Cinco dias depois do terremoto mais violento da Colômbia em 100 anos, moradores buscam abrigo em construções que podem desabar a qualquer momento. Os enviados Tiago Eltz e Rogério Rocha chegaram a Pereira. A cidade mais atingida pelo tremor fica a 300 km da capital, Bogotá. o número de mortos chegou a 287.
Falta muito tempo para se começar a falar em recuperação de Pereira. Prédios que correm o risco de desabar estão sendo sinalizados só agora. Se sabe que 66 construções caíram. Não há uma conta de imóveis danificados. A cidade inteira foi atingida. O Centro foi devastado. Lina foi ver como está sua loja. Diz que está esperando para saber se vão demolir o prédio ou não:
“Não posso tirar nada até decidirem, e são 50 anos de trabalho do meu pai, uma vida inteira”.
Cinco dias após terremoto na Colômbia, moradores buscam abrigo em construções que podem desabar a qualquer momento — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
E, nesse momento, a estrutura é o menor dos problemas. Toda a região é cercada por pensões, hotéis, apartamentos populares - quase todos foram interditados. E aí as pessoas começaram a ocupar praça. As barracas dos desabrigados foram se juntando aos moradores em situação de rua que viviam lá. Os órgãos de governo começaram a montar atendimento na praça mesmo e tudo ficou parecendo um centro de refugiados. O apartamento da Cruz fica exatamente em frente à praça. Ela diz que é muito difícil viver o que ela vive lá:
“Você não tem ideia de como eu tenho chorado”, ela me diz.
Valentina chegou lá segunda-feira (10). Conta que, às vezes faz, muito frio, e as crianças estão adoecendo:
“Graças a Deus que não choveu”.
O repórter Tiago Eltz pergunta por que a família não foi para um abrigo? A irmã responde:
"Todos estão muito cheios. Estamos esperando para falar com a prefeitura".
Fila para entrar em um dos abrigos na cidade de Pereira, na Colômbia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A fila para entrar em um dos abrigos na quinta-feira (13) estava enorme. A prefeitura não tem um balanço certo. Fala em cerca de 1 mil pessoas em abrigos e não dá estimativas de desabrigados. Dos sete espaços que estavam funcionando na quinta-feira (13), afirma que só três estavam lotados. Mas abriu um novo espaço nesta sexta-feira (14), com capacidade para mais 100 pessoas.
O presidente Abelardo de la Espriella esteve em Pereira nesta sexta-feira (14). Disse que sabe que a situação é apocalíptica, que percorrer o Centro da cidade aperta o coração, mas que o governo vai fazer tudo o que for preciso para reconstruir o país.
Após terremoto, pessoas ocupam praça na cidade de Pereira, na Colômbia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Enquanto isso as barracas avançam pelas ruas. Desabrigados se juntam, cozinham na beira da avenida. Crianças se espalham pelo chão. Yarin chegou com a filha de 4 meses nesta sexta-feira (14). Disse que no lugar onde estava antes não estavam levando doações. O repórter Tiago Eltz pergunta qual a barraca dela, e ela diz que não tem barraca:
“Tenho só o colchonete, nada mais”.
Tiago Eltz pergunta como ela vai fazer com a criança então sem barraca. Ela diz:
“Vou enrolar ela bem no cobertor, para aquecer, e eu vou me cobrir com esse mesmo cobertor”.
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