Bruxelas diz que acordo comercial UE-EUA travou escalada tarifária

"Doze meses após o acordo alcançado com os Estados Unidos [que se assinala a 27 de julho], podemos afirmar, com verdadeira confiança, que esta abordagem produziu resultados", afirmou Maros Sefcovic, numa declaração à imprensa europeia.

"Escolhemos o diálogo em vez da escalada e a previsibilidade em vez da perturbação", salientou o comissário europeu, garantindo que a UE "continuará atenta à evolução da situação e tomará medidas para defender os seus interesses sempre que necessário".

O comissário recordou que, no primeiro semestre de 2025, o comércio transatlântico atravessou um período de "verdadeira turbulência e instabilidade", levando a Comissão Europeia a negociar com Washington uma declaração conjunta, ao mesmo tempo que preparava medidas de reequilíbrio para o caso de não ser alcançado um acordo.

O entendimento político foi alcançado a 27 de julho de 2025 e formalizado na Declaração Conjunta UE-EUA de agosto do mesmo ano, estabelecendo um quadro para estabilizar e reforçar o comércio e o investimento transatlânticos.

Do lado europeu, o acordo prevê a eliminação dos direitos aduaneiros sobre os produtos industriais importados dos Estados Unidos e um melhor acesso ao mercado da UE para determinados produtos agroalimentares e da pesca norte-americanos.

Em contrapartida, os Estados Unidos comprometeram-se a limitar a 15% as tarifas aplicadas à maioria das exportações europeias.

A implementação dos compromissos europeus já entrou em aplicação na UE, permitindo a eliminação dos direitos aduaneiros sobre as importações de produtos industriais norte-americanos e a melhoria do acesso ao mercado para determinados produtos agroalimentares e da pesca não sensíveis, incluindo a lagosta.

Entre os setores excluídos das tarifas adicionais norte-americanas encontram-se as aeronaves e respetivas peças, os medicamentos genéricos e os seus princípios ativos, segundo a Comissão Europeia.

Nesta declaração à imprensa comunitária, Maros Sefcovic destacou que o acordo permitiu manter estáveis os fluxos comerciais transatlânticos, com as exportações de bens da UE para os Estados Unidos a crescerem 3,5% em 2025, para 555 mil milhões de euros, e as exportações norte-americanas para a UE a aumentarem 5,4%, para 356 mil milhões de euros.

Considerando conjuntamente o comércio de bens e serviços, a diferença entre os dois blocos foi de cerca de 20 mil milhões de euros em 2025, equivalente a aproximadamente 1% do comércio bilateral total.

O comissário europeu da tutela salientou, ainda, a cooperação em matérias-primas críticas, energia, tecnologias digitais, inteligência artificial e semicondutores, bem como o reforço dos investimentos transatlânticos.

Apesar dos progressos, Maros Sefcovic advertiu que o trabalho "ainda não está concluído", defendendo que novos avanços dependerão "do cumprimento dos compromissos assumidos por ambas as partes e da forma como os desafios futuros forem abordados de maneira pragmática e equilibrada".

A UE continua a negociar com Washington possíveis novas reduções tarifárias para produtos europeus e pretende aprofundar a cooperação em matérias-primas críticas, energia, tecnologia digital e cadeias de abastecimento estratégicas.

O comércio de bens e serviços entre a UE e os Estados Unidos atingiu cerca de 1,8 biliões de euros em 2025, numa relação económica sustentada por quase 4,9 biliões de euros de investimento mútuo.

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