Juca Kfouri: Caras e nomes

POR LUIZ GUILHERME PIVA

1.
O ex-goleiro Júlio César e o árbitro Rafael Klein não são a mesma pessoa.

Tampouco o são o técnico Paulo Autuori e o ator Miguel Falabella.

Isso é óbvio. Só alguém afeito a teorias da conspiração imaginaria que o fossem.

Mas o que ninguém sabe e eu vou lhes revelar em primeira mão (mas é segredo, ok?, que fique entre nós) é que eles trocam de lugar várias vezes sem avisar a ninguém.

Por exemplo, no 7 x 1, quem vocês acham que estava no gol da seleção brasileira?

E quem marcou o pênalti de Calegari em Bruno Henrique aos 40 minutos do segundo tempo na vitória do Flamengo sobre o Fluminense por 1 X 0 no Campeonato Brasileiro de 2024?

E mais: quem estava no banco do Cruzeiro na derrota por 4 X 0 para o Atlético no primeiro jogo da decisão do Campeonato Mineiro de 2007?

Por fim, qual dupla interpretava os irmãos gêmeos José Luís e Arnaldo na novela Mico Preto, de 1990?

Hein? Hein?

Agora que já os alertei, treinem o olhar e tentem identificar as pessoas corretas nos próximos jogos.

Ou nos próximos capítulos.

Mas não contem para ninguém.

2.
É normal surgirem jogadores com o mesmo nome.

Há alguns mais comuns, como Zé Carlos, Juninho, Ademir, Toninho e Edu, distribuídos entre famosos e desconhecidos e entre craques e outros, digamos, nem tanto.

E há casos mais raros, como Palhinha e Paulo Isidoro: cada um deles nomeia dois jogadores famosos e de muito bom nível.

Ainda mais raros são os casos de homônimos com grande diferença técnica entre si, como os dois chamados Tostão e os dois chamados Careca.

Mas o caso mais intrigante são os Mirandinhas. Não é simples identificá-los apenas pela memória.

São três. Todos centroavantes, todos com estilo de jogo e tipo físico parecidos e todos jogaram, em diferentes épocas, pelo Corinthians - embora tenham se destacado também em outros times.

Tem quem diga que os três são, na verdade, o mesmo jogador, cuja carreira foi a mais longeva já conhecida, com pelo menos trinta anos de duração, entre 1970 e 2000.

São aqueles conspiracionistas que citei acima. Não acreditem neles.

A verdade, que vou lhes contar agora, em segredo, é que eram mais de vinte Mirandinhas (na minha última contagem, registrei 23), recrutados pelo estilo de jogo e pelo tipo físico, que se alternaram em campo ao longo de todo esse período e combinaram de se agrupar naqueles três personagens.

Por quê?

Ora, ora.

Para enganar os conspiracionistas!
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Luiz Guilherme Piva publicou "Eram todos camisa dez" e "A vida pela bola" - ambos pela Editora Iluminuras