Cancro da pele. Do protetor só no verão aos solários, 10 mitos explicados

Será que só deve usar protetor solar no verão? Nos dias nublados não é preciso? Os solários são uma forma segura de bronzear? Estas são questões que afetam a pele e estão diretamente ligadas ao cancro da pele. Tal como estes, existem outros mitos que se torna importante esclarecer nesta altura do ano, em que acaba por estar com a pele mais exposta.

O Lifestyle ao Minuto falou com a dermatologista Maria Goreti Catorze, também secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, para perceber melhor alguns dos mitos mais comuns sobre esta doença.

Um dos mais comuns relaciona-se com o facto de muitas pessoas apenas usarem proteção durante o verão e em dias de sol. Será suficiente para evitar o risco de vir a ter cancro de pele?

“Os raios ultravioleta atravessam as nuvens e continuam a atingir a pele mesmo quando o sol não está visível. Por isso, a proteção solar deve ser mantida todos os dias”, revela a especialista.

  Notícias ao Minuto Maria Goreti Catorze é dermatologista e secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia© Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia 
Há quem também acredite que esta é uma doença que afeta apenas os mais velhos. Será que é bem assim? "O melanoma, em particular, pode aparecer em adultos jovens e, mais raramente, em adolescentes. Isto significa que, embora o aparecimento possa ser mais tardio, o risco começa a construir-se cedo."

10 mitos sobre cancro da pele

Mito 1 - Se não tiver uma rotina de atividades ao ar livre, não se corre o risco de cancro da pele

A explicação: Não. O risco não depende apenas de passar muitas horas na praia ou a praticar desporto ao ar livre. A exposição solar pode ser intermitente ou cumulativa, ocorrendo no dia a dia, em pequenas deslocações ou outras atividades habituais. Além disso, existem outros fatores de risco, como predisposição genética, história pessoal ou familiar, imunossupressão e determinadas características da pele. Importa ainda recordar que grande parte do dano solar relevante ocorre em idades precoces, sobretudo até aos 25 anos, embora o cancro da pele surja muitas vezes apenas mais tarde, frequentemente após os 50 anos.

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Mito 2 -  Pessoas que bronzeiam facilmente têm baixo risco de cancro da pele

A explicação: Têm, em geral, um risco mais baixo, mas não nulo. A capacidade de bronzear está relacionada com o fotótipo cutâneo, e quem tem fotótipos mais elevados dispõe de alguma proteção natural acrescida. Ainda assim, isso não significa imunidade total. Mesmo pessoas que bronzeiam facilmente ou têm pele mais escura podem desenvolver cancro da pele e devem adotar medidas de fotoproteção.

Mito 3 - Cancro da pele só afeta os mais velhos

A explicação: Embora seja mais frequente em idades mais avançadas, porque resulta muitas vezes de dano solar acumulado ao longo da vida, também pode surgir em pessoas jovens. O melanoma, em particular, pode aparecer em adultos jovens e, mais raramente, em adolescentes. Isto significa que, embora o aparecimento possa ser mais tardio, o risco começa a construir-se cedo.

Mito 4 - Não é necessário usar protetor solar em dias nublados

A explicação: É falso. Os raios ultravioleta atravessam as nuvens e continuam a atingir a pele mesmo quando o sol não está visível. Por isso, a proteção solar deve ser mantida todos os dias, também em dias nublados, e sobretudo quando há exposição prolongada ao exterior.

Mito 5 - Só existe um tipo de cancro da pele

A explicação: Não. Existem vários tipos de cancro da pele. Os principais são o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. Os dois primeiros são mais frequentes e, em regra, menos agressivos. O melanoma é menos comum, mas é o mais temido pela sua maior capacidade de disseminação para outros órgãos se não for diagnosticado precoce e adequadamente.

Mito 6 - Os primeiros sintomas de cancro de pele são muito evidentes e é fácil de detetar

A explicação: Nem sempre. Algumas lesões são muito discretas e podem passar despercebidas. No caso do melanoma, pode haver alterações num sinal já existente ou o aparecimento de uma nova lesão com mudança de cor, forma, tamanho ou relevo. Nos carcinomas, podem surgir crostas persistentes, feridas que não cicatrizam ou pequenas lesões que sangram com facilidade. Nem tudo é óbvio numa fase inicial, por isso a observação regular da pele é muito importante.

Mito 7 - Se usar protetor solar, nunca irá correr o risco de vir a ter cancro da pele

A explicação: Não. O protetor solar reduz o risco, mas não o elimina. Deve ser visto como parte de uma estratégia mais ampla de fotoproteção, que inclui evitar a exposição nas horas de maior intensidade de radiação ultravioleta, usar chapéu, roupa adequada e óculos escuros. Além disso, há fatores individuais, como a genética e o tipo de pele, que também influenciam o risco.

Mito 8 - Os solários são uma forma segura de bronzear

A explicação: Os solários não são seguros. Emitem radiação ultravioleta artificial, que está associada a um aumento do risco de melanoma e de outros cancros cutâneos. Esse risco é particularmente preocupante quando a utilização começa em idades jovens. O bronzeamento artificial não é uma alternativa segura ao sol. Pelo contrário, é um risco que deve ser evitado totalmente. 

Mito 9 - O cancro da pele só ocorre em zonas expostas ao sol

A explicação: Embora seja mais frequente em áreas fotoexpostas, como face, couro cabeludo, orelhas, pescoço e mãos, o cancro da pele também pode surgir em zonas menos expostas ou até habitualmente protegidas do sol. Por exemplo, o melanoma maligno surge sobretudo em áreas do corpo protegidas no inverno, mas expostas no verão (exposição intermitente). No caso do melanoma, pode também aparecer, por exemplo, nas plantas dos pés, nas unhas, em mucosas e noutras localizações menos esperadas.

Mito 10 - O melanoma aparece apenas na pele

A explicação: Embora a grande maioria dos melanomas seja cutânea, também pode surgir em mucosas e nos olhos. São formas mais raras, mas existem. Por isso, quando falamos de melanoma, não falamos exclusivamente de pele, embora essa seja a localização mais comum.

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Quando se fala em cancro da pele, a maioria das pessoas pensa num sinal escuro que muda de aspeto. No entanto, especialistas alertam que uma ferida que não cicatriza, uma mancha rosada ou uma área com crosta persistente também podem ser sinais de alerta importantes.

Mariline Direito Rodrigues | 14:12 - 23/06/2026