Para o líder do PS, "de tudo quanto disse" o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que respondeu, por videoconferência, a perguntas feitas pelos participantes na Universidade de Verão do PSD, na quinta-feira, "o importante foi dizer que nesta legislatura não avançará com a reforma da Segurança Social".
"E, para mim, que tinha pedido uma palavra pública do primeiro-ministro, foi importante a palavra pública do primeiro-ministro de que, nesta legislatura, não avança com essa reforma", afirmou o secretário-geral do PS aos jornalistas, na Barragem do Alqueva, no Alentejo.
O líder do PSD e primeiro-ministro desejou que seja possível "um entendimento nacional" antes das próximas eleições quanto a alterações estruturais na Segurança Social e reiterou o compromisso de não fazer qualquer alteração na atual legislatura nesta área.
"O facto de o primeiro-ministro ter dito que nesta legislatura não [avança com reformas] corresponde a uma garantia que eu próprio tinha pedido, nomeadamente em relação ao modo como iríamos olhar para a proposta do Orçamento do Estado. E isso em si é positivo", vincou José Luís Carneiro.
Ainda assim, existe "um contrassenso" entre estas palavras e aquilo que "está a dizer a comissária europeia indicada por Portugal", Maria Luís Albuquerque, apontou o líder do PS, defendendo que "é preciso saber, afinal, qual é a posição do Governo sobre esta matéria".
"Chamo a atenção que foi o Governo que encomendou o estudo [sobre a Segurança Social] e também é quem o Governo português indicou para representar Portugal na Comissão Europeia que tem uma proposta que abre as portas à privatização da Segurança Social", alertou.
Nesta deslocação ao Alqueva, no concelho de Portel, distrito de Évora, no âmbito da "Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça" que tem estado a realizar pelo país e que termina hoje no Algarve, o líder do PS foi acompanhado pelos antigos ministros da Saúde, Marta Temido, e da Agricultura, Luís Capoulas Santos, assim como por responsáveis regionais.
Em declarações aos jornalistas, a antiga ministra Marta Temido, atual eurodeputada e líder da delegação dos eurodeputados do PS no Parlamento Europeu, também aludiu a "uma dissonância, nos últimos dias", entre as palavras do primeiro-ministro e de Maria Luís Albuquerque.
Luís Montenegro refere que "o sistema de reforma das pensões não está em causa, não vai avançar nesta legislatura", referiu a eurodeputada socialista.
Mas, por outro, criticou, existem "declarações da comissária Maria Luís Albuquerque, enquanto comissária para a União das Poupanças e Investimentos, a dizer que o modelo que vem refletido no estudo de Jorge Bravo é exatamente o modelo que a União Europeia, alguma União Europeia, defende e que é um roteiro".
A privatização das pensões, a avançar, deixará "em risco tudo aquilo que é lógica de solidariedade e de partilha do risco destes modelos", alertou.
E isto "apenas com o objetivo de criar capitalização para investimentos europeus, que nós percebemos, mas entendemos que deve ser feito por outro caminho", defendeu, argumentando que "quem vive do seu trabalho tem a legítima expectativa de ter, no final da sua carreira contributiva, uma pensão na qual possa confiar".
Questionado ainda pelos jornalistas sobre a manchete de hoje do Jornal Sol, que titula que "Seguro deu prazo a Montenegro para resolver 'caso' Luís Neves", o secretário-geral do PS referiu que já "disse sobre essa matéria" do ministro da Administração Interna "tudo o que deve ser dito por um líder da oposição".
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