Algés: Áudios indiciam maus-tratos. Crianças foram sinalizadas em 2024

A morte de uma mulher de 33 anos às mãos do próprio filho, de 15, está a deixar o país em choque. A Polícia Judiciária (PJ) confirmou, esta sexta-feira, que o contexto que levou à ocorrência do crime "estará relacionado com eventuais maus-tratos físicos e psicológicos mantidos pela vítima em relação aos dois filhos" e também começam a surgir mais detalhes, como a existência de vídeos e áudios gravados já num contexto de agressão - que serão do conhecimento da Segurança Social.

Segundo os vídeos e áudios que constam do processo em causa, consultados pelo Correio da Manhã, a mãe chegou mesmo a ameaçar a vida da filha mais nova, que tem quatro anos. "Vou atirar-me da janela com a miúda. Acaba tudo", ouve-se num desses registos, de acordo com a publicação em causa.

Ao Notícias ao Minuto, a Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) confirmou que já havia "expediente registado", ou seja, já tinha sido chamada ao local antes do crime. As autoridades comunicaram o expediente ao Ministério Público (MP).

Posteriormente, em esclarecimentos enviados ao Notícias ao Minuto, o presidente da CPCJ de Oeiras, Rui Esteves explicou que os Processos de Promoção e Proteção (PPP) relativos às duas crianças foram instaurados a 22 de maio de 2024. A 19 de novembro de 2024, foi aplicada " Medida de Apoio Junto dos Pais a favor das crianças, dada a situação de fragilidade em que a família se encontrava".

Porém, perante recusa da família em cumprir aqueles pressupostos, o caso foi "remetido por incumprimento, com caráter prioritário, à Procuradoria do Juízo de Família e Menores de Cascais, na data de 24/06/2025". "Posteriormente, a CPCJ de Oeiras foi informada, pelo Tribunal de Família e Menores de Cascais, que foi aplicada Medida de Promoção e Proteção pelo Tribunal relativamente às duas crianças, encontrando-se desde essa data a ser acompanhada judicialmente", esclareceu Rui Esteves.

Não é esclarecido de que forma foi feito esse acompanhamento.

Já fonte do Ministério Público (MP) confirmou, ao Notícias ao Minuto, "a existência, desde 2025, de Processo de Promoção e Proteção a favor do jovem e da irmã, no âmbito do qual se encontra em execução e acompanhamento medida de promoção e proteção aplicada a ambos".

Esclareceu, ainda, que "os processos de promoção e proteção são de natureza reservada".

Em relação à ida da PSP ao local, não é certo se a motivação foram alegados maus-tratos por parte da mãe ou alguma reação mais violenta por parte do filho mais velho, que ligou na quinta-feira às autoridades a confessar que tinha matado a mãe, com recurso a um mata-leão (asfixiando-a).

O CM aponta ainda que o mal-estar no seio da família vinha também, muitas vezes, devido à situação que envolve o pai desta família, que está preso devido a crimes de violência doméstica. Já tinha sido adiantado, esta manhã, que o filho nunca teria 'perdoado' à mãe a queixa feita contra o pai.

Já a família materna garantiu ao mesmo jornal que a mãe não maltratava as crianças e que era uma mãe protetora.

O filho, que já ontem disse às autoridades que agiu para proteger a irmã, terá gravado propositadamente a mãe, indicando que esta já o tinha ameaçado - e à irmã - com uma faca. A mãe, por seu lado, descreve os episódios de muita violência por parte do pai.

Recorde-se que o caso desta morte em Algés, no distrito de Lisboa, foi conhecida na quinta-feira após o filho de 15 anos ligar às autoridades a confessar o crime. O cadáver da mãe estaria à porta de casa quando as autoridades chegaram, estando então esta mulher morta há cerca de 21 horas.

O filho alegou que tinha tentado proteger a irmã e vizinhos corroboram já terem ouvidos gritos vindos da casa - e não só na noite do crime.

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