Brasil, União Europeia e outros países defendem soberania e criticam ameaças e uso da força | G1

Além do Brasil, integram o grupo a União Europeia, o Canadá, a Índia e a Austrália, além de outros países.

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Nesta terça, ao discursar na assembleia da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a soberania do Brasil e o processo eleitoral.

“Sustentamos a necessidade de defender e fazer cumprir as normas, os princípios e os compromissos que seguem essenciais à ordem internacional e, ao mesmo tempo, renovar e reformar o sistema multilateral, de modo a torná-lo mais eficaz, representativo, inclusivo e adequado a seus propósitos", diz o documento do grupo.

O texto prossegue: "Reafirmamos nosso compromisso com o direito internacional e com os princípios da igualdade soberana, da integridade territorial, da solução pacífica de controvérsias e da proibição da ameaça ou do uso da força".

Discurso na ONU

Conforme auxiliares de Lula, ao fazer menção à soberania brasileira no discurso na ONU, sem citar o nome do presidente Donald Trump, o petista conseguiu dar um recado à comunidade internacional de que não aceitará ingerência externa no processo eleitoral, classificado por Lula como “moderno e robusto”.

Entre outros pontos, o governo brasileiro vê como tentativas de ingerência americana:

  • o tarifaço sobre produtos brasileiros;
  • a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas;
  • a indicação de um político de direita, e não de um diplomata, para o cargo de embaixador no Brasil.

Para além do cenário no Brasil, diplomatas dizem que ações americanas na região também têm representado violação da soberania interna dos países, como:

  • ação militar americana em Caracas que resultou na prisão do então presidente da Venezuela Nicolás Maduro;
  • ação militar aérea americana que atingiu embarcações na costa da Colômbia;
  • declarações de Trump de que Cuba “é a próxima” quando questionado sobre ações militares americanas no Irã.

Polarização 'preocupa'

Em outro trecho do comunicado, o grupo internacional afirma defender o chamado multilateralismo porque é “indispensável” perseguir os princípios da ONU, entre os quais a paz, a descolonização e a dignidade, num cenário em que causa preocupação a “crescente polarização”.

O grupo acrescenta, então, que é necessário os países cumprirem o direito internacional — diversos países têm criticado o governo de Israel nesse sentido, afirmando que a gestão de Benjamin Netanyahu fere os princípios internacionais em suas ações militares em Gaza.

“Nos preocupam a crescente polarização, a disseminação de conflitos, as violações do direito internacional e o recurso cada vez mais frequente à política do poder, ao protecionismo, à coerção e à ameaça ou ao uso da força", afirma o grupo.

"Essas tendências representam ameaça à paz e à segurança internacionais e prejudicam a cooperação global precisamente no momento em que ela se faz mais necessária do que nunca”, conclui o texto.