Alemanha sobre Putin: "O que está a fazer é perigoso e ele sabe disso"

Uma escalada no conflito com a qual, segundo Pistorius, a Rússia pretende intimidar a população europeia.

É importante "mantermos a serenidade, não nos deixarmos provocar, mas, ao mesmo tempo, não deixarmos dúvidas de que somos capazes de nos defender e de que não aceitaremos esta escalada" do conflito, afirmou Pistorius em declarações à imprensa no estaleiro de construção naval de Peene, em Wolgast, no noroeste da Alemanha, por ocasião do batimento de quilha (início da construção) do terceiro navio de reconhecimento da classe 424 para a Marinha alemã.

Acrescentou que "o que Vladimir Putin está a fazer é perigoso; ele sabe disso, e é por isso que o faz".

Disse levar muito a sério este tipo de incidentes na fronteira, como o de domingo, em que um drone russo atingiu um comboio de passageiros, pouco depois de pela mesma linha terem circulado, noutro comboio, o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson e vários altos responsáveis europeus, entre os quais Günter Sauter, assessor do chanceler alemão, Friedrich Merz, para assuntos de política externa e segurança.

De acordo com o ministro da Defesa alemão, estes episódios exemplificam o que se tem repetidamente observado nos últimos anos: Putin delega ou mantém conversações, não importa com quem, sobre uma alegada disponibilidade para negociar a paz, "para, logo a seguir, poucas horas ou poucos dias depois, provocar uma nova escalada [no conflito] que transmita às pessoas que, na Alemanha e na Europa, temem o alastramento da guerra na Ucrânia exatamente essa impressão".

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kyiv têm visado em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014, alvos militares, logísticos e petrolíferos utilizadas para sustentar a ofensiva russa.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO.

Os esforços diplomáticos mediados pelos Estados Unidos para pôr termo à guerra prosseguem, mas até agora sem resultados, mais de quatro anos e meio depois do início da invasão russa em grande escala do país vizinho, mantendo-se as trocas de prisioneiros e de cadáveres de soldados como uma das poucas áreas de cooperação entre Moscovo e Kyiv.

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