Clínica que não detetou malformação em bebé deixou de fazer ecografias

A clínica Ceraque - Centro De Radiologia De Queluz - foi obrigada a garantir que as ecografias obstétricas são asseguradas por profissionais "devida e legalmente habilitados", na sequência do nascimento de um bebé com uma perna incompleta e apenas dois dedos, depois de o exame morfológico não ter detetado qualquer malformação.

O caso remonta a abril e foi hoje divulgado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), nas deliberações do segundo trimestre de 2026, que concluem que um dos médicos da Ceraque que assegurou a realização de parte das ecografias ali realizadas nos últimos três anos "não detém a Competência de Ecografia Obstétrica Diferenciada".

Desde então que as ecografias obstétricas estão suspensas naquele centro de radiologia.

Após ter tomado conhecimento do caso, através da comunicação social, a ERS pediu à Ceraque "os elementos tidos por convenientes e necessários" e formulou um pedido de cooperação junto da Ordem dos Médicos e junto da Administração Central do Sistema de Saúde no sentido de esclarecer "alguns aspetos atinentes à convenção celebrada entre a Ceraque e o Serviço Nacional de Saúde, em especial na área da Radiologia".

A entidade acabou por apurar que, durante os anos de 2023, 2024 e 2025, a Ceraque realizou um "número de significativo de ecografias obstétricas, nomeadamente a utentes do SNS (durante o ano de 2023) e utentes beneficiários de seguros de saúde".

"Não obstante, conforme confirmado pela Ordem dos Médicos, um dos médicos que assegurou a realização de parte daquelas ecografias «não detém a Competência de Ecografia Obstétrica Diferenciada», nos termos previstos no Regimento do Colégio de Competência em Ecografia Obstétrica Diferenciada da Ordem dos Médicos", salientou a ERS.

Entretanto, em 2024, "com a cessação de funções do outro médico que aí trabalhava, a realização de ecografias obstétricas é ali assegurada, em exclusivo, pelo médico visado".

A própria Ceraque terá pedido, junto do SNS, a "suspensão da realização de ecografias obstétricas" por falta de profissionais habilitados para a execução dos referidos exames. O pedido acabou por ser "deferido pelo SNS", que "determinou a suspensão da convenção nessa valência - realização de ecografias obstétricas" até à data de hoje. 

Recorde-se que o caso foi noticiado em outubro do ano passado pela SIC Notícias, que avançava que a família apresentou queixa no Ministério Público (MP) contra a clínica do Pinhal Novo (a Ceraque tem uma unidade em Queluz e outra no Pinhal Novo).

Durante toda a gravidez, assim como na ecografia morfológica, sempre foi dito aos progenitores que o filho não tinha nenhum problema.

Na altura, foi também notícia que a Entidade Reguladora da Saúde recebeu desde 2023 oito reclamações referentes ao detentor da Clínica Ceraque, que tem uma unidade em Queluz e outra no Pinhal Novo: quatro queixas em 2023, duas em 2024 e duas em 2025.

ULS de Braga obrigada a contar compressas após esquecer uma num parto

A Unidade Local de Saúde de Braga foi obrigada a passar a contar e registar o uso de todos os "instrumentos e/ou compressas" em qualquer intervenção para garantir que estes são "corretamente removidos" antes da alta do utente.

A orientação da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) surge depois de uma grávida ter reclamado que, após ter sido "submetida a uma cesariana de emergência sob sedação geral", descobriu, um mês após o parto, que "tinha uma compressa esquecida no canal vaginal".

O caso consta também do relatório, hoje divulgado, sobre a intervenção sancionatória do regulador nos primeiros seis meses deste ano, e aconteceu no Hospital de Braga.

A ERS concluiu, por isso, que os procedimentos de segurança levados a cabo pela Unidade Local de Saúde de Braga "não se revelaram suficientes à proteção dos direitos e interesses legítimos da utente".

A ULS deve passar a realizar também "auditorias internas regulares, de forma a avaliar a execução dos procedimentos de prevenção e controlo de retenção de materiais clínicos no canal de parto".

Mulher acusa clínica de Setúbal de não detetar perna incompleta a feto

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Uma clínica de Setúbal está a ser acusada de não ter detetado malformações graves num feto. O bebé nasceu sem parte da perna direita e com apenas dois dedos num pé.

Natacha Nunes Costa | 14:31 - 06/10/2025