Casa Pia x Benfica. "Sete golos, todos legais."

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Está no ar mais um Sem Falta, da Rádio Observador. No fecho da segunda jornada do campeonato, acompanhámos por aqui o Casa Pia zero, Benfica sete. Jogo com muitos gols, apitado por João Pinheiro. Pedro Henriques, bem-vindo mais uma vez. Boa noite. Um jogo também com muitos gols e com muitos lances. Logo a começar, ao minuto 11, queixavam-se de um alegado pênalti sobre Henrique Araújo, os homens do Casa Pia, lance na área do Benfica. Resta saber se escapou aqui alguma coisa a João Pinheiro.

Para mim, tudo correto, isto é, sem pênalti, mas também sem imagens ou repetições em mínimas condições para que eu possa dizer, de certeza absoluta, que a queda do Henrique Araújo na área do Benfica foi sem qualquer infração. No lance com o Langlet, fica a ideia, aquela péssima repetição que deram por trás da baliza, em que se apanha já a parte final, que não parece que o Langlet agarra, obstrui ou bloqueia o avançado do Casa Pia, portanto, vou dar como boa a decisão de não haver pênalti nesse lance.

Temos depois, ao minuto 14, o segundo gol do Benfica. Tudo legal com este lance, Pedro.

Sim, dois momentos de análise: a recuperação da bola, que foi feita por Rafa Silva, que interceptou e tirou a esférica ao Rochinha, esticando o pé direito, e depois a bola sobe para o Pavlidis. O Pavlidis assiste o Rafa, que finaliza. E aqui era a questão do fora de jogo, que não está em fora de jogo por 99 centímetros, portanto, quase um metro, tudo legal, sem fora de jogo e sem falta na recuperação de bola.

Ao minuto 24, na tua opinião, faltou amarelo para um jogador do Casa Pia, neste caso foi Gabi, que devia, na tua opinião, Pedro, ter sido castigado com amarelo.

Sim, e é muito evidente com a repetição. Entra em tackle deslizante para recuperar a bola, toca na bola, mas quase em simultâneo acerta de sola e com os pitões do pé esquerdo do Gabi, na parte interior do tornozelo direito do Sudakov. Portanto, era livre direto e cartão amarelo, o árbitro não mostrou nada. O árbitro interrompeu o jogo porque viu o jogador lá no chão, depois recomeçou com bola sob. Além da falta, que é muito clara e evidente, o amarelo. Aliás, a minha dúvida foi se aquilo era só amarelo ou era mais. Portanto, ficou aqui claramente um cartão amarelo por mostrar e digamos que é, de natureza disciplinar, um primeiro erro.

Temos depois, ao minuto 44, ainda na primeira parte, na tua opinião, uma falta por assinalar sobre Prieto, à entrada da área dos encarnados, Pedro, e um lance aqui que poderia, de alguma forma, ter trazido cartão, poderia também ser perigoso para a baliza do Benfica.

Sim, é suscetível de ser perigoso, porque havia ali muitos jogadores do Benfica. E isto é também para perceberem por que depois vou dar uma nota, porque tem a ver com algumas falhas a nível de faltas não assinaladas e de cartões não mostrados. E aqui é um exemplo muito típico, porque é o Langlet que atropela claramente o Kevin Prieto, e derruba, pelo menos o livre direto. O cartão amarelo, embora a entrada da área na zona do vértice, poderíamos falar, é uma zona já de algum perigo, mas não era propriamente uma jogada de ataque promissor. E por isso, pelo menos o livre direto tinha que ser assinalado.

Temos depois, Pedro, ao minuto 45, também na primeira parte, um lance com Mbá na área do Casa Pia, em que reclamou o jogador do Benfica uma eventual falta, um eventual pênalti. Aqui também tudo legal, na tua opinião.

Tudo legal. É o Lorenç Ofori que tem a posição ganha e o Mbá quando faz a finta, quando faz o drible, acaba por chocar contra o médio ganês do Casa Pia. E em nenhum momento o Ofori rasteira ou faz a obstrução com contato. Ao nível dos braços, que é outra questão que também tem que se colocar, é que quando paramos e fazemos a fotografia do lance, ambos os jogadores estão a usar mutuamente o braço um sobre o outro. E como eu tenho vindo aqui a dizer, sempre que jogadores adversários, neste caso, usam o braço um sobre o outro, não há faltas que se marquem, porque o árbitro deixa sempre seguir. Portanto, mais importante, sem pênalti.

