Rodrigo Pereira terminou o 4.º ano no Quadro de Honra da Escola Básica do Mosteiro, em Odivelas, e a mãe inscreveu-o no 5.º ano logo no primeiro dia das matrículas, preenchendo todas as cinco opções de escolas. Mas foi surpreendida com um "sem colocação"
A duas semanas do início das aulas, um aluno de 10 anos continua sem escola atribuída, denunciou esta sexta-feira a família que está desde o início de agosto sem respostas dos serviços do Ministério da Educação.
Rodrigo Pereira terminou o 4.º ano no Quadro de Honra da Escola Básica do Mosteiro, em Odivelas, e a mãe inscreveu-o no 5.º ano logo no primeiro dia das matrículas, preenchendo todas as cinco opções de escolas.
Os problemas que ocorreram com a correção dos exames nacionais fez atrasar ligeiramente a divulgação das colocações, mas a família só começou a ficar preocupada quando percebeu que “os colegas do Rodrigo estavam a ser todos colocados em escolas e ele não”, recorda a mãe Ana Brito Pereira em declarações à Lusa.
No início de agosto, Ana Pereira enviou um e-mail para o novo serviço do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) - a Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) - mas diz nunca ter recebido qualquer resposta.
Perante o silêncio da AGSE, dirigiu-se a uma escola do 2.º ciclo em Odivelas, onde lhe disseram que o processo de colocação ainda estava a decorrer e que para obter mais informações teria de ligar para a central da AGSE.
“Durante uma semana liguei insistentemente e quando me atendiam diziam que não conseguiam transferir a chamada”, conta a mãe que no início desta semana foi surpreendida com a novidade no portal das matrículas dizendo que o Rodrigo tinha ficado “sem colocação”.
Sem alternativas, continuou a ligar insistentemente para a central da AGSE, até que esta terça-feira conseguiu finalmente falar com um funcionário.
“Atendeu uma senhora que disse que era telefonista e não podia fazer nada, porque a agência não tem atendimento telefónico nem atendimento pessoal. No final ainda me disse: 'A minha função aqui é dizer às pessoas para enviarem e-mail'”, desabafou a mãe, que explicou que já o tinha feito no início do mês sem nunca ter recebido qualquer resposta.
“Tem de insistir, mandar mais e-mails, não pode mandar só um” foi o que ouviu de resposta.
As aulas do 5.º ano na escola pública começam entre os dias 11 e 15 de setembro e Ana Pereira está a ficar bastante preocupada.
“Ele tem dez anos, não pode ficar sozinho em casa e eu não tenho mais dias de férias para tirar. Neste momento só pedia que alguém me desse uma resposta, nem que fosse para dizer que haverá novidades a 5 de setembro, mas não há ninguém que me tranquilize. Acredito que será colocado numa escola, até porque o ensino é obrigatório, mas preciso que me digam qual é o ponto da situação”, desabafou.
Sem respostas à vista, a família decidiu fazer duas pré-reservas em centros de estudos distintos para o Rodrigo ter onde ficar depois das aulas. Segundo Ana Pereira, essas duas pré-reservas custaram 160 euros, dinheiro que poderiam ter poupado.
A cerca de duas semanas do arranque do ano letivo, Ana Pereira acrescenta que sem escola atribuída fica também sem acesso aos manuais escolares, que o Rodrigo deveria levar no início das aulas.
A Lusa tentou contactar durante a manhã a Agência de Gestão do Sistema de Educação para o número que aparece no site, mas ninguém atendeu o telefone.
No site da AGSE, existe um aviso a propor que sejam consultados os sites antigos “enquanto decorre a transição”. A Lusa contactou a antiga Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, mas também ninguém respondeu às chamadas.
A Lusa questionou também o MECI sobre quantos alunos continuam neste momento sem colocação, quantas reclamações receberam e porque deixou de haver um gabinete de atendimento ao público e aguarda resposta.