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Fontes do Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol informaram sobre a reunião e que os dois ministros abordaram a devolução dos migrantes irregulares que permanecem em Ceuta desde 30 de julho e que não têm direito a proteção internacional.
Perante isso, segundo essas fontes, Marrocos reiterou a sua plena colaboração.
O ministro espanhol realçou que quer manter uma boa relação com Marrocos baseada no respeito pela soberania, pela integridade territorial e pelos princípios da declaração conjunta de 2022.
Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos, Naser Burita, considerou que é "lamentável" que "atores políticos espanhóis alimentem acusações gratuitas e polémicas" contra o seu país após a crise de Ceuta.
"É lamentável para Espanha que atores políticos de grande relevância continuem a alimentar a polémica, os reproches e as acusações gratuitas, insultando o futuro da associação [entre os dois países]", declarou Burita à imprensa após se reunir com o seu homólogo espanhol.
"A questão migratória, a parceria [entre Espanha e Marrocos] e a vizinhança não se gerem através da escalada verbal, das acusações ou dos reproches sem fundamento", expressou.
No entanto, sublinhou que as autoridades marroquinas consideram que a associação com Espanha é "mutuamente benéfica" e assegurou que Marrocos está "comprometido" com ela, mas "em conformidade com os seus princípios e interesses".
"Esta parceria está orientada para reforçar a cooperação económica, em matéria de segurança e migração, bem como a construir um pilar de estabilidade na zona mediterrânica", sublinhou.
Assim, destacou que é "fundamental" que aquela parceria "possa evoluir com serenidade" e "lucidez". "Para a preservar, são precisas duas partes, e essa é a responsabilidade de todos os intervenientes nesta relação", acrescentou.
No seu encontro com Albares, Burita reafirmou a "plena colaboração" face à situação em Ceuta, e ambos abordaram a devolução dos migrantes irregulares que permanecem em Ceuta desde 30 de julho e que não têm direito a proteção internacional, informaram fontes espanholas do Ministério dos Negócios Estrangeiros. EFE
Na passada segunda-feira, o chefe da diplomacia espanhola já adiantou que se iria encontrar com Burita esta semana, por estarem ambos em Nova Iorque por ocasião da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, para abordar o retorno dos migrantes que continuam em Ceuta após a entrada massiva de 30 de julho.
Albares também já tinha garantido que fala praticamente todos os dias com o seu homólogo marroquino e que este lhe transmite sempre que vai colaborar em tudo.
A situação de Ceuta marcou também parte da agenda em Nova Iorque do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que encabeçou a delegação espanhola por ocasião do novo período de sessões da Assembleia das Nações Unidas.
Perante aquela Assembleia, sublinhou hoje que Ceuta é uma cidade espanhola e elogiou a resposta que os seus cidadãos estão a dar a uma das maiores crises migratórias dos últimos anos, respondendo com decência e legalidade.
Além disso, numa entrevista na CNN, disse que "está claro" que o mecanismo de controlo fronteiriço de Marrocos falhou na entrada massiva de pessoas em Ceuta a 30 de julho passado e, por isso, pediu a esse país respostas e medidas.
Palavras que, na conferência de imprensa que deu para fazer um balanço da sua participação nos eventos da ONU desta semana, sublinhou que não implicam uma mudança dos seus argumentos sobre o Marrocos, já que insistiu que sempre disse o mesmo, que aquele país colabora embora tenham ocorrido falhas no final de julho.

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Lusa | 23:13 - 24/09/2026