El Niño já afetou vida marinha no Pacífico, mostram imagens | G1

A diferença mais evidente aparece no Pacífico central, perto da Linha do Equador e ao norte da Nova Zelândia.

Na imagem deste ano, a concentração de clorofila na superfície do mar é bem menor (veja ACIMA e ABAIXO).

🔎 ENTENDA: Essa queda na clorofila é importante porque ela indica a presença de fitoplâncton, um conjunto de organismos microscópicos que vive próximo à superfície do mar e que sustenta grande parte da cadeia alimentar marinha.

Menos clorofila, portanto, é um sinal de menor presença de fitoplâncton naquela região.

Imagem NASA Earth Observatory/Michala Garrison/PACE Imagem NASA Earth Observatory/Michala Garrison/PACE

Imagens comparam a concentração de clorofila no Pacífico em junho de 2025 e junho de 2026. — Foto 1: NASA Earth Observatory/Michala Garrison/PACE — Foto 2: NASA Earth Observatory/Michala Garrison/PACE

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As imagens foram produzidas a partir de dados do OCI (Instrumento de Cor do Oceano, na tradução do inglês), instalado no satélite PACE (Plâncton, Aerossóis, Nuvens e Ecossistema Oceânico, também na tradução do inglês), da Nasa.

O equipamento analisa a luz refletida pelo oceano e ajuda a acompanhar mudanças na quantidade e na distribuição do fitoplâncton.

➡️A mudança é esperada durante episódios de El Niño. Com o fenômeno, os ventos que normalmente sopram de leste para oeste perto da Linha do Equador enfraquecem e alteram a circulação do oceano.

Isso reduz a subida de águas mais frias e ricas em nutrientes das partes profundas do Pacífico. Com menos nutrientes disponíveis perto da superfície, há menos condições para o crescimento do fitoplâncton.

Os oceanógrafos Matthew Kehrli e Graham Trolley, do Centro de Voos Espaciais Goddard, da Nasa, afirmam que a diferença pode ficar ainda mais evidente conforme o El Niño avance.

“Isso pode aparecer como uma diferença maior nos valores da região atual, como uma expansão da área com menor concentração de clorofila na superfície, ou ambos”, disseram os pesquisadores em um comunicado conjunto da Nasa.

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E a redução pode se espalhar pela cadeia alimentar. Com menos fitoplâncton, há menos alimento disponível para o zooplâncton (seres microscópicos que flutuam na água de rios, lagos e oceanos) e, depois, para peixes, aves e mamíferos marinhos.

Os impactos também podem aparecer perto da costa. No Peru, episódios anteriores de El Niño já estiveram ligados a fortes quedas na pesca de anchoveta (peixe que vive na zona sudeste do oceano Pacífico, frente à costa do país), em meio ao aquecimento das águas e à redução da oferta de nutrientes.

Este ano, o Ministério da Produção do Peru suspendeu repetidamente a pesca de anchoveta em algumas áreas para proteger os estoques.

Pelicanos também foram vistos entrando em portos e zonas urbanas em busca de alimento.

Os cientistas esperam que as mudanças no Pacífico central se tornem mais marcantes ao longo dos próximos meses, conforme o El Niño se fortaleça.

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