Bélgica: Crise em Ceuta é "europeia, não apenas espanhola"

"Quando um Estado-membro localizado numa fronteira externa enfrenta este tipo de pressões, trata-se de uma questão europeia, não apenas espanhola", afirmou Prévot.

O chefe da diplomacia belga sustentou que o Governo espanhol "deve garantir a proteção das suas fronteiras" e pode contar com o apoio "tanto das autoridades europeias como das marroquinas".

Cerca de 60 mil migrantes irregulares provenientes de Marrocos, de acordo com o governo autónomo de Ceuta, chegaram ao enclave espanhol nos últimos dias, desencadeando uma crise migratória naquele território e uma crise diplomática na Europa.

Nas mesmas declarações, Prévot considerou que o reforço da proteção das fronteiras externas da UE é uma prioridade e defendeu que o controlo da imigração irregular deve ser acompanhado pelo combate às redes de tráfico de seres humanos.

"Desmantelar o modelo de negócio das redes de tráfico de pessoas" é, segundo o ministro, um "pré-requisito" para conciliar uma política migratória eficaz com uma abordagem humanitária.

O governante revelou ainda ter mantido contactos com as autoridades espanholas durante a manhã de hoje, assegurando que tanto Madrid como a Comissão Europeia estão a adotar "as medidas necessárias" para gerir a situação em coordenação com Marrocos.

Segundo Prévot, essas medidas incluem mecanismos de regresso para os migrantes que atravessaram irregularmente a fronteira, a par dos regressos voluntários que já estão a ocorrer.

As declarações do ministro belga juntam-se às de outros responsáveis europeus que defenderam uma resposta coordenada da UE à crise em Ceuta, que apelaram igualmente ao reforço da cooperação europeia e à aceleração do regresso dos migrantes em situação irregular.

Alguns Estados-membros da UE, em particular a Itália, estão a defender a possibilidade de suspender a aplicação do Acordo de Schengen (o espaço europeu de livre circulação) a Espanha.

O Ministério do Interior espanhol atualizou entretanto os dados relativos a Ceuta e referiu que mais de 37.500 migrantes regressaram a Marrocos a partir do enclave espanhol.

"Partidas de Ceuta para Marrocos até 31 de julho, até às 15:30 locais (14:30 em Lisboa): mais de 37.500", indicou o ministério, citado pela AFP.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

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