O jogo dos SUVs elétricos está cada vez mais disputado no Brasil. Entre as várias opções disponíveis nas lojas, o Chevrolet Captiva EV surge com certa timidez após ter emplacado 928 unidades no primeiro semestre de 2026. Já o BYD Yuan Pro, o carro mais vendido desta categoria, registrou 2,6 mil unidades neste mesmo período.
Todavia, me surpreendi com o Chevrolet Captiva EV, que é vendido no Brasil em versão única, Premier, por R$ 219.990. Passei uma semana com o SUV elétrico mais barato da General Motors para descobrir cinco pontos positivos sobre ele e outras cinco características que deveriam ser melhores. Confira abaixo:
Razões para comprar:
1°) Autonomia na vida real — especialmente na estrada
Eis a melhor notícia para quem busca um carro elétrico. O Captiva EV, que é montado em Horizonte (CE), tem motor dianteiro de 201 cv de potência e 31,6 kgfm de torque, alimentado pela bateria de 60 kWh. Segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), a autonomia é de 304 km, mas constatamos que é possível extrair resultados melhores,
E o desafio ocorreu logo na estrada, ambiente desfavorável possível para um carro elétrico. Percorri 81 km num trajeto de São Paulo a Indaiatuba e a bateria caiu de 89% para 72% — ou seja, mesmo com a velocidade variando entre 90 e 100 km/h, foram consumidos 17% da capacidade total.
Fazendo a regra de três, chegamos ao excelente resultado de 476 km projetados para sua autonomia máxima, mesmo no tão temido ambiente rodoviário. Isso porque, além de gastar boas doses de energia, quase não existem oportunidades para aproveitar a recuperação de energia cinética e recarregar a bateria. Mesmo assim, o resultado do Captiva foi positivo.
Fazendo exatamente o mesmo trajeto para retornar à capital, o marcador caiu de 72% para 50%. Portanto, o SUV consumiu 22% da capacidade e registrou leve aumento na comparação com o percuro inicial. Isso me fez pensar que, talvez, o consumo energético aumente conforme a carga da bateria é consumida, o que reduz a autonomia que estimamos.
Vale lembrar que o Captiva EV pode ser carregado com potência de até 6,6 kW em corrente alternada (AC) e 120 kW em corrente contínua (DC). No carregamento rápido, a marca promete recuperar de 30% a 80% da bateria em 30 minutos.
2°) Retomadas de velocidade
Aproveitando que estamos abordando os quesitos mecânicos do Captiva EV, outro ponto positivo é o desempenho. Quem vê o resultado "frio" de 9,9 segundos para atingir 100 km/h pode achar os 201 cv insuficientes, mas este número não conta a verdadeira história.
De fato, acelerações partindo da imobilidade não grudam as costas do motorista no banco como ocorre em outros carros elétricos. Comprovei isso na prática nas saídas de pedágio, onde a partida é sempre suave, mesmo em modo esportivo. No entanto, as retomadas são pujantes e garantem muita segurança para encarar ultrapassagens. É quando já está em movimento que o Captiva mostra sua verdadeira força.
Está claro que a Chevrolet — ou a Wuling, parceira chinesa da GM — preteriu acelerações mais vigorosas partindo da imobilidade para melhorar a autonomia. E vale lembrar que o SUV tem 1.800 kg.
3°) Qualidade do acabamento interno
O interior do Chevrolet Captiva EV faz os olhos brilharem? Talvez não os que estão acostumados com outros carros chineses. Mas a qualidade dos materiais demonstra que houve cuidado na montagem.
A cabine tem materiais emborrachados, plástico texturizado que imita uma espécie de madeira carbonizada e couro sintético de boa qualidade. O console central é alto e tem dois grandes reservatórios para smartphones (sem carregador por indução. Já a alavanca de câmbio foi parar na coluna de direção, onde também é possível controlar funções do Adas.
A fórmula segue o padrão chinês: duas telas, sendo uma central multimídia gigante de 15,6”, poucos botões — salvo os comandos do ar-condicionado — e um bom acabamento interno com materiais sensíveis ao toque no painel e nas portas dianteiras.
4°) Valor de seguro e revisões
No Qual Comprar 2026, o superguia da Autoesporte que catalogou mais de 200 carros, o Chevrolet Captiva EV registrou os melhores valores de seguro e revisões entre todos os carros elétricos vendidos no Brasil.
As revisões no período de cinco anos custam R$ 2.384, valor mais em conta que BYD Yuan Plus (R$ 4.891) e Geely EX5 (R$ 4.204). Já a cotação de seguro feita pela Creditas registrou o valor médio de R$ 3.088 para os homens e R$ 4.123 para as mulheres. No caso do Yuan Plus, paga-se R$ 5.603 para o perfil masculino e R$ 6.379 para o feminino.
5°) Tem estepe temporário
O porta-malas do Captiva EV tem 403 litros de capacidade. Ao compará-lo com os 461 l disponíveis no Geely EX5 e os 440 l do Yuan Plus, pode não parecer um compartimento tão generoso. A vantagem do Chevrolet surge na presença de um item que é indispensável para muitos motoristas.