Temos depois, Pedro, ao minuto 45, e a fechar os lances da primeira parte, na verdade, não é um lance, é mais uma vez a opção do árbitro em dar um minuto de tempo extra.

Pronto, eu vou bater um bocadinho mais nisto. E quando digo bater não é por bater, é para realçar algo que é, em primeiro lugar-

É reforçar, digamos assim.

Reforçar. Em primeiro lugar, não tive qualquer informação ao nível da federação para saber se houve instruções dadas às equipas de arbitragem no sentido de fazerem a redução dos tempos adicionais na primeira parte, sobretudo onde se torna mais evidente, que é no final da segunda parte. Fica a aguardar. O ano passado, por esta altura, já tinha tido há três semanas ou coisa do gênero, fica a aguardar. Pode ser que lá para o Natal a coisa se resolva. Para as pessoas perceberem que quem comunica e quem no fundo faz as análises aos casos, e estou a falar da comunicação social em geral, tem que, para além dos árbitros e para além dos clubes, tem que também saber, porque no fundo somos nós que estamos todos os dias a fazer a análise e podemos fazer uma análise mais correta, mais adequada e se calhar até mais favorável àquilo que são as decisões das equipas de arbitragem, se nós próprios também tivermos conhecimento daquilo que são as linhas condutoras. Estar a dizer isso para os árbitros é bom, porque os árbitros assim efetivamente fazem o que têm a fazer, mas depois se os adeptos não perceberem, e os adeptos percebem também através de nós, que comunicamos a nível das rádios, televisões, etc. E portanto, fica a aguardar. De qualquer maneira, independentemente da possível redução de tempo que queiram, um minuto de tempo extra foi pouco e por uma razão muito simples: só o tempo que o Sudakov esteve a ser assistido no campo passou largamente esse minuto. Depois, se acrescentarmos os dois gols com a respectiva comemoração, conforme diz a Lei 7, tínhamos aqui, pelo menos, que dar três minutos, mas só o Sudakov e a assistência que teve esgotou esse minuto que foi dado e que foi escasso.

Estão analisados os lances da primeira parte. Logo ao minuto 47, na segunda parte, mais um gol do Benfica, o terceiro apontado por Vangelis Pavlidis, assistência de Rafa. E aqui, Pedro, resta saber se está tudo legal, se tudo dentro dos conformes com este terceiro gol do Benfica.

Terceiro gol do Benfica, também de forma clara, não há qualquer infração àquilo que seria a lei de fora de jogo Porque o passe é do Rafa Silva para o Pavlídis. Ele aparece tão de repente na cara do guarda-redes que ficava aquela ideia que poderia ter havido fora de jogo. Mas é muito claro, nem foi preciso pôr linhas. Está legal no que diz respeito a esse momento do passe do Rafa Silva para o Pavlídis. É muito mais do que dois jogadores entre a linha de baliza e, portanto, tudo certo.

E ao minuto 65 já o resultado estava fechado em sete a zero, mas ainda o Benfica tentava importunar a equipa do Casa Pia. Scheldrup na área dos Gansos acabou por cair, reclamar um pênalti. Resta saber se havia motivos para o castigo máximo.

Sim, foi erro meu, esqueci de colocar na nossa listinha o cartão amarelo ao Sebastian Pérez, que acaba por, sem bola, ter uma entrada também completamente negligente e fora a tempo sobre o seu adversário. Ao minuto 65, sem pênalti. É um lance um pouquinho mais discutível. Nas costas aparece, a ver se eu consigo dizer, o Osundina, o Korede Osundina, que está por trás, mas que primeiro carga e rasteira sobre o avançado noreguês não houve. Há um ligeiro, pequeno, e eu vou dizer inconsequente toque nas costas com a mão e é por isso que o Scheldrup acaba por, se calhar, no entender dele, cair e devia ser pênalti, que ele ficou a reclamar. Mas aquele toque que nós vemos nas repetições é tão inconsequente e tão ligeiro que não parece que tenha a ver com a queda. Ou seja, eu diria que o Scheldrup ao sentir aquele toque, deixou-se cair. Portanto, para mim, sem motivo para pênalti.

Temos depois, ao minuto 68, um pisão sobre Manu, que ficou tocado. Aqui na tua opinião, Pedro, ficou por marcar uma falta, por mostrar um amarelo? Do que é que se trata?

