Cerca de 300 pessoas marcharam hoje em Lisboa pedindo direitos para todos os animais, “independentemente da espécie”.
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“É uma marcha pelo direito de todos os animais e quando nós falamos em todos os animais é independentemente da espécie, em especial, todos os animais que diariamente morrem para estar à nossa frente, no nosso prato”, explicou à Lusa Mia de Carvalho, da organização.
Mia de Carvalho explicou que se trata de um movimento “abolicionista, vegano, que luta pela libertação animal e pelos direitos que deveriam ser verdades universais”, como direito à vida, ao habitat, à justiça e à liberdade.
A organizadora considerou que a participação na marcha tem sido consistente ao longo dos últimos anos.
“Quem está aqui são pessoas que fazem ativismo diariamente, em casa, no trabalho, nos tempos livres”, disse, dando o exemplo de pessoas que gerem santuários de animais, que cuidam de cães e gatos, de animais resgatados.
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Para alcançar a mudança, Mia de Carvalho defendeu que é necessário “mudar o paradigma” e a forma como se veem as espécies.
“Todos os animais, seja um porco, seja um cão, um gato, um coelho, uma galinha, um peixe, todos os animais são dignos de direitos e são sencientes. O que nós precisamos de mudar é a nossa perceção e a nossa dissonância cognitiva”, registou, acrescentando que as pessoas são boas e que, “se tivessem de matar o animal que comem, provavelmente não o fariam”.
“Não seriam capazes porque iriam ter pena do animal e veriam quão sanguinário isso é, mas a verdade é que nós pagamos diariamente para alguém fazer isso por nós”, sublinhou.
Entre os participantes na marcha que saiu pelas 16:00 do Campo Pequeno em direção à Assembleia da República estava Simão Coelho, que participava nesta marcha pela quarta vez.
“O que fazemos aos animais é algo muito mau”, disse, apontando para as condições nos matadouros e nas quintas.
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A solução, no seu entender, passa também, por, a nível individual, excluir o consumo de produtos animais e abordou a possibilidade de recorrer a nutricionistas para atingir uma dieta equilibrada.
“É completamente simples e hoje em dia temos várias opções”, referiu.
Com dois cartazes na mão seguia a presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA), Maria do Céu Sampaio.
Com 89 anos, a caminho dos 90 no próximo mês, garantiu que estará “sempre, até ao fim” da sua vida a protestar.
“Temos que pensar que temos de zelar pelo nosso planeta, porque não podemos estar a explorar o planeta e os animais da maneira que fazemos porque temos de deixar um planeta saudável às novas gerações, e as novas gerações têm de ter consciência de que elas próprias têm de exigir que lhes entreguemos um planeta saudável”, afirmou.
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Maria do Céu Sampaio considerou que estas marchas servem para sensibilizar e informar a população sobre a necessidade de mais direitos para os animais, seja no caso da exploração, seja no abandono.
Nesse caso, destacou a necessidade de identificar e esterilizar os animais abandonados, por representarem uma ameaça à saúde pública.
A presidente da LPDA lamentou ainda “a forma desumana e cruel” com que são tratados os animais de quinta em Portugal.
Também no protesto esteve a porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês de Sousa Real, que lamentou aos jornalistas que a lei que criminaliza os maus-tratos animais não esteja a ser aplicada.
“Nunca tivemos uma condenação efetiva por maus-tratos ou abandono a animais de companhia, apesar dos vários casos que têm gerado forte preocupação social e que têm, inclusivamente, vindo à praça pública”, disse.
A porta-voz do PAN acrescentou que o partido vai, no regresso aos trabalhos parlamentares, insistir na lista de agressores e de maus-tratos a animais de companhia.
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“Não podemos continuar a assistir a pessoas que já foram condenadas por maus-tratos animais e que depois voltam a ter animais, voltam a adotar animais e a lei nada faz”, lamentou.
Inês de Sousa Real considerou ainda que tem havido falhas das políticas públicas do Governo no tema animal, apontando para a queda das esterilizações em 2024 e 2025 e defendeu um esforço conjunto entre o Governo central e as autarquias.
“Não podemos deixar apenas na mão das câmaras municipais a campanha de esterilização dos animais”, sublinhou.
Já a deputada única do Bloco de Esquerda, Andreia Galvão, que substitui Fabian Figueiredo este mês, mostrou a solidariedade do partido com este tema, que “fica por vezes mais esquecido politicamente”.
Entre as falhas apontadas, estão a falta de eficiência nos programas de esterilização, más condições e falta de acompanhamento nas colónias de animais em espaços urbanos e falta de ferramentas no poder local para criar estabilização das carreiras de veterinários.
Questionadas sobre a moção de censura apresentada pelo Chega contra o Governo, as duas deputadas remeteram para as decisões das suas comissões políticas.
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No caso do PAN, a reunião decorre no domingo, mas a porta-voz adiantou que “não é ir atrás de uma moção de censura de André Ventura que vai resolver o problema”.
Para o BE, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, “já não apresenta condições para continuar”.