Brasil é o grande perdedor da reforma das tarifas de Trump. Países europeus saem a ganhar

A reforma de Donald Trump entrou em vigor esta sexta-feira, o mesmo dia em que a tarifa global temporária de 10% expirou. Mais de 80 países ficam sujeitos agora a tarifas de 10% a 12,5%

O Brasil e a China emergem como os maiores perdedores da reforma das tarifas anunciada esta quinta-feira por Donald Trump, cerca de cinco meses após o Supremo Tribunal dos EUA ter declarado ilegal a imposição unilateral de tarifas contra a maioria dos países do globo.

Segundo uma análise da Global Trade Alert, um organismo independente de monitorização do comércio mundial, as tarifas médias reais aplicadas sobre as importações brasileiras sobem de 11% para 17,7%. No caso da China, a percentagem sobe de 25,9% para 27,2%. Outros países da América Latina e da Ásia, como Chile, Colômbia, Coreia do Sul e Japão também viram as tarifas médias subir, mas mais ligeiramente.

Em sentido contrário, uma boa parte dos países europeus vê as tarifas médias cair, ainda que pouco. A tarifa média real cobrada às importações de Itália passou de 11% para 9,4%, enquanto a da Alemanha desceu de 10,8% para 10,3%. Na mesma direção, a do Reino Unido foi de 7,3% para 6,9% e a de Espanha de 10,7% para 9,5%.

A reforma de Donald Trump entrou em vigor esta sexta-feira, o mesmo dia em que a tarifa global temporária de 10% expirou. Mais de 80 países ficam sujeitos agora a tarifas de 10% a 12,5%.

Entre os países sujeitos às tarifas de 10% estão México, Guatemala, Honduras, El Salvador, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Suíça, Reino Unido e os Estados da União Europeia. De acordo com o Representante dos EUA para o Comércio, Jamieson Greer, estes países veem ser aplicada a taxa mais reduzida pois "assumiram o compromisso de adotar e aplicar efetivamente proibições à importação de produtos resultantes de trabalho forçado".

Outros países ficaram sujeitos à taxa de 12,5% por "não adotarem uma proibição da importação de produtos resultantes de trabalho forçado". Neste lote estão o Brasil, China, Japão e Austrália.

As novas tarifas são aplicadas à luz da secção 301 do Trade Act de 1974 que, de acordo com o jornal The Guardian, “permite ao presidente impor tarifas caso o representante comercial dos EUA tenha realizado as investigações necessárias e encontrado provas suficientes de práticas laborais desleais que afetem o comércio americano”.

O recurso a este instrumento legal enquadra-se no esforço de Donald Trump para prosseguir a aplicação de tarifas sem necessitar de aprovação do Congresso.

As novas tarifas surgiram dias após Donald Trump ter imposto taxas de 50% sobre a maioria dos bens importados do Canadá e de 25% sobre produtos brasileiros.