Audi: quanto mais caro é o carro mais clientes querem combustão

A preferência ajuda a explicar por que razão a Audi decidiu lançar o Nuvolari com um V8 biturbo, mesmo depois de ter antecipado um futuro 100% elétrico.

Nos modelos mais caros, um motor de combustão já não é apenas uma forma de fazer o carro andar. Faz parte da experiência, do caráter e, para muitos clientes, até daquilo que justifica pagar mais. É uma realidade que a Audi diz estar a encontrar no topo da sua gama.

Gernot Döllner, diretor-executivo do construtor, explicou à Bloomberg que, à medida que subimos de segmento, aumenta também a preferência dos clientes, sobretudo dos entusiastas, pelos motores de combustão.

Uma tendência que ajuda a compreender algumas das decisões mais recentes da Audi. O novo Nuvolari, que já conduzimos, recorre a um motor V8 biturbo integrado num sistema híbrido, o mesmo do Lamborghini Temerario. Enquanto nos segmentos inferiores a marca prepara modelos exclusivamente elétricos, como o novo A2 e-tron.

Audi Nuvolari dianteira 3/4
© Audi O Audi Nuvolari é uma espécie de sucessor espiritual do R8, mas aponta a um posicionamento mais elevado e exclusivo: apenas 499 unidades serão produzidas.

Audi já tinha travado estratégia 100% elétrica

É uma posição bastante diferente daquela que a Audi assumia há apenas alguns anos. Em 2021, a marca anunciou que, a partir de 2026, todos os novos modelos apresentados seriam apenas 100% elétricos e que a produção dos últimos modelos com motores de combustão terminaria até 2033.

A transição não avançou, porém, ao ritmo previsto e a Audi acabou por mudar de estratégia. Atualmente, mantém em desenvolvimento automóveis elétricos, híbridos plug-in e uma nova geração de modelos com motor de combustão.

Foi ainda mais longe ao afirmar que “precisamos de abrandar ou até regredir na eletrificação” numa entrevista à Razão Automóvel. Leia a entrevista completa:

Gernot Döllner, CEO Audi, com Audi Q9

Elétricos têm maior aceitação mais abaixo, mas há excepções

No extremo oposto está o novo Audi A2 e-tron. A Audi já confirmou o regresso desta designação para um novo modelo exclusivamente elétrico, cuja revelação final está prevista para muito breve.

Será a nova proposta elétrica de entrada da marca e tomará o lugar, na prática, do A1 e do Q2, modelos que recentemente chegaram ao fim da produção. Antes da revelação, pudemos conduzir o A2 e-tron ainda camuflado. Fique com as nossas primeiras impressões:

Audi A2 e-tron em movimento vista dianteira 3/4

Esta divisão entre elétricos nos segmentos inferiores e motores de combustão no topo não é absoluta. O melhor exemplo é o Concept C, que deverá dar origem a um modelo de produção em 2027.

O desportivo de dois lugares, que introduz o primeiro tejadilho targa da história da Audi, continuará a ser exclusivamente elétrico. A marca já confirmou que não está previsto receber uma alternativa com motor de combustão.

Descubra o seu próximo automóvel:

Já no novo RS 5, a Audi manteve um V6 biturbo de 2,9 litros, agora integrado num sistema híbrido plug-in. O mesmo tipo de eletrificação deverá chegar ao futuro RS 6, que além da Avant, regressará também como berlina. A configuração final do motor do próximo RS 6 ainda não está oficialmente confirmada: o V8 biturbo da última geração poderá ser substituído pelo mesmo bloco V6 do RS 5.

O que parece ser claro é que, apesar da eletrificação continuar a avançar na Audi, os motores de combustão continuarão a ter uma palavra a dizer, especialmente nos modelos onde a componente emocional pesa mais que a racional.

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