Pelo menos 47 pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas em um ataque de gangues em um bairro com vista para a capital do Haiti, Porto Príncipe, informou a ONU nesta segunda-feira (24), provocando indignação pela falta de proteção contra repetidos ataques mortais.
O Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti afirmou que as estimativas ainda podem mudar.
A comunidade de Kenscoff, situada numa encosta numa posição estratégica com vista para as rotas de acesso à capital, sofreu uma dúzia de ataques de gangues armadas desde o ano passado, obrigando milhares de pessoas a fugir das suas casas.
Gangues poderosas, unidas por uma ampla aliança, consolidaram ao longo dos anos sua influência sobre a capital do Haiti e se expandiram para regiões vizinhas, apesar das tentativas de nações estrangeiras de reforçar a polícia do país, que está em desvantagem numérica e de armamento.
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No Haiti, o grupo de direitos humanos RNDDH (Réseau National de Défense de Droits Humains) estimou que entre 30 e 40 pessoas foram mortas e entre 15 e 20 ficaram feridas no ataque, que começou por volta das 22h30, horário local, mas afirmou ser difícil chegar a um número exato.
Mesmo com o governo haitiano condenando um "ataque hediondo" e prometendo reforçar a segurança, os moradores exigiram a renúncia do chefe de polícia local, alegando que os policiais não protegeram as pessoas mortas a poucos minutos da delegacia.
"Kenscoff não será abandonado", afirmou o gabinete do primeiro-ministro nas redes sociais. "A autoridade do governo será restaurada, sem hesitação e sem demora."
Forçados a fugir de Kenscoff
Os ataques ocorridos em Kenscoff ao longo de dois meses, no início de 2025, resultaram em mais de 260 mortos e 200 casas destruídas ou incendiadas, forçando três mil pessoas a fugir, segundo estimativas da ONU.
Desde então, ocorreram quase uma dúzia de outros ataques, incluindo estupros, sequestros, incêndios criminosos e roubo de gado.
"Minha família é vítima", disse Coriolan Kendy, ao lado do corpo do primo, estendido na estrada em um lençol ensanguentado. "O povo de Kenscoff está sofrendo e a culpa é do governo."
Outro morador, Orisme, que não revelou seu sobrenome, implorou pelo apoio do primeiro-ministro. "Vivemos em humilhação e eles não fazem nada por nós", disse ele.
Alguns moradores disseram que dezenas de policiais tentaram repelir os homens armados durante a noite, e alguns ficaram feridos. Eles acrescentaram que não identificaram membros de gangues entre os mortos.
A mídia local informou que várias casas foram incendiadas, incluindo a residência de Jean William Pape, um importante especialista em saúde pública.
"A polícia nunca desistiu", disse o chefe da polícia nacional, Vladimir Paraison, a repórteres durante uma visita a Kenscoff no final do dia.
Kenscoff oferece vistas para as rotas de acesso a Pétion-Ville — onde se encontram diversas embaixadas, hotéis de luxo e a sede provisória do governo — bem como para uma importante estrada que liga a capital ao sul do Haiti.
A violência pode agravar as preocupações sobre a capacidade do Haiti de realizar eleições em dezembro, as primeiras em uma década. Governos sucessivos têm adiado repetidamente as eleições à medida que grupos armados expandem sua influência.
A Força de Supressão de Gangues, apoiada pela ONU e com o mandato de auxiliar a polícia no combate às gangues, pretende atingir uma capacidade de mais de 5.500 soldados neste outono.
Um porta-voz não respondeu imediatamente às perguntas sobre se as tropas estavam reforçando a segurança de Kenscoff.