A associação Fórum Cidadania Lx criticou esta terça-feira o alcatroamento da Avenida Ribeira das Naus, em Lisboa, substituindo o atual pavimento em paralelepípedo, considerando a obra "retrógrada em termos ambientais" que pode incentivar o aumento de velocidade dos veículos.
Ribeira das Naus João Santos
"Não podemos deixar de manifestar o nosso repúdio pelo alcatroamento em curso, que consideramos uma obra não só retrógrada em termos ambientais como mais um contributo da Câmara Municipal de Lisboa (CML) para a destruição de um projeto de arquitetura que, embora polémico, conseguiu mudar radicalmente para melhor uma zona até então maltratada e que vedava a todos o acesso e fruição da margem do rio", manifestou a associação numa missiva dirigida ao presidente da autarquia, Carlos Moedas (PSD), também divulgada à comunicação social.
A Avenida Ribeira das Naus tem pavimento em paralelepípedo desde 2014, colocado no âmbito do projeto de requalificação paisagística implementado pela CML, "que conseguiu reabilitar e devolver à população aquela zona da cidade até então degradadíssima e indigna de uma capital europeia", realçou o Fórum Cidadania Lx.
A CML informou, em 11 de agosto, que está a realizar trabalhos de reabilitação naquele local, que incluem a repavimentação da faixa rodoviária e a reabilitação do passadiço pedonal, com um prazo previsto de execução de 60 dias e um investimento de cerca de 250 mil euros.
A intervenção contempla a substituição do pavimento existente por pavimento betuminoso, "contribuindo para a melhoria das condições de circulação e segurança nesta zona da frente ribeirinha", apontou a autarquia.
Para o Fórum Cidadania Lx, "a substituição de um piso poroso por um impermeável não se justifica no tempo presente" e, eventualmente, "não só incentivará o aumento de velocidade dos veículos automóveis que por ali circulam como até poderá implicar uma questão de direitos de autor".
Embora reconheça o mau estado do piso existente, a associação aponta como razões a falta de manutenção e o elevado tráfego automóvel, muito dele pesado.
Assim, a associação perguntou a Carlos Moedas "o que mais resta do projeto de 2009-2014 de regeneração urbana e do espaço público e de abrandamento do trânsito", após a "transformação do lago em águas estagnadas, o alcatroamento do ripado de madeira do passadiço junto ao torreão poente do Terreiro do Paço e da adiada instalação 'sine dia' da fragata Dom Fernando II e Glória na doca seca ali existente".
Enquanto decorrerem estes trabalhos, a Avenida Ribeira das Naus vai estar totalmente interdita à circulação viária, em ambos os sentidos, no troço entre o Torreão Poente da Praça do Comércio e o Largo do Corpo Santo, sendo o trânsito desviado para o Largo do Corpo Santo, Rua do Arsenal, Praça do Comércio, Rua da Alfândega, Rua dos Arameiros e Avenida Infante Dom Henrique.
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