O presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto acusou este domingo a PSP de ter tratado o centro do Porto como um bairro problemático da Amadora, fechando ruas e bares sem motivo e revistando todos este fim de semana.
Vista aérea de parte do centro histórico do Porto K/Pexels
"O centro nobre da cidade do Porto está ser tratado da mesma forma de um bairro problemático da Amadora", lamentou o presidente da Associação de Bares da Zona História do Porto (ABZHP), António Fonseca.
Em declarações por escrito à Lusa, António Fonseca lamentou que a PSP tenha usado "meios bélicos" em vez de privilegiar um "policiamento de proximidade".
Segundo o responsável, na madrugada de sexta-feira para sábado, a partir das 03:00, a PSP utilizou a Unidade Especial de Polícia para policiar a zona do centro do Porto.
"Estas Unidades são essencialmente de reação e intervenção de alto risco. Logo, são o contrário do policiamento de proximidade ou de prevenção", disse.
António Fonseca observou que a "fiscalização é bem-vinda" e defendeu que até deve ser feita "com mais frequência", mas nunca usando "metodologia grosseira".
"Não faz o policiamento de proximidade, e então, resolve atuar com meios bélicos, fecha ruas, revista tudo a todos, fecha estabelecimentos sem motivo, manda sair os clientes. Tudo isto numa zona de muitos turistas. Que imagem levam da cidade os turistas", questionou o presidente da ABZHP, relembrando que toda a zona oferece hotéis, Alojamento Local, moradores e outras atividades legais.
O presidente da Associação de Bares da Zona Histórica sublinhou que o setor da restauração e bebidas, particularmente os espaços de animação noturna, são uma "atividade legal", com "elevada importância económica, social e turística" para a cidade do Porto que é "frequentada por milhares de turistas".
"A segurança é indispensável e a fiscalização deve existir e com mais regularidade. Mas não pode ser utilizada para compensar a falta de policiamento de proximidade, através de operações que acabam por atingir indiscriminadamente estabelecimentos, trabalhadores, clientes e a própria imagem da cidade", referiu.
Na opinião de António da Fonseca, se a falta de efetivo policial está a condicionar o policiamento de proximidade no Porto, esse é um problema que deve ser resolvido com meios e estratégia policial, e "não transferido para o setor que trabalha legalmente, cria emprego, gera riqueza e contribui para a promoção turística".
A Lusa contactou a PSP do Porto para obter algum esclarecimento sobre que tipo de segurança fez este fim de semana na cidade do Porto e se estiveram elementos Unidade Especial de Polícia no terreno a fechar bares e ruas e a revistar clientes, mas não obteve nenhuma resposta até ao momento.