Dinheiro e Negócios
Dados da Anbima revelam que fundos de 90 gestoras perderam metade do patrimônio em 5 anos
18/09/2026 15:19

Eles surgiram como uma opção para quem queria investir e ter bons resultados sem a preocupação de acompanhar as oscilações do mercado. Conquistaram espaço rapidamente, mas, após anos de resultados pífios, os investidores fugiram e as grandes gestoras estão abandonando o barco.
No seu auge em 2019, os fundos multimercados somavam quase R$ 2 trilhões em patrimônio, volume que recuou para R$ 1,6 trilhão. De acordo com a Anbima, 90 gestoras perderam mais de 50% dos valores que administravam em fundos no período.
A debandada de investidores levou grandes gestoras a jogarem a toalha. Criada pelo ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga, a Gávea Investimentos encerrou, em agosto deste ano, suas atividades na gestão de fundos multimercados de terceiros após 23 anos. Os cinco fundos que restavam sob sua administração — e somavam 20 bilhões em ativos — foram transferidos para a Bradesco Asset.
No mesmo mês, a TAG Investimentos, que tem R$ 18 bilhões sob gestão e clientes com patrimônio a partir de R$ 20 milhões, zerou a sua alocação em fundos multimercados.
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Quem não largou o osso, amarga resultados ruins. É o caso da Verde Asset, do badalado gestor Luis Stuhlberger. O patrimônio da gestora saiu de R$ 59,3 bilhões em julho de 2021 para R$ 12,7 bilhões em julho de 2026, uma queda de 78,6% — a mais alta registrada no ranking da Anbima.
Dentre os vários tipos de fundos de investimentos, o fundo multimercado permite aplicar em vários segmentos diferentes. Cabe à gestora decidir no que o dinheiro vai ser aplicado em um universo que pode incluir ações, moedas e renda fixa.
Até agosto deste ano, no entanto, a rentabilidade média dos multimercado foi de 5,7%, enquanto o CDI acumulou 9,3%. Um levantamento da consultoria Economatica com setenta fundos concluiu que apenas cinco renderam mais que o CDI no primeiro semestre.
Mais uma vez, a elevada taxa de juros aparece como vilã. Papéis como LCIs, LCAs, debêntures de infraestrutura e títulos públicos passaram a oferecer retornos altos, previsíveis e de baixo risco.
Enquanto multimercados sofriam com resgates bilionários, a renda fixa funcionou como um porto seguro defensivo, somando R$ 59,4 bilhões em entradas líquidas no primeiro semestre de 2025.