Bielorrússia: Oposição denuncia ocupação velada da Rússia

"Atualmente, a Bielorrússia encontra-se sob a ocupação velada da Rússia e Lukashenko [presidente da Bielorrússia] transformou o nosso país numa plataforma de lançamento para a guerra da Rússia. Enquanto isso se mantiver, a Bielorrússia continuará a ser um perigo para os seus vizinhos", alertou Sviatlana Tsikhanouskaya, numa conferência de imprensa no Fórum La Toja – Vínculo Atlântico, que hoje termina em La Toja, na província de Pontevedra, na Galiza, Espanha.

Uma Bielorrússia segura significará também "uma Europa segura", vincou, explicando que "a ditadura é como um cancro que se espalha e que é preciso eliminar até à última célula".

Para a líder da oposição, "enquanto Lukashenko estiver no poder, isso representará uma ameaça constante à segurança da União Europeia, e não apenas ao povo bielorrusso".

Por outro lado, o caso da Bielorrússia "também demonstra como é fácil acabar com a democracia, como é difícil recuperá-la e como a segurança e a democracia estão interligadas".

"A democracia pode ruir a qualquer momento", avisou.

A responsável defende que, "neste momento, a Europa deve permanecer unida e firme".

"E as sanções contra Lukashenko e a Rússia têm de ser mantidas porque a ausência de sanções acaba por reforçar esse comportamento", afirmou.

Sviatlana Tsikhanouskaya frisou que "o destino da Bielorrússia depende do resultado da guerra na Ucrânia".

"Enquanto Lukashenko estiver no poder, a Rússia continuará a ter ali um aliado para prosseguir os seus ataques, não só contra a Ucrânia, mas também contra o resto da Europa, pelo que continuará a representar uma ameaça para a segurança europeia", explicou.

Para Sviatlana Tsikhanouskaya, "uma Ucrânia mais forte e mais rica do que a Rússia" criará "uma oportunidade à Bielorrússia".

A líder da oposição manifestou-se "otimista quanto ao futuro da Bielorrússia", porque após seis anos desde o início da situação, "o povo bielorrusso continua unido, apesar de todas as tentativas do regime para o dividir".

"Conseguimos sobreviver, tendo um espaço e uma capacidade muito limitados enquanto movimento democrático. A unidade da nossa nação é a maior força contra Lukashenko", garante.

Sviatlana Tsikhanouskaya disse ainda que a oposição continua "a trabalhar para libertar os presos políticos".

Em 2025, "cerca de 500 pessoas foram libertadas, mas ainda há mais de 900 pessoas detidas e, diariamente, há pessoas a serem detidas", denunciou.

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