Capivaras parecem dóceis, mas proximidade exige cuidados; veja dicas

É o bicho!

Capivaras são comuns no DF, mas exigem distância e cuidados. Bióloga explica como evitar acidentes e interagir com segurança

22/08/2026 02:00

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Capivaras parecem dóceis, mas proximidade exige cuidados; veja dicas

Em Brasília (DF), as capivaras já são quase que parte natural das áreas de lazer, especialmente nas proximidades do Lago Paranoá. Apesar da aparência tranquila — e até fofa, no caso dos filhotes — a presença desses animais exige alguns cuidados dos frequentadores para evitar acidentes e reduzir riscos de contato com carrapatos.

Ao Metrópoles, a bióloga Morgana Bruno explica que a espécie tem grande capacidade de adaptação e encontra nos ambientes urbanos condições favoráveis, como água abundante, gramados extensos e pouca presença de predadores.

Foto colorida de capivaras no Lago Paranoá
É muito comum ver capivaras no Lago Paranoá

“Em espaços alterados como a orla do Lago Paranoá e os parques urbanos de Brasília, a preferência por áreas com gramados permanentemente aparados e solarizadas não se deve apenas à oferta de alimento e à ausência de predador, mas também ao fato de encontrarem ali uma menor quantidade de carrapatos, dos quais os animais tentam se livrar”, afirma.

Lembre-se: são animais!

Embora normalmente convivam de forma pacífica com outros animais, as capivaras podem reagir quando se sentem ameaçadas. Assim, situações de estresse, disputa territorial ou proteção dos filhotes podem provocar comportamentos defensivos.

A recomendação, segundo a especialista, é manter pelo menos dez metros de distância dos animais, evitar atravessar o caminho de um grupo e nunca ficar entre uma mãe e seu filhote.

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“A aproximação de cães frequentemente provoca ataques, gerando um risco de ferimentos graves e lacerações por mordidas devido aos dentes incisivos afiados das capivaras”, complementa sobre o cuidado com pets.

O que tem se observado é maior visibilidade dos animais, sobretudo nas áreas próximas ao Lago Paranoá

Risco silencioso

Um dos principais cuidados está relacionado ao carrapato-estrela, vetor da bactéria causadora da febre maculosa. Nesse cenário, as mamíferas também têm papel importante no monitoramento da doença.

“Longe de serem apenas transmissoras, as capivaras funcionam como um termômetro biológico essencial para a segurança dos frequentadores de parques urbanos.”

O risco para as pessoas ocorre principalmente pelo contato com áreas de vegetação onde há carrapatos. A orientação é usar calçados fechados e calças compridas, aplicar repelentes com DEET ou icaridina e verificar o corpo a cada duas horas após permanecer em áreas de risco. 

Também é recomendado evitar sentar diretamente na grama, optando por toalhas mais grossas ou cadeiras.

Foto colorida de carrapato-estrela
A espécie é o principal vetor da febre maculosa

Não dê alimento

Morgana ressalta que outro cuidado fundamental é não alimentar os animais. De acordo com a bióloga, que coordena o Projeto Capivaras DF, oferecer comida pode alterar o comportamento natural delas, fazendo com que associem a presença humana à obtenção de alimento.

Por último, a recomendação geral é deixá-las em seu ambiente sem qualquer interferência.

“Caso encontre uma capivara ferida, o cidadão deve entrar em contato imediatamente com o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) ou com o Ibram. Nunca tente tocar, resgatar ou mover o animal por conta própria”, conclui a coordenadora de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília (UCB).