Não, aqui a questão da falta é sempre aquela questão que mesmo sem querer, quando pisas alguém, tens que marcar a falta. Aqui a questão era, sobretudo, se esse pisão era para cartão amarelo. Se parares a imagem, fica ali a ideia de um momento de pisão no calcanhar e dizemos que isto é pena negligência. Mas se virmos depois em movimento normal, por ser que é importante, o Alassane Jatta, que vai a correr e que acaba por dar o tal toque de pé direito no calcanhar esquerdo do Manu, o Manu na corrida é que abre o seu pé esquerdo. Ou seja, não é propriamente o Jatta que vai na corrida e que pisa, é a maneira como o Manu vai a correr e abre a sua perna esquerda para fora, que leva também àquele momento em que o Jatta tem que apoiar o pé no solo e pisar. Portanto, eu diria que naquilo que é o mais importante para mim, chamamos a isto imprudência, e imprudência nas leis de jogo não tem cartão amarelo, só a negligência é que tem. E por isso, boa decisão, no meu ponto de vista, que o árbitro, na ocasião, não mostrou o cartão amarelo.

Temos depois, ao minuto 78, um lance que na tua opinião teria merecido falta sobre o Prestianni, falta que não foi assinalada no lance que poderia ter sido perigoso, Pedro?

A questão aqui é porque, para justificar um pouquinho também a nota que eu vou dar e aquilo que eu vou dizer, é que ficaram várias faltas por assinalar. Eu sei que os árbitros terão tido indicações que vêm já do mundial, do deixar jogar, por via do contato físico, mas isso não pode ser em situações que haja falta. Aqui, o David de Sousa com ambas as mãos agarra e puxa pelos ombros claramente o Prestianni. Ele até se desinteressa de jogar, porque ele não consegue progredir. É mesmo à frente do árbitro assistente. Tenho a ideia que provavelmente os árbitros assistentes também terão tido aqui algumas instruções no sentido de preocuparem-se mais com o fora de jogo do que propriamente com esse tipo de lances, mas ficou um livre direto por assinalar. Não seria cartão amarelo, embora fosse ali um ataque por corredor direito, porque digamos que não vai na direção da baliza e nem vai na direção da área. De qualquer maneira, era uma falta tão clara e tão evidente, que não é daqueles só de pequenos contactos. É alguém que está a agarrar e a puxar o outro e a impedir a progressão, que eu quis chamar a atenção aqui também como uma falta que ficou por assinalar.

Temos depois, no minuto seguinte, ao minuto 79, um amarelo para Cali, acabado de entrar na equipa do Casa Pia. Vê logo o primeiro cartão. Vai ser importante porque depois vai haver um segundo, mas o primeiro, tudo legal, Pedro?

Sim, tudo legal no que diz respeito ao cartão amarelo bem mostrado, que ali aborda o lance, estica a sua perna esquerda e a bola não está jogável, isto é, não está ali, já está bem afastada. Dantes, para a lei era dois a três metros, isso já saiu da lei. Mas é importante percebermos que para que tu estiques uma perna, para que tu tentes chegar à bola, é preciso que a bola lá esteja para o fazeres. Quando isso não acontece, chamamos a isso uma entrada fora tempo, sem bola, e estas entradas fora tempo, sem bola, normalmente, e neste caso até pisou o pé direito do João Duran e com o corpo carregou e derrubou o avançado colombiano. Portanto, entrada fora a tempo, sem bola, com pisão inclusivamente negligente e por isso bem mostrado o cartão amarelo, que foi o primeiro que o Cali viu.

E temos ao minuto 86, um amarelo que, na tua opinião, devia ter saído do bolso de João Pinheiro para ser mostrado a Richard Rios.

Sim, o Richard Rios faz falta por trás sobre o Lorenço Afori quando ele vai a fazer uma transição e, portanto, o objetivo parar e destruir a saída em contra-ataque, é chamada falta tática e esta não há dúvidas nenhumas que era mesmo para cartão amarelo.

Temos depois, Pedro, quase no final dos lances, ainda dois lances para analisar. Ao minuto 90, o tempo extra que voltou à medida da primeira parte a ser muitíssimo curto, apenas dois minutos.

