Na nova programação, o MAC/CCB apresenta artistas de diferentes gerações e geografias, cruzando instalação, vídeo, fotografia, escultura, desenho, pintura e têxteis, em exposições que abordam diferentes formas de investigação artística, prolongando-se algumas das mostras pelo primeiro trimestre de 2027.
Ângela Ferreira, considerada uma figura central da cena artística portuguesa, apresentará uma exposição que percorre trabalhos realizados desde a década de 1990 até às criações mais recentes, centrados em factos, infraestruturas, personagens e arquiteturas relacionados com a colonização, descreve o 'site' do museu.
A prática da artista nascida em Maputo, em Moçambique, e formada em Escultura na Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, durante o período do 'apartheid', abrange instalação, vídeo, fotografia e escultura.
Com curadoria de Nuria Enguita, diretora do museu, a exposição "Ângela Ferreira - Here I Stand", que é inaugurada em 23 de outubro, acompanha a investigação de Ângela Ferreira sobre os efeitos persistentes do colonialismo e os modos de resistência a esse legado, num percurso que recupera diferentes momentos da sua produção artística.
Em dezembro, o MAC/CCB inaugura duas exposições: a 02 de dezembro abre "Kouroi al cora", da artista portuguesa Francisca Carvalho, que poderá ser visitada até 04 de abril de 2027.
Esta individual com curadoria de Sara De Chiara, reúne uma vasta seleção de trabalhos em papel e outras obras que resultam da investigação da artista sobre símbolos, sinais, padrões, textos, pinturas e têxteis provenientes de diferentes geografias.
A mostra inclui ainda trabalhos desenvolvidos a partir das experiências de Francisca Carvalho na Índia, nomeadamente no Rajastão e em Gujarat, onde aprofundou técnicas tradicionais de criação de padrões, corantes naturais, 'kalamkari' e impressão manual, além de experiências com vidro.
Também em dezembro, o MAC/CCB apresenta a primeira exposição em Portugal de Neïl Beloufa, artista franco-argelino que propõe um percurso expositivo baseado na interação do público com objetos, sensores e capítulos de um jogo de computador.
Com curadoria de Marta Mestre, a exposição parte da confusão entre ficção e realidade para criar um ambiente que inclui, entre outros elementos, um cenário inspirado na cidade fictícia de Agrabah, um arquivo, um 'karaoke', um quarto e estruturas militares.
A cada interação, o percurso do visitante é registado através de sensores ou de mecanismos de controlo algorítmico, com o objetivo de criar interatividade na narrativa ficcional construída pelo artista, indica a informação do MAC/CCB.
Em 16 de dezembro será inaugurada "Marisol --- Quando tudo está apenas a começar", exposição dedicada aos desenhos de Marisol Escobar (1930--2016), que estará patente até 12 de abril de 2027.
Esta mostra reunirá mais de 100 desenhos produzidos desde a década de 1950 até à morte da artista nascida em Paris, apresentados em diálogo com esculturas, materiais de arquivo e filmes de Andy Warhol nos quais Marisol participou.
Escultora pioneira e das poucas mulheres a destacar-se no movimento Pop Art em Nova Iorque durante a década de 1960, Marisol Escobar alcançou sucesso da crítica e também comercial na mesma época que Andy Warhol, destacando-se pelas suas figuras de madeira tridimensionais que misturavam sátira social, arte folclórica e cubismo.
Com curadoria de Laura Vallés Vílchez, a exposição, coproduzida pelo MAC/CCB e pela Fundación Botín, em colaboração com o Buffalo AKG Art Museum, destaca o desenho como eixo central do percurso artístico de Marisol.
Grande parte das obras apresentadas provém da coleção do Buffalo AKG Art Museum e acompanha uma prática artística em que o desenho serviu para expressar preocupações globais, inquietações pessoais e construções ficcionais da artista, assinala o museu.
No Centro de Arquitetura do CCB, em 04 de novembro, é inaugurada a exposição "Paraíso Hoje", que representou oficialmente Portugal na 19.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza em 2025.
O projeto propõe uma reflexão crítica sobre as relações entre arquitetura, paisagem e território contemporâneo em Portugal, tomando a ideia de paraíso como metáfora para pensar o presente, através de uma instalação digital e interativa e um atlas de imagens e textos que exploram diferentes modos de habitar, transformar e imaginar a paisagem.
O projeto tem curadoria dos arquitetos Paula Melâneo, Pedro Bandeira, Luca Martinucci, e curadoria-adjunta de Catarina Raposo e Nuno Cera.
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