11h. Crise migratória. Subiu para 72 o número de migrantes que morreram a tentar chegar a Ceuta

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

José Rafael Lopes. O número de mortes na sequência da crise migratória em Ceuta voltou a subir e, Zé, as autoridades espanholas acabam de elevar para 72 o número de vítimas mortais.

Os dados foram avançados há pouco pelo representante do governo de Espanha em Ceuta, numa conferência de imprensa. Quanto ao número exato de migrantes que regressaram a Marrocos, o governante não quis avançar dados exatos, mas as autoridades têm afirmado que a normalidade está a voltar a Ceuta. Vamos desde já em direto até à cidade de Ceuta, ao encontro dos enviados especiais do Observador, Inês André Figueiredo e também o João Porfírio. Neste jornal junta-se a Inês André Figueiredo em direto. Inês, as autoridades espanholas dizem que a normalidade está a ser reposta, mas as imagens mostram centros sobrelotados, imigrantes ainda a chegar esta manhã. Afinal, como é que está a situação em Ceuta?

Bom dia. Aos poucos a cidade procura essa normalidade. Algumas lojas já começaram a abrir ontem, os supermercados estão todos abertos, mas é uma normalidade bastante distante daquela que existia há uma semana, antes da entrada de milhares de pessoas, praticamente de um dia para o outro ou em poucas horas. Neste momento, a realidade pressupõe tanques do exército espanhol nas ruas, polícia por todo lado. Estes tanques estão à porta dos supermercados e as pessoas de Ceuta com quem temos falado têm mostrado que só assim se conseguem sentir seguras. Esses tanques estão aqui para dar essa sensação de segurança, mas o trabalho do exército espanhol está longe de ter terminado. Agora que a situação na praia, na fronteira entre Espanha e Marrocos está muito mais calma, depois de ter sido colocada boia com cerca de 500 metros para complicar a chegada dos migrantes, por assim dizer, a verdade é que o exército está espalhado por toda a parte e o que se está a fazer é a tentar encaminhar os migrantes que ainda estão na cidade para o passadiço que leva a essa fronteira para que regressem a Marrocos. O número de pessoas que passam nesse corredor tem vindo a diminuir significativamente, porque neste momento quem está em Ceuta vai jurando que está para ficar e que fará tudo para conseguir uma passagem para o território europeu. Como dizias, os centros de alojamento temporários estão completamente cheios e à porta destes centros há centenas de pessoas à espera de uma vaga, mas no fundo vai havendo tentativas mais criativas para tentar sair aqui do enclave espanhol, como aquela a que assistimos ontem ao final do dia, quando três imigrantes foram encontrados dentro de um carrossel de uma feira que foi cancelada, já estava tudo desmontado e aperceberam-se que havia ali pessoas. Neste carrossel estavam três, noutro de outras pessoas com quem falámos estavam 12. Por isso, esta é uma fase de desespero. Aqui estas pessoas não vão ter acesso a comida por muito mais tempo, o dinheiro que alguns trouxeram, e não foram todos, está a acabar, não têm onde dormir, há polícia por toda a parte, portanto, nos próximos dias, as autoridades do Porto de Ceuta e estas que estão aqui pela cidade terão certamente muito trabalho pela frente.

A reportagem em direto da Inês André Figueiredo, a partir de Ceuta, enviada especial do Observador à cidade espanhola. Na terça-feira vai decorrer um Conselho da União Europeia, de ministros do Interior. Vários Estados-membros têm tido reações divergentes a esta crise migratória entre pedidos para um maior controle de fronteiras e a suspensão dos acordos do espaço Schengen. Na análise, o tenente-general Marcos Serronha diz que alguns governos da União Europeia tiveram uma reação brusca, sobretudo tendo em conta que Ceuta não faz parte do espaço Schengen.

Há uma polarização de posições, neste caso da imigração. Os países que têm mais preocupações com a questão do tratamento político do fenómeno das migrações, tiveram uma reação relativamente um pouco mais brusca do que aquilo que era necessário. Para já, é preciso também pôr a questão em contexto. Ceuta não faz parte do espaço Schengen. O que alguns países disseram parece que tinha havido uma invasão do espaço Schengen, o que não é verdade. A questão mais sensível da segurança é uma questão mais dos países, embora há sítios onde tem que haver coordenação entre os países, que é o caso, por exemplo, de nós, Portugal e Espanha. Naturalmente, temos uma fronteira contígua da União Europeia, que tem que ser tratada de forma articulada.

O tenente-general Marcos Serronha, na análise a esta crise migratória súbita em Ceuta. Declarações no Gabinete de Guerra, aqui na Rádio Observador.

No Médio Oriente, Donald Trump cancelou o ataque previsto contra o Irão. O presidente norte-americano anuncia que há a perspectiva de um novo acordo e decidiu suspender a ofensiva.

Donald Trump diz que estava pronto para atacar o Irão com terror e força militar que não eram vistos desde a Segunda Guerra Mundial, mas o presidente norte-americano explica que aceitou travar a ofensiva a pedido do Irão e de outros países do Médio Oriente, após terem sido alcançadas bases para um novo acordo. É o que escreve o presidente dos Estados Unidos numa publicação na rede social Truth Social. Na análise, o tenente-general Marcos Serronha diz que o cancelamento do ataque pode ser um sinal positivo para futuras negociações, apesar das posições não se terem alterado do ponto de vista da retórica.

Vamos ver, pode ser que haja expectativas positivas relativamente ao haver um acordo, embora nós sabemos à partida que as posições, tanto dos Estados Unidos como do Irão, não se alteraram significativamente, pelo menos sob o ponto de vista retórico. O Irão não abdica do estreito de Hormuz, não quer a questão nuclear posta nesta fase. Os Estados Unidos insistem na questão de Hormuz aberto e livre e do Irão não ter armas nucleares. O que resulta daqui é que quem lidera a questão das negociações e da narrativa comunicacional à volta de tudo isto é o Irão, e essa preocupação que o Irão tem tido sempre, de algum modo, tem tido sucesso.

O tenente-general Marcos Serronha, na análise ao conflito entre Estados Unidos e Irão no Gabinete de Guerra desta manhã. Donald Trump disse também que o entendimento prevê a reabertura do estreito de Hormuz e o fim da ameaça nuclear iraniana. O cancelamento do ataque surge numa altura em que o Médio Oriente estava em alerta máximo para uma eventual ofensiva norte-americana.

São agora 11h06. Já a seguir, novo episódio do Português Suave, com o linguista Marco Neves, mas antes, Zé, vamos ainda a outras notícias que estão em destaque a esta hora.

O incêndio em Vale de Passos sofreu reacendimentos fortes durante a noite. Ainda assim, foram combatidos e o incêndio continua controlado. A Proteção Civil explica ainda que os operacionais e os meios que estão no terreno vão continuar para que as chamas não voltem a sair do controle dos bombeiros. O incêndio em Vale de Passos tem neste momento quase 700 operacionais no terreno, apoiados por 220 viaturas e quatro meios aéreos. O Futebol Clube do Porto venceu a Supertaça Cândido de Oliveira. Os Dragões ganharam ao Torreense por 1x0. Vítor Raul fez o único golo da partida. Com este triunfo, o Futebol Clube do Porto conquista a Supertaça número 25 da história. Começa uma nova temporada com mais um troféu. "Uma entrada forte", diz Francesco Farioli.

Fechamos assim o jornal das 11h com José Rafael Lopes.