Café: estudo robusto aponta número seguro de xícaras por dia para o coração

Café
Café pode estar associado a benefícios cardiovasculares, mas eles variam conforme a quantidade consumida (Stefania Pelfini, La Waziya Photography/Getty Images)

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Para milhões de brasileiros, o café é um ritual diário e, para muitos, indispensável. Mas até que ponto o hábito faz bem ao coração? Uma nova revisão científica da Associação Americana do Coração (AHA), publicada na revista Circulation, analisou as evidências mais recentes sobre a relação entre a bebida e a saúde cardiovascular.

Segundo o documento, para a maioria dos adultos, o consumo moderado da bebida é seguro e ainda pode estar associado a benefícios cardiovasculares, mas eles variam conforme a quantidade consumida, a forma de preparo e até as características de cada pessoa. Também há diferenças importantes entre o café e outras fontes de cafeína, como bebidas energéticas.

Segundo o documento, a ingestão de até 400 miligramas de cafeína por dia, o equivalente a três a cinco xícaras de 240 ml de café preto coado, sem açúcar ou outros aditivos, é considerada segura para a maior parte da população.

Nesse intervalo, os estudos analisados sugerem associação com menor risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e diabetes tipo 2.

“O café faz parte da rotina de milhões de pessoas. As evidências mais recentes mostram que, para a maioria dos adultos, consumir até 400 mg de cafeína por dia não aumenta o risco cardiovascular“, afirmou Gregory M. Marcus, cardiologista da Universidade da Califórnia em São Francisco e coordenador do grupo responsável pelo documento.

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Mas a revisão faz uma distinção importante entre o café e outras fontes de cafeína. Enquanto o consumo moderado da bebida foi associado a desfechos cardiovasculares favoráveis, doses elevadas de cafeína, especialmente as presentes em bebidas energéticas e em produtos concentrados, foram relacionadas a aumento da pressão arterial e maior risco de arritmias cardíacas.

Segundo os autores, energético podem conter entre três e quatro vezes mais cafeína por volume do que o café tradicional, além de ingredientes que aceleram sua absorção pelo organismo.

Café pode proteger o coração?

A resposta ainda exige cautela. Os pesquisadores destacam que boa parte das evidências disponíveis vem de estudos observacionais, que identificam associações, mas não conseguem comprovar uma relação direta de causa e efeito.

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Além disso, o café é uma bebida complexa, rica em compostos bioativos além da cafeína. Substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias presentes nos grãos podem contribuir para os efeitos observados, tornando difícil separar o papel exclusivo da cafeína.

Ainda assim, a revisão aponta alguns padrões consistentes:

  • consumir entre duas e quatro xícaras por dia foi associado a menor risco de doença cardíaca, insuficiência cardíaca e AVC;
  • o consumo de uma a três xícaras diárias não aumentou o risco de fibrilação atrial, um dos tipos mais comuns de arritmia;
  • por outro lado, essa mesma quantidade pode estar relacionada a um aumento de extrassístoles ventriculares, batimentos cardíacos prematuros que, na maioria das pessoas saudáveis, costumam ser benignos.

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Além disso, nem todo café apresenta o mesmo perfil. A declaração destaca que o cafestol, composto naturalmente presente nos grãos, pode elevar os níveis do colesterol LDL, o chamado colesterol “ruim”.

Esse composto é encontrado principalmente em métodos de preparo sem filtro de papel, como café expresso, prensa francesa, café turco e café fervido. Já o café filtrado e o instantâneo praticamente eliminam essa substância durante o preparo.

Embora o limite de 400 mg de cafeína seja considerado seguro para a maioria dos adultos, os pesquisadores ressaltam que não existe uma recomendação universal. A resposta à cafeína varia conforme fatores como genética, idade, doenças pré-existentes, medicamentos em uso e velocidade do metabolismo.

Em algumas pessoas, mesmo quantidades moderadas podem provocar palpitações, aumento temporário da pressão arterial, ansiedade ou dificuldade para dormir. “Uma quantidade considerada razoável para uma pessoa pode causar efeitos indesejáveis em outra. Por isso, é importante observar como o próprio organismo reage e discutir o consumo de cafeína com um profissional de saúde quando houver dúvidas”, afirmou Marcus.

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