Barragem de Girabolhos é essencial para proteger o Baixo Mondego

Em comunicado enviado à agência Lusa, a OE saudou a iniciativa do Governo em manter a decisão de construir a barragem -- localizada entre os concelhos de Nelas (Viseu) e Seia (Guarda) -- e lembrou que aquela infraestrutura é aguardada há várias décadas.

O relatório técnico de gestão da bacia do Mondego, elaborado pela Ordem dos Engenheiros e entregue ao Governo na sequência das cheias devastadoras do início do ano, "é muito claro na sua recomendação": "a construção da barragem de Girabolhos é uma medida prioritária e urgente", assinalou.

Para a OE, do ponto de vista técnico, "o sistema atual está esgotado" e as cheias de janeiro e fevereiro, "provocadas pelas tempestades Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta, agravadas por duas superfícies frontais associadas à depressão Nils" demonstraram que a capacidade de regularização da barragem da Aguieira "já não é suficiente para fazer face aos caudais extremos que se têm verificado".

"A rutura do dique do leito central do Mondego foi o sinal mais grave dessa insuficiência", vincou aquela ordem profissional.

Por outro lado, "a Aguieira precisa de funcionar a cotas mais baixas", sendo que o relatório recomenda que o seu volume de armazenamento "seja mobilizado até cotas inferiores a 117 m (no limite 110 m)".

"Isto significa manter a barragem com menos água retida para que possa absorver grandes afluências súbitas sem ter de descarregar caudal excessivo para jusante. Mas esta medida, isoladamente, reduz a garantia de abastecimento nos períodos de seca que se seguem às cheias", avisou a Ordem dos Engenheiros.

Deste modo, a nova barragem de Girabolhos será um "elemento complementar indispensável" à gestão da bacia do Mondego, permitindo assegurar "volumes de água disponíveis após os eventos de cheia e nos períodos de menor afluência".

A sua entrada em funcionamento possibilitará que a Aguieira "opere com a folga necessária para controlar cheias sem comprometer o abastecimento público, a agricultura e os usos ambientais a jusante".

O relatório, sustenta o comunicado da OE, "vai ainda mais além, e enquadra esta solução [de Girabolhos] também como uma adaptação prioritária às alterações climáticas".

"Os fenómenos extremos -- ora cheias violentas, ora secas prolongadas -- tenderão a agravar-se, e o sistema Mondego precisa de capacidade de regularização adicional para responder a ambos os cenários", enfatizou.

"A Ordem dos Engenheiros defende a barragem de Girabolhos não apenas como uma obra de controlo de cheias, mas como a solução estrutural que viabiliza o funcionamento seguro e resiliente de todo o sistema da Aguieira, conjugando proteção contra cheias, garantia de abastecimento e adaptação climática --- três objetivos que o atual sistema, sozinho, já não consegue assegurar", reafirmou.