A atriz pareceu responder às críticas publicando uma série de fotografias da edição anual "Body Issue" da revista ESPN
Várias atletas femininas reagiram com raiva e incredulidade a uma campanha publicitária "hipersexualizada" que apresenta Sydney Sweeney nua ou com pouca roupa a posar com equipamento desportivo.
A campanha, da empresa norte-americana de previsões desportivas Novig, é "muito prejudicial" para as atletas e raparigas que querem começar a praticar desporto, disse a surfista australiana Felicity Palmateer à CNN, em entrevista esta segunda-feira.
Numa série de fotografias e vídeos divulgados na quarta-feira, Sweeney aparece nua ou com pouca roupa, a segurar bolas de futebol americano, uma raquete de ténis ou um taco de basebol. Numa das fotos, está deitada nua sobre uma bola de basquetebol.
A Novig publicou também um anúncio nos seus Reels do Instagram, que acumulou 37 milhões de visualizações em quatro dias.
Palmateer foi uma das muitas atletas femininas a criticar a campanha.
“É simplesmente inacreditável, incrivelmente dececionante. Como é possível rebaixar o desporto feminino em apenas 42 segundos de anúncio publicitário?”, disse à CNN, acrescentando que a campanha “é muito prejudicial, especialmente para as jovens mulheres que estão a iniciar-se no desporto, para as mulheres no desporto, para as mulheres em geral, por se tratar de conteúdo hipersexualizado”.
“Queremos ser valorizadas pelo que podemos fazer, não pela nossa aparência”, acrescentou Palmateer.
A nadadora australiana Ariarne Titmus, quatro vezes olímpica, publicou uma resposta à campanha nas suas stories do Instagram.
"Não ia partilhar isto porque não queria dar mais atenção ao assunto. Mas não consigo ficar calada", disse, segundo a afiliada da CNN, 9News.
"Não consigo descrever a raiva que sinto ao assistir a isto", escreveu Titmus.
"Isto não é apenas uma bofetada na cara de todas as mulheres que dedicaram as suas vidas a aperfeiçoar as suas capacidades, mas também de todas as mulheres que apreciam o desporto pelo que ele realmente é: trabalho em equipa, amizade, dedicação, excelência, união... e a lista continua."
A nadadora australiana Lani Pallister foi outra atleta a manifestar-se, publicando um vídeo compilando os seus treinos e competições, com a seguinte legenda: "Não sei o que Sydney pensa que é desporto, mas ISTO é o que desporto é."
Também australiana, a pugilista Skye Nicholson publicou um vídeo semelhante em resposta ao anúncio.
"Entregando à campanha publicitária exatamente o que queriam, mas honestamente, estas empresas precisam de melhorar 🙄 Parem de sexualizar as mulheres no #desporto", lê-se na legenda.
No domingo, Sweeney pareceu responder às críticas publicando uma série de fotografias da edição anual "Body Issue" da revista ESPN.
A edição anual contou com dezenas de atletas nus ou semi-nus durante os seus 11 anos de publicação, que terminou em 2019.
Esta não é a primeira vez que a participação de Sweeney numa campanha publicitária causa controvérsia.
No verão de 2025, a atriz participou numa campanha para a marca de roupa americana American Eagle, que alguns alegaram promover a eugenia e a supremacia branca.
"Os genes são transmitidos de pais para filhos", diz num anúncio. Noutra, a atriz afirma que "a composição do meu corpo é determinada pelos meus genes".
Inicialmente, Sweeney não se pronunciou sobre a polémica causada pela campanha, o que levou as pessoas a tirarem as suas próprias conclusões sobre o que ela pensava do anúncio.
Em novembro, a revista GQ publicou uma entrevista em vídeo com Sweeney, na qual esta comentou as consequências. Sweeney respondeu dizendo que ficou surpreendida com a reação, mas não pediu desculpa, reiterando o seu amor pelos jeans e a sua posição de que não está ali para dizer às pessoas o que pensar.
Quando questionada se gostaria de esclarecer as suas intenções, a estrela respondeu com a frase que se tornou viral: "Acho que quando tiver um assunto sobre o qual quero falar, as pessoas vão ouvir".
A CNN contactou os representantes de Sweeney e com Novig para comentar o assunto.
Leah Dolan, da CNN, contribuiu para esta reportagem