Paz, IA e clima vão marcar a agenda da Assembleia Geral da ONU

Arranca na terça-feira a 81.ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Até sexta-feira, os líderes dos 193 Estados-membros estarão reunidos para discutir temas como as guerras na Ucrânia e na Palestina, a inteligência artificial (IA) e a crise climática. Será a última sessão do mandato de António Guterres enquanto secretário-geral, que termina em dezembro.  

Assembleia Geral da ONU decorrerá esta semana em Nova Iorque

Assembleia Geral da ONU decorrerá esta semana em Nova Iorque AP Photo/Frank Franklin II

A sessão deste ano tem como tema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: uma ONU ao serviço de todos”.  A cimeira terá como objetivo defender e reforçar o sistema multilateral, bem como promover a paz e a prosperidade inclusiva. Durante o debate, os representantes dos Estados-membros poderão usar da palavra para exprimir a posição dos seus países. 

Além dos membros, a Santa Sé, a Palestina e a União Europeia podem participar. Contudo, a Palestina participará à distância, por videoconferência, depois de os Estados Unidos terem negado o visto ao presidente, Mahmoud Abbas e ao seu governo. Já a delegação do regime iraniano foi autorizada a entrar no país. 

A representar o Conselho Europeu estará o seu presidente, António Costa, que discursará na quinta-feira. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também estará presente.  

António Costa e líderes do Brasil, Canadá e Quénia lançam iniciativa para reformar ONU

Em declarações aos jornalistas, a uma semana antes do início do encontro, António Guterres destacou a devastação em Gaza como uma área de preocupação: “Neste momento crucial no Oriente Médio, a desescalada deve ser a prioridade um, a prioridade dois e a prioridade três.” Apelou ainda ao cessar-fogo imediato na Ucrânia como primeiro passo para uma “paz justa, duradoura e abrangente”.  

No discurso, abordou a IA e reconheceu o “enorme potencial” que pode ter em questões relacionadas à saúde, educação e clima. Ainda assim, alertou que o mundo “não se pode dar ao luxo de ignorar as preocupações” de que o desenvolvimento da IA esteja a progredir mais rápido do que a compreensão humana sobre os seus riscos. 

A crise climática e o “aprofundamento das desigualdades sociais” são outros dos temas que destacou e que deverão marcar a agenda durante a Assembleia Geral.  

Montenegro e Rangel vão estar presentes

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, vão participar no encontro. Na quarta-feira, vão reunir com António Guterres. “No ano em que o atual secretário-geral da ONU concluirá o seu segundo e último mandato, Luís Montenegro fez questão de que o seu primeiro compromisso no dia 23 fosse uma reunião com António Guterres, a quem o primeiro-ministro agradecerá o seu constante empenho na defesa da Carta da ONU e do multilateralismo”, refere à Lusa fonte do gabinete do chefe do Governo PSD/CDS-PP.  

Na tarde de quinta-feira, Luís Montenegro discursará na sessão da Assembleia Geral. Este debate acontece a poucos meses de Portugal regressar ao Conselho de Segurança da ONU como membro não permanente. A partir de 1 de janeiro de 2027, Portugal ocupará esse lugar, durante o biénio 2027-2028, para o qual foi eleito com a maior votação de sempre e, pela primeira vez, à primeira volta.  

O que é o Conselho de Segurança da ONU e que significa o regresso de Portugal como membro não permanente?

Portugal concorreu sob o lema "Prevenção, Parceria, Proteção". Já foi membro do Conselho de Segurança nos biénios 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012. Sempre que se candidatou, Portugal foi eleito. 

A Assembleia-Geral é o órgão no qual os 193 Estados-membros da ONU se sentam em pé de igualdade e tem uma função exclusivamente representativa, mas é o Conselho de Segurança que toma decisões vinculativas em que cinco grandes potências (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) são membros permanentes com direito de veto. 

Com Lusa

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