A recente tendência de postar nas redes sociais vídeos a conduzir a alta velocidade, em contramão, está a chocar a Irlanda, que na semana passada lamentou a morte de cinco adolescentes numa autoestrada, depois de atingirem um carro de frente, ferindo gravemente uma família de quatro pessoas, três adultos e uma criança. No país debatem-se questões como policiamento, justiça criminal e regulamentação das redes sociais.
Autoridades irlandesas estão preocupadas AP
"É preciso perguntar: como é que cinco jovens se juntam e decidem que isto é uma boa ideia? Onde é que errámos enquanto sociedade?”, questionou Graham Kavanagh, antigo agente da polícia citado pelo The Gaurdian. “Ninguém nasce mau, mas às vezes pode-se encontrar um rapaz com apenas seis ou sete anos e perceber que ele vai ter problemas.”
Foi na madrugada do dia 16 deste mês que um grupo de jovens invadiu casas e carros numa localidade perto de Dublin, aparentemente com o intuito de atrair as autoridades para uma perseguição policial que depois seria partilhada nas redes sociais.
Por volta das 3 da manhã um desses carros, um BMW em contramão, colidiu de frente na autoestrada com Hyundai, onde seguiam três irmãs entre os 20 e os 30 anos, e o filho de 7 anos de uma delas, que estavam a caminho do aeroporto para um casamento de família no Reino Unido. Estão os quatro hospitalizados, em estado grave; os cinco ocupantes do BMW morreram.
As vítimas, Joe Carthy, de 15 anos, Kamil Pustkowski, Jack Kennedy, Alex McCarthy, todos de 17 anos, e Jeremy O'Brien, de 18, eram conhecidas da polícia. Três deles também estavam sinalizados pela agência de proteção à infância e vários já tinham publicado vídeos em situações de condução perigosa, conhecida como "joyriding".
O comissário da polícia, Justin Kelly, que descreveu como "horrível" a colisão frontal entre os dois carros, reconheceu que tem havido casos de veículos a serem conduzidos em contramão nas autoestradas para obter aprovação nas redes sociais. "Este acidente mostra o quão irresponsável e perigoso é conduzir em contramão da autoestrada. Isto devia ser óbvio, mas o que torna este comportamento imprudente e ainda mais deplorável é que, em alguns casos, é praticado à procura de likes nas redes sociais, independentemente do impacto potencialmente devastador que possa ter sobre pessoas inocentes e sobre os próprios indivíduos."
Mary Aiken, professora de ciberpsicologia forense da Universidade de East London ouvida pelo The Guardian, explica o que pode passar pela cabeça destes jovens. "Descreveria isto como um comportamento híbrido. Enquanto conduzem estão simultaneamente a filmar e a capturar conteúdo para postar mais tarde ou transmitir ao vivo. Têm um pé no mundo real e outro no ciberespaço. Estão a pensar nos likes, no reconhecimento.”
No fim de semana anterior, 9 pessoas tinham ficado feridas numa colisão frontal em Dublin, a envolver também um carro em contramão.
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