"Acredito que foi a doença que fez aquilo", assume ex de Lindsay Clancy

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Foi para o ar, na noite deste domingo, a entrevista completa com Patrick Clancy, ex-marido da mulher julgada nos EUA pela morte dos três filhos, no Massachusetts.

Naquela que é a primeira vez que o pai das crianças fala desde que o julgamento de Lindsay começou, o homem confessa que talvez não tenha sabido lidar com todas as vertentes de uma depressão pós-parto e recorda o momento em que desejou que pelo menos um dos filhos pudesse sobreviver à tragédia.

De forma emotiva, Patrick disse acreditar que deu o seu "melhor, com aquilo que sabia na altura", referindo-se ao facto de que a mulher estar a sofrer de uma forte depressão, para a qual pediu várias vezes ajuda. 

"Vivo com as consequências disso todos os dias", atirou, acrescentando que, na altura, "conseguia imaginar como seria sentir-se muito, muito ansioso ou deprimido. Mas não sabia como lidar com uma doença pós-parto".

"Acho que a doença mental tem esta capacidade de ser tragicamente enganadora. Por isso, tenho a certeza de que há coisas que não reparei", assumiu.

"Acredito que foi a sua doença mental que fez aquilo tudo", acrescentou, afirmando que perdoou a ex-mulher pelo sucedido, pois caso não o fizesse "seria consumido por dentro para sempre".

Recorde-se que Lindsay Clancy, de 36 anos, procurou tratamento para a depressão e foi hospitalizada antes de matar os seus três filhos, Cora, de 5 anos, Dawson, de 3 anos, e Callan, de 8 meses, em janeiro de 2023.

As teorias de conspiração

Na mesma entrevista, ao canal CBS News, o homem lamenta a imagem "de monstro" ou "mãe assassina" que têm sido associadas à ex-mulher e lamentou também as acusações que têm sido feitas contra si.

Recorde-se que Patrick foi alvo de várias teorias da conspiração nas redes sociais, onde muitos alegavam que teria sido este a engendrar um plano para matar os filhos e incriminar a mulher.

"É uma enorme distração do que realmente importa aqui, que é a saúde mental perinatal, e que causou danos reais a pessoas reais", lamentou o homem, considerando que essas alegações são "extremamente prejudiciais para o legado dos meus filhos".

Recorde-se que também Lindsay já tinha rejeitado qualquer razão nas teorias da conspiração.

"Ela sabe, e é evidente que Patrick foi tramado e teve sua vida virada do avesso, transformando-se num pesadelo que ele não merece. Ponto final", referiu o advogado de Clancy, que aguarda agora num hospital psiquiátrico sobre se será feito ou não um novo julgamento.

Esperança de que filho sobrevivesse

O homem recorda ainda o facto de ter mantido a esperança que um dos filhos pudesse sobreviver. Note-se que o bebé, Callan, ainda chegou com vida ao hospital, ainda que em paragem cardíaca. Foi transportado de helicóptero médico para o Boston Children's Hospital, onde os médicos determinaram que tinha sofrido uma lesão cerebral grave devido à falta de oxigénio e dias depois foi declarado o seu óbito.

"Lembro-me de pensar: pelo menos um. deixa-me pelo menos um filho. E eu criá-lo-ia da melhor forma possível. Dar-lhe-ia a melhor vida que pudesse. Contar-lhe-ia sobre o irmão e a irmã dele. E mantinha essa esperança".

O julgamento de Lindsay Clancy

Lindsay começou a ser julgada em agosto e a acusação pretendia que fosse criminalmente acusada e condenada a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, sustentando que se tratou de um "crime deliberado e planeado". 

Os procuradores acusavam a mulher de ter calculado o tempo necessário para o marido sair de casa e ter pesquisado, nas semanas e dias anteriores, sobre "métodos de suicídio", "sintomas de psicose" e "tratamento para sociopatas". Além disso, defendem que o salto da janela foi uma tentativa de encenar um suicídio para escapar à responsabilidade.

A defesa, por sua vez, argumentou que Lindsay Clancy não pode ser considerada criminalmente responsável devido a uma grave patologia mental. 

O seu advogado, Kevin Reddington, alega que a mulher sofria de psicose pós-parto e perturbação bipolar não diagnosticada.

No início de setembro, a justiça norte-americana anulou o julgamento, depois de os jurados não terem chegado a um acordo sobre o veredicto.

Para chegar a um veredicto, era necessária a unanimidade dos 12 jurados, mas o júri estava aparentemente dividido entre 11 jurados a favor da absolvição com base na falta de responsabilidade criminal de Lindsay Clancy e um contra este veredicto, segundo o estado das deliberações que foram conhecidas através das trocas entre o juiz, a defesa e a acusação.

A conclusão de um "júri bloqueado" ocorre quando o juiz tem de tomar nota de que, após vários dias de deliberações, os jurados não conseguem chegar a um acordo. Neste caso, o julgamento é cancelado e pode ser realizado mais tarde, com um novo júri.

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