Apoiantes de Mondlane manifestaram-se em Lisboa contra julgamento

Os manifestantes, maioritariamente ligados à Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), partido fundado por Venâncio Mondlane, desfilaram entre a Praça dos Restauradores e o Terreiro de Paço exibindo cartazes e gritando, entre outras palavras de ordem, "julgar Venâncio é julgar o povo", "podem nos matar, não vamos desistir" e "salvem Moçambique, Moçambique é nosso".

"Estamos aqui por ele e por Moçambique. O engenheiro não cometeu nenhum crime, ao nosso ver. Apenas convocou manifestações, e o povo saiu, foi à rua, porque reivindicava o bem-estar, [contra] a falta de escola, a falta de alimentação, a falta de uma vida condigna no geral", disse hoje aos jornalistas a coordenadora do Anamola em Portugal, Joana Gemo.

Na sexta-feira, Venâncio Mondlane assegurou à Lusa que vai estar presente no julgamento, no qual arrisca ser condenado a mais de 20 anos de prisão, por, acusou o Ministério Público, apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo, na sequência de manifestações pós-eleitorais.

Para Joana Gemo, o fundador do Anamola "não tem nada a temer" e "vai provar que não cometeu nenhum crime", até porque o partido tem "vídeos que ilustram que em nenhum momento" Venâncio Mondlane "incitou à violência".

"Acredito no bom senso dos juízes. São pessoas altamente qualificadas que estudaram para isso, se não não seriam juízes", frisou, atribuindo a reduzida participação na manifestação de hoje ao facto de, por um lado, as pessoas terem de trabalhar e, por outro, terem receio de que os familiares que residem em Moçambique sofram represálias pelo protesto.

Venâncio Mondlane nunca reconheceu os resultados eleitorais de outubro de 2024, que deram a vitória a Daniel Chapo, candidato da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), tendo liderado uma onda de protestos pós-eleitorais que se prolongou por cerca de cinco meses e provocou centenas de mortos, além de saques e destruição.

Na sexta-feira, o político moçambicano foi recebido em Lisboa pelo ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, a quem entregou um dossiê sobre alegadas violações de direitos humanos em Moçambique nos últimos 20 anos.

À Lusa, justificou a ausência da manifestação de hoje com o facto de ter uma importante agenda privada em Lisboa, tendo manifestado o desejo de que o protesto decorresse de forma ordeira e servisse de exemplo para Moçambique.

A marcha, que não obrigou ao corte de trânsito, decorreu sem incidentes.

Mondlane entrega a Rangel dossiê sobre violações de direitos humanos

Mondlane entrega a Rangel dossiê sobre violações de direitos humanos

O político moçambicano Venâncio Mondlane entregou hoje ao ministro português dos Negócios Estrangeiros um dossiê sobre alegadas violações dos direitos humanos em Moçambique, no qual pede acompanhamento internacional permanente e investigações independentes.

Lusa | 20:58 - 18/09/2026