Certo, e aqui vamos lá ver uma coisa. Já nem vou à questão das substituições, porque mesmo que eles tenham aquela ideia que agora cada substituição demora 10 segundos, que na prática não é verdade, já tinha falado isso no direto, é rara a substituição que não demore no processo todo 30 segundos. Embora os árbitros agora façam a tal contagem para que o jogador que saia são 10 segundos, na prática são no mínimo 30 segundos. E tivemos seis paragens onde entraram 10 jogadores e portanto percebemos que algumas dessas substituições, que foram triplas, portanto demoram muito mais que 10 segundos, porque é 10 segundos para cada uma vez que se levanta a placa. Neste caso concreto, só depois de se levantar a última placa, quando é mais que uma substituição, é que começa a contar digamos os 10 segundos. Mas para além deste aspeto, foram marcados cinco gols e em tempo regulamentar ainda tivemos dois cartões amarelos, porque a expulsão já foi depois do minuto 90. Isto para dizer o quê? Para dizer que com cinco gols, em que a comemoração dos gols tem que ser tida em consideração, com dois cartões amarelos e ainda por cima com seis paragens para substituições, dois minutos é escasso. Dir-me-ão assim: "Mas o jogo está resolvido, está sete a zero, quem ganha está feliz, quem perde quer ir para casa rapidamente." Certo, mas eu relembro que isto se fosse uma Taça de Portugal, quem passava, quem estava eliminado, tudo ok. Mas isto é uma competição Em que, para além de haver prêmio para o melhor marcador, todos os tempos e todos os gols contam, mas isso não é o mais importante, as subidas, as descidas, ou seja, a classificação também é definida por gols marcados, gols sofridos e as suas diferenças. E todos os anos andamos muitas vezes na fase final a discutir exatamente isso. Atenção que não é o primeiro fator, porque o primeiro fator é a relação entre-

É o confronto direto.

O árbitro não pode dar só dois minutos porque o resultado está resolvido. Isto é algo que está a acontecer sistematicamente e, no meu ponto de vista, eu vou continuar a criticar.

Temos, para fechar, a analisar os lances deste encontro entre Casa Pia e Benfica, que terminou com vitória encarnada sete a zero e antes de conhecermos a nota que merece a equipe liderada por João Pinheiro, temos já o minuto 90 mais dois, o segundo amarelo para Cali, que acredito, Pedro, tenha sido bem mostrado, até porque Prestianni saiu a sangrar do lance.

Exatamente. Claro que isso é a consequência. A consequência também passou a fazer parte da análise que os árbitros fazem, uma perna partida, um jogador que sai a sangrar e, portanto, isso também acaba, porque por vezes, os árbitros podem não ter a percepção, eu não estou a falar do VAR, mas o árbitro em campo pode às vezes não ter a percepção total do lance e ver um jogador que de repente fica com uma lesão grave ou fica a sangrar, dá-lhe uma dimensão maior da consequência que pode ter havido na maneira como esse jogador abordou. Neste caso concreto, mesmo com sangue ou sem sangue, era sempre cartão amarelo, porque o Cali acaba por esticar o seu braço esquerdo, abriu, claramente, e foi deliberado o gesto que faz com a mão. Não é aquela situação de, numa rotação, no equilíbrio, tocar na cara do adversário. Não. Abre o braço esquerdo e acerta em cheio na cara do Prestianni com a mão, com o gesto, com o movimento deliberado nesse sentido. E portanto, para além da falta em si, da entrada, que é negligente, temos a atitude, que é uma atitude completamente incorreta, antidesportiva. E por isso o cartão amarelo, e o árbitro estava perto e muito bem a mostrar o segundo cartão amarelo e o consequente vermelho.

Estão analisados os lances deste encontro. Resta saber que nota merece a equipe de arbitragem hoje liderada por João Pinheiro nesta vitória do Benfica, sendo que não houve muitos lances complicados, Pedro. Ainda assim, várias falhas em várias ações que podem comprometer a nota. Vamos à tua análise.

Vou dar nota seis e é por isso que baixo a nota ao João Pinheiro, porque para já o João Pinheiro tem uma qualidade intrínseca que é muito forjada na sua experiência e na sua competência. E eu estou sempre à espera, não sou mais rigoroso em relação aos outros árbitros, mas sou rigoroso neste aspecto, que é estar sempre à espera de alguém de nível muito elevado, que acaba de vir do mundial, que é um árbitro top. Estou sempre à espera que pequenas e grandes falhas não existam. O que eu posso dizer? Que é uma arbitragem positiva, mas com falhas, sobretudo naquilo que são situações relacionadas com cartão amarelo e com a questão de faltas. Houve aqui faltas que ficaram por assinalar, houve cartões amarelos que ficaram por mostrar e a questão do tempo extra, mas isso parece que é uma bitola já habitual de todos os árbitros neste momento, nas primeiras duas jornadas. Agora, obviamente que é positivo, porque acertou no essencial, dentro das áreas, os sete gols todos legais e a expulsão do Cali, por acumulação de cartões amarelos, naquilo que diz respeito aos dois cartões amarelos, foram claramente bem mostrados. E por isso vou dar uma nota positiva, porque é claramente positivo, a arbitragem do João Pinheiro, mas uma nota seis. Queria um pouquinho mais e estou sempre à espera de mais. Para mim, continua a ser um dos melhores árbitros em Portugal, junto muito com o Luís Godinho, mas para mim são os dois melhores árbitros a atuar neste momento em Portugal.

