"Ameaça direta". Ucrânia sinaliza incursão de míssil russo na Polónia

O Governo da Ucrânia atribuiu esta quinta-feira à máquina de guerra da Rússia a incursão de um míssil de cruzeiro em espaço aéreo da Polónia. Assinalando uma violação da esfera de atuação da Aliança Atlântica, o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, afirmou que o projétil foi “parte de um ataque em larga escala” contra o seu país.

“Durante a noite, um míssil de cruzeiro KH-101 entrou na Polónia como parte de um ataque em larga escala da Rússia contra a Ucrânia, violando o espaço aéreo da NATO”, escreveu na rede social X o chefe da diplomacia ucraniana.

“Esta é mais uma demonstração clara de que fortalecer a defesa aérea da Ucrânia agora é urgente e serve como garantia para a proteção de toda a comunidade euro-atlântica”, acrescenta Andrii Sybiha, para precisar que, nas últimas horas, um mais de 70 mísseis, “muitos deles balísticos”, e “centenas de drones” foram lançados contra a Ucrânia.

“Há vítimas civis em Kiev, Poltava, Kharkiv, Mykolaiv, Sumy, Vinnytsia, Cherkasy e outras regiões. Pelo menos oito pessoas morreram em todo o país e dezenas ficaram feridas como resultado deste ataque”, prossegue o governante ucraniano.“Todas as outras divergências devem ser postas de lado durante esta guerra brutal. A nossa prioridade máxima deve ser a segurança compartilhada”, escreve o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia.

Ainda segundo Sybiha, “a incursão de um míssil russo no espaço aéreo da Polónia também serve como lembrete de que não há nada mais urgente para os nossos dois países do que combater o nosso inimigo comum e ancestral, que representa uma ameaça direta a ambas as nossas nações”.

Exortamos a uma reação internacional firme, ao aumento do apoio à Ucrânia e a uma maior pressão sobre o agressor. O custo para Putin de continuar esta guerra deve superar em muito o custo de encerrá-la”, remata Andrii Sybiha.

Sem fazer referência a mísseis balísticos, Moscovo confirmou ter desencadeado um ataque noturno em “grande escala” com recurso a drones, visando instalações da indústria de defesa, infraestruturas de telecomunicações e centros logísticos nas regiões da capital, Kiev, e de Lviv, cidade próxima da fronteira ocidental da Ucrânia.

As autoridades polacas haviam já confirmado a deteção de uma cratera numa área desabitada do leste do país.

No X, o comando operacional das Forças Armadas polacas indicara, antes da tomada de posição ucraniana, que “um objeto não identificado, deslocando-se para oeste”, fora “detetado no espaço aéreo polaco” – o objeto desapareceu dos radares pouco depois da deteção, pelas 3h40 locais (2h40 em Lisboa).

❗️ Uwaga. W godzinach nocnych narodowe i sojusznicze systemy rozpoznania wykryły intensywną aktywność bojową lotnictwa dalekiego zasięgu Federacji Rosyjskiej. W celu zapewnienia bezpieczeństwa polskiej przestrzeni powietrznej podwyższono gotowość bojową środków systemu obrony… pic.twitter.com/gP28zkKTkx

— Dowództwo Operacyjne RSZ (@DowOperSZ) July 30, 2026

Entretanto, no decurso de uma reunião de emergência, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, veio afirmar que o objeto detetado de madrugada aparenta, efetivamente, ser um míssil russo.

“Todas as indicações são de que foi um míssil balístico russo KH-101, mas queremos ter 100 por cento de certeza sobre o tipo de míssil e de quem o lançou”, enfatizou.A Polónia mobilizou caças para proteger o espaço aéreo.

Um helicóptero Mi-24 enviado ao último local onde o objeto foi registado nos radares identificou o provável local da queda, ainda segundo o comando operacional polaco: “A tripulação do helicóptero localizou o provável ponto de queda do objeto numa área não urbanizada, próxima da localidade de Tarnawa-Kolonia, na província de Lublin”.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, já condenou, por sua vez, os ataques “em massa” contra a Ucrânia, a par da “violação do espaço aéreo polaco”
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c/ agências