Ceni lamenta gols cedidos pelo Bahia em empate com a Chapecoense | Ge

Ao mesmo tempo que o Bahia produziu ofensivamente a ponto de fazer três gols e perder chances claras de definir o jogo, o time baiano cedeu espaços e se viu sufocado pela Chapecoense em alguns momentos, roteiro que Rogério Ceni considera inaceitável diante de uma equipe que está próxima da queda para a Série B.

- Não podemos ter desatenções como foi hoje. Sair na frente três vezes. Com todo respeito pelo que tenho à Chapecoense, que tem chance de terminar na zona de rebaixamento. Falta malandragem, concentração. Não pode ceder tantas oportunidades a um adversário que parece ter caminho definido. Falha de foco, temos treinado até mais. Menos tempo de folga, descanso, mais tempo de treinamento. Ficou muito fácil fazer um gol na gente, cedemos com muita facilidade. Não podíamos tomar os gols que tomamos. Adversário chegou com facilidade. Atípico, não fazíamos três gols, mas não tínhamos problemas defensivos assim. Perdemos a concentração - avaliou Ceni em entrevista coletiva depois da partida.

- Fizemos um bom jogo com a bola e realmente falhamos muito. Bolas alçadas para a área foram um pesadelo para a gente. Terceiro gol sai de cobrança de lateral, desatenção na marcação. Segundo gol também. Crescemos na produção ofensiva hoje e criamos oportunidades para vencer. Não podemos fazer gol e tomar gol logo depois. Faltou concentração. Crescemos com o jogo jogado, mas não suficiente para vencer. Tínhamos a obrigação de vencer - completou.

Rogério Ceni na Arena Condá para Chapecoense x Bahia — Foto: Catarina Brandão/EC Bahia

Sequência negativa do Bahia

Apesar de estar invicto desde o retorno da intertemporada, o recorte é mais negativo do que positivo para o Bahia, que amarga cinco empates seguidos e vê uma posição no G-5 cada vez mais ameaçada. A última vitória da equipe foi justamente em jogo atrasado contra a Chapecoense, na Arena Fonte Nova, no primeiro compromisso após a Copa do Mundo.

Desta vez, o 3 a 3 contra o lanterna fora de casa soa mais como uma derrota para o Tricolor, que pode terminar a rodada na sétima posição da Série A.

"Não tem que ter poder de indignação, mas tem que ter poder de fazer as coisas, atitude dentro do campo para não sofrer o que sofremos hoje".

- Cada um tem uma forma depois que termina o jogo. Não podemos ceder tantas chances com tão pouco que criaram. Indignação tem que estar dentro do campo, na atitude. Precisamos crescer como um todo, são sete jogos, 11 pontos nos últimos 21 disputados, pouco mais de 50%. Se quer chegar na parte de cima da tabela não pode desperdiçar como foi hoje - alertou Ceni.

O Bahia de Ceni agora tem uma semana livre para trabalhar antes da difícil missão de tentar se recuperar no Campeonato Brasileiro justamente no clássico contra o Vitória, marcado para as 16h do próximo domingo (horário de Brasília), no Barradão, pela 24ª rodada.

Entrevista coletiva de Rogério Ceni após Chapecoense x Bahia — Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia

Veja outros trechos da entrevista coletiva de Rogério Ceni:

Chapecoense em evolução
- Algumas peças diferentes do que a gente imaginava. Jogadores foram contratados, mas sistema de jogo dentro do que a gente esperava. Não acho que o jogo parelho, placar igual, mas tivemos muitas vezes oportunidade de matar o jogo e não conseguimos. Hoje cede o gol e perde a confiança. Aí vai lá, faz o gol e parece que não vai acontecer mais nada. Faltou senso de urgência. Sofremos na parte defensiva. Não pode tomar três gols de um time que está numa fase tão difícil. Essa é a parte inaceitável. Oportunidade claríssima no final com Erick. Cedemos muitas oportunidades ao adversário, isso não pode.

Jogadores não cumprimentaram a torcida ao fim do jogo
- Tinha bastante gente, 200, 300 torcedores. Não prestei atenção. Sei que os jogadores vão até a torcida e agradecem. Sempre uma pressão muito grande entregar resultado na Fonte Nova, quando vem as vaias acontecem. E a gente entende o protesto do torcedor. Não acho que a falta de conexão está aí, a falta de conexão vem pela falta de resultado, isso causa, é natural. O resultado é a melhor coisa que existe para conectar torcedores com jogadores. O cara está exausto, cansado no campo. Não há desconexão, o cara também sente. Estar à frente do placar três vezes. A gente tenta se apegar a detalhes pequenos. Só é preciso vencer jogos. Não existe time com conexão sem não existir triunfos.

Juba por dentro e Pulga aberto
- Juba não está numa condição física ideal para fazer corredor. Resolvemos usar o Juba por dentro, nos deu posse, superioridade. Juba para fazer o corredor depois que ficou parado. Não tem a energia necessária. Deixou Pulga mais como nós jogávamos. Na parte defensiva fizemos da mesma maneira.

Lado direito mais fraco
- Tem mais jogo pelo lado esquerdo. Seria o Erick [no lugar de Jean Lucas]. Infelizmente teve uma infecção no pé, não aguentaria o jogo inteiro. Caio joga muito melhor olhando o jogo de trás. Tentamos trazer Caio para cinco. A alternativa ao Jean Lucas é mais o Erik do que o Caio Alexandre. Erick mais ofensivo que o Caio, Jean Lucas também.

Gramado da Arena Condá
- A bola corre rápido aqui, isso ajuda equipe que toca a bola. Tem calor, jogador faz bolha no pé, mas para o jogo construído estava mais apto que alguns gramados do Brasil.