O Captiva EV, assim como o Yuan Plus, tem um estepe temporário de 17 polegadas que fica escondido sob o alçapão, abaixo de uma proteção de isopor que é dificílimo de ser removido. O Geely EX5 só oferece este equipamento em sua versão híbrida. A maior parte dos carros elétricos vendidos no Brasil tem o kit de reparo com selante — portanto, é interessante que o Captiva ofereça uma roda reserva, embora isso afete a capacidade total do porta-malas.
Motivos para fugir
1°) Pareamento de celular só por cabo
A suntuosa central multimídia de 15,6” chama atenção pelo tamanho, usabilidade rápida e boa resolução, mas há um pecado grave: a conexão Android Auto e Apple CarPlay só ocorre com o uso de um cabo.
O Captiva não é o único SUV de origem chinesa com tal limitação. Marcas como Leapmotor e Geely tiveram de corrigir tais características em seus carros, o que endossa a esperança de que o utilitário elétrico da Chevrolet seguirá o mesmo caminho.
2°) Funcionamento do Adas
Voltemos à nossa experiência na estrada por um instante. Embora a autonomia seja um ponto forte, o controle de cruzeiro adaptativo não nega sua origem chinesa e precisa melhorar.
Acionar ACC e assistente de faixa é fácil, pois basta dar um toque para baixo na alavanca de câmbio, como se estivesse selecionando o “D”. O problema é que o Captiva faz correções no volante a todo instante, jogando o SUV para o lado direito da faixa, sem deixá-lo centralizado. Em outras palavras, o motorista deve "brigar" com o volante para se manter em linha reta.
Outras características que precisam ser corrigidas são a reatividade e sincronização dos sensores frontais. O trânsito à minha frente começou a ficar lento, mas o Captiva demorou para reduzir a velocidade com o piloto automático acionado. Quando o fez, ocorreu de forma brusca.
Novamente, é uma característica que o SUV compartilha com vários outros carros chineses. É um ponto que quase todas as marcas precisam aprimorar, (até a BYD, que já se habituou ao cliente brasileiro). A única que parece seguir uma fórmula mais europeia é a Zeekr, por utilizar exatamente o mesmo sistema desenvolvido pela Volvo.
3°) Acerto de direção e suspensão
Já que estamos abordando falhas coletivas das marcas chinesas, o Captiva EV também traz um ajuste anestesiado e pouco reativo para a direção elétrica. Parece que as rodas demoram a reagir aos comandos do motorista e não passam uma impressão precisa do que está ocorrendo no asfalto.
Isso ficou evidente quando tentei desviar de um pequeno buraco na estrada. Um carro mais “ocidentalizado”, como o próprio Tracker, teria concluído a manobra evasiva. Já o Captiva EV passou por cima, pois as rodas pouco giraram.
Ao rodar na cidade, notei que alguns rebotes mais fortes são transferidos à cabine. O balanço vertical da suspensão parece firme, o que evita que o SUV fique ciscando o tempo inteiro nas lombadas. Em velocidades mais elevadas, especialmente na estrada, a carroceria tem a tendência de pender no sentido oposto à tangência. Os corpos dos passageiros também serão projetados, tamanha a maleabilidade.
A impressão final é de que o SUV elétrico deveria ser um pouco mais suave na cidade e firme na estrada — e aqui podemos citar o Honda ZR-V, que custa R$ 215.100, como exemplo de um arranjo adequado nesta mesma faixa de preço.
4°) Pacote de equipamentos deixa a desejar
Ficamos com a sensação de que falta uma lista de equipamentos mais encorpada e farta para o Captiva EV. Entre os exemplos, o banco do passageiro não tem ajustes elétricos, enquanto o do motorista carece de ajuste de lombar. Falta carregador de celular por indução.
O retrovisor interno não é eletrocrômico e o painel digital tampouco é configurável. Já o ar-condicionado digital tem apenas uma zona, enquanto vários concorrentes oferecem duas. Por R$ 219.990, esperávamos mais.
5°) Garantia é de três anos
Como vários carros nacionais, a garantia do Chevrolet Captiva EV é de três anos. Mas basta olhar para outros modelos do segmento para ver que o prazo está aquém do que tem sido adotado pela concorrência.
A BYD oferece seis anos de garantia para Yuan Pro e Yuan Plus, que é mesmo prazo adotado pela Geely para o EX5; no caso de Omoda E5, MG4 e MG S5, são sete anos; já a GAC oferece oito anos de garantia para os modelos Aion V, Aion Y e Aion ES.
Chevrolet Captiva EV 2026 - Ficha técnica
| Preço | R$ 219.990 |
| Motor | Elétrico, transv., dianteiro, síncronos, ímãs permanentes |
| Potência | 201 cv |
| Torque | 31,6 kgfm |
| 0 a 100 km/h | 9,9 segundos (fabricante) |
| Velocidade máxima | 150 km/h (limitada eletronicamente) |
| Tração | Dianteira |
| Bateria | 60 KWh (NMC) |
| Autonomia | 304 km (PBEV) |
| Carregamento máximo | AC (6,6 kW) / DC (120 kW) |
| Pneus | 235/55 R18 |
| Freios | Disco ventilado (diant.) e sólidos (tras.) |
| Suspensão | McPherson (diant), multilink (tras.) |
| DIMENSÕES | |
| Comprimento | 4,74 m |
| Largura | 1,89 m |
| Altura | 1,67 m |
| Distância entre-eixos | 2,80 m |
| Porta-malas | 403 litros |
| Peso | 1.800 kg |
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