André Ventura afirmou, esta sexta-feira, na sequência da entrada de milhares de migrantes em Ceuta, que o nosso país deve "proteger-se como país vizinho que é de Espanha". O líder do Chega apelou à "reposição imediata dos controlos fronteiriços entre Portugal e Espanha" e vincou: "Não nos metam a nós nesse filme, não metam os Portugueses ao barulho".
Para André Ventura, a "invasão de dezenas de milhares de migrantes indocumentados, muitos deles criminosos, a entrarem em espaço europeu de forma descontrolada" dá "dois sinais fundamentais": "de que o socialismo espanhol falhou e foi criminoso quando disse que ia regularizar toda a gente, nomeadamente meio milhão que estavam sem regularização".
"Quem está fora do espaço europeu e ouve de um primeiro-ministro a ideia de legalizar toda a gente que entra em território europeu é um chamariz a este tipo de conflitos e a este tipo de imigração ilegal", apontou ainda o líder do Chega em conferência de imprensa na tarde desta sexta-feira.
"É a prova de que o socialismo falha, de que o socialismo e a social-democracia não estão a gerir bem a identidade e a proteção da Europa, e estão a colocar a nossa segurança em risco", frisou ainda.
O "segundo sinal", acrescentou Ventura, é o de que "se não travarmos a imigração ilegal para a Europa, ela não vai parar por si própria". "Podem fazer os acordos que entenderem, não vão deixar de vir e de tentar entrar ilegalmente em solo europeu".
Na opinião do líder do Chega, "Portugal deve, por isso, proteger-se como país vizinho que é de Espanha". "Ouvimos outros que não têm sequer fronteira interna com Espanha, como Itália, Finlândia, e outros, a pedirem a imediata suspensão de Espanha dos acordos de Schengen e a reposição das fronteiras", recordou Ventura, considerando: "Os dois países mais ameaçados desta invasão migratória são Portugal e França, que têm fronteira terrestre com Espanha. Por onde se pode passar sem qualquer documento".
"Invasões deste tipo põe em risco a nossa segurança nacional, a nossa estabilidade interna e a nossa identidade enquanto país", disse ainda André Ventura, apelando "a que esta selvajaria que se apoderou da Europa seja combatida e impedida". E pediu a "reposição imediata dos controlos fronteiriços entre Portugal e Espanha", assim como a suspensão de Espanha do espaço Schengen "até ter a situação controlada".
"O que fazem em Espanha é com eles. O que fazem com as fronteiras espanholas é com eles. Se querem deixar toda a gente entrar, regularizar toda a gente, é um problema que Espanha vai ter de resolver. Não nos metam a nós nesse filme, não metam os Portugueses ao barulho", salientou ainda.
Recorde-se que, esta manhã, o Chega já tinha anunciado que vai propor a "suspensão temporária da aplicação do Acordo de Schengen e a reposição imediata do controlo nas fronteiras terrestres com Espanha". Em causa estão os "acontecimentos em Ceuta", que partido "considera constituírem uma verdadeira invasão migratória".
Numa nota, enviada às redações, o Chega defendeu que "Portugal tem de voltar a controlar quem entra no seu território" e que "a segurança dos portugueses está em primeiro lugar".
Mais de 40.000 pessoas entraram na cidade espanhola de Ceuta ilegalmente desde quinta-feira, oriundas de Marrocos, disseram hoje fontes policiais de Espanha citadas por vários meios de comunicação social do país. Uma fonte citada pela agência de notícias EFE disse que as primeiras estimativas das forças de segurança espanholas apontam mesmo para 49.000 pessoas.
A maioria das entradas no enclave de Espanha no norte de África ocorreu na quinta-feira.
[Notícia atualizada às 16h53]

Caos, fogos... e 25 mil regressaram? Imagens da crise do lado de Marrocos
A crise migratória que deixou Ceuta sob os holofotes nas últimas horas causou ansiedade em Ceuta e estragos e destruições também noutros locais, como em Fnideq, do lado marroquino - onde houve "confrontos violentos", segundo a imprensa internacional. Já 25 mil migrantes terão voltado a Marrocos.
Notícias ao Minuto, Lusa | 16:14 - 31/07/2026