Pedro Henriques, não sei se queres também, para fazer aqui uma nota final, comentar o estado do relvado em Rio Maior, porque embora não seja propriamente uma questão que diga respeito aos árbitros, tem influência na gestão disciplinar e é também um tema de proteção dos jogadores, que é também uma das missões deles.

Nós já fomos aqui abordando, até nos nossos espaços, como é o caso do "Campeão", temos vindo a falar e o próprio Gabriel Alves hoje voltou a falar também no relatório que fez, e fomos falando ao longo, no princípio do jogo, etc. Não se trata do relvado não estar em condições para o jogo, porque obviamente, se não tivesse, não havia jogo. É a questão da qualidade dos relvados que, assim que começa o jogo e passado às vezes não muitos minutos, percebe-se que começa a criar grandes dificuldades aos jogadores. Tivemos até na Supertaça uma lesão do central do Porto. Enfim, temos tido aqui alguns jogadores a escorregar, vê-se muitas vezes jogadores a escorregar, tufos de relva a levantar e percebemos claramente que até para a própria atração dos jogadores ao jogo. Tem sempre aqui dois aspectos. Um é a qualidade do jogo propriamente dito, a parte técnica, que fica sempre afetada e prejudicada. Temos sempre aquela ideia de dizer que quem constrói e quem tem mais posse de bola e quem é melhor tecnicamente, sai mais prejudicado. Na prática, são as duas equipes prejudicadas. E depois é a questão, sobretudo, que é mais preocupante, que é as consequências e as lesões. Às vezes tu podes até nem sair lesionado, mas o reflexo que isso tem em termos da tua carga muscular, da carga física que pôs nos músculos, o tempo que vais necessitar de recuperação, às vezes não é a lesão propriamente dita, mas dores musculares que advêm muitas vezes do esforço que tu tens que fazer suplementar para teres a tal atração. Enfim, e às vezes até pequenas lesões, contraturas, lesões de esforço, mialgias, enfim, pequenas coisas que às vezes advêm e que no acumular de uma época faz toda a diferença. Portanto, se pensares que vais fazer 34 jogos, mais não sei quantos de Taça, mais competições internacionais, percebes claramente a importância do relvado. Além disso, para vendermos o nosso produto, e procuramos isso, e andamos a discutir centralização dos direitos e a promover o futebol para tentar também ganharmos dinheiro na venda do nosso campeonato, naturalmente que os estádios estarem cheios ou vazios, como aconteceu ontem no jogo de Vila do Conde, em que só tem uma bancada a funcionar e que o resto está todo despido, quer dizer, isto não vende, pelo menos poderiam pôr a câmera do lado contrário para se ver a bancada principal. Portanto, são estas coisas que nós olhamos e comparamos às vezes com uma Liga 2 de outras competições em que vemos os estádios ao barrote, estádios pequenos bem dimensionados e cheios, faz logo toda a diferença e até com qualidades relevadas muito superiores às nossas. Portanto, há aqui um aspecto que é relevante e importante e que devia verdadeiramente preocupar, vamos pôr aqui a Liga e a Federação, porque isto é adágio da Liga, mas devia verdadeiramente preocupar a Liga e a Federação no sentido de dar outra imagem, porque neste momento, o que está-se a discutir à segunda jornada, muito fraca a qualidade de grande parte dos relvados.

Pedro Henriques, está feito mais um "Sem Falta", está também fechada a segunda jornada por aqui. Temos mais 32 para completar este campeonato e também costumamos ouvir o Pedro Henriques sempre em sede de "O Campeão É", com a análise aos protagonistas do dia no mundo do desporto, sempre com notas de zero a 20. Um grande abraço, Pedro, até quinta-feira, pelo menos, e até em "Sem Falta".

Até quinta-feira, pelo menos, exatamente.