
(Imagem: franckreporter/Getty Images Signature)
A inflação ao consumidor dos Estados Unidos veio em linha com o esperado em agosto, mas a aceleração do núcleo reforçou as apostas de que o Federal Reserve elevará os juros na reunião da próxima semana.
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O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,4% no mês e acumulou alta de 3,4% em 12 meses, ante 3,3% em julho. Já o núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3%, acima da projeção de 0,2%.
Segundo Andressa Durão, economista da ASA, a surpresa no núcleo veio principalmente dos serviços. Hospedagens e passagens aéreas pressionaram o indicador, enquanto serviços médicos e aluguéis compensaram parte da alta. Entre os bens, veículos novos e usados também avançaram mais do que o esperado.
A economista destaca que a média trimestral anualizada do núcleo acelerou de 1,6% para 2%. Com isso, as projeções para o núcleo do PCE — medida de inflação preferida pelo Fed — devem ficar mais próximas de uma alta de 0,3% do que de 0,2% em agosto.
O economista sênior do Inter, André Valério, também chama a atenção para a aceleração dos preços de veículos e de habitação. Após dois meses de leituras mais fracas, a inflação de habitação avançou 0,3% em agosto.
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Na avaliação de Valério, a desinflação observada após a normalização do petróleo encontrou novos obstáculos. Com o abandono do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã e o petróleo acima de US$ 100, os preços de energia voltaram a pressionar o CPI.
A energia subiu 2,1% em agosto, puxada pela alta de 3,9% da gasolina. Em 12 meses, a categoria acumula avanço de 16,3%, segundo o C6 Bank.
“Para os próximos meses, não esperamos um grande alívio na inflação, com a persistência dos preços de serviços e a pressão sobre as commodities energéticas dificultando uma desaceleração mais significativa”, afirma Felipe Mecchi, economista do C6 Bank.
Fed deve subir os juros?
As três casas avaliam que os dados aumentaram a probabilidade de uma elevação dos juros na próxima semana. Além do CPI, o índice de preços ao produtor (PPI) divulgado nesta semana também veio acima das condições consideradas necessárias por dirigentes do Fed para manter as taxas inalteradas.
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Valério lembra que Kevin Warsh havia sinalizado, durante o simpósio de Jackson Hole, que apoiaria uma alta em setembro caso CPI e PPI apresentassem leituras mais fortes. Christopher Waller, por sua vez, afirmou que se sentiria confortável com a manutenção dos juros se o núcleo do CPI ficasse abaixo de 0,3% — o que não ocorreu.
“Com um comitê já dividido há algum tempo, com três membros votando para aumentar os juros, devemos ver a formação de maioria para uma alta de 0,25 ponto percentual na semana que vem”, diz Valério.
O Inter espera um ciclo gradual de três altas de 0,25 ponto percentual até o fim do ano.
O movimento devolveria os 0,75 ponto percentual em cortes realizados entre setembro e dezembro de 2025, quando o Fed buscava se antecipar a uma possível desaceleração do mercado de trabalho que, segundo o banco, não se concretizou.
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A ASA projeta duas elevações consecutivas de 0,25 ponto percentual e avalia que o CPI pode ajudar Warsh a conquistar os votos dos membros ainda indecisos.
O C6 também acredita que a combinação de inflação pressionada, atividade sólida e mercado de trabalho resiliente levará o Fed a elevar os juros na próxima reunião.
Após a divulgação do CPI, a ferramenta CME FedWatch indicava 86,9% de chance de o Fed subir os juros na reunião da próxima semana. Já de manutenção a probabilidade era de 13,1%. Atualmente, a taxa de referência dos EUA está na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
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