. Mas, para já, ainda não posso revelar nada.

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