CNP Assurances está a preparar oferta pela Coface para entrar em seguros de crédito

A CNP Assurances está a estudar a aquisição da Coface, seguradora francesa especializada em seguro de crédito comercial, numa operação que representaria uma diversificação significativa do negócio do grupo controlado pela La Banque Postale. A informação foi avançada pela News Assurances Pro, com base numa notícia da Bloomberg, e posteriormente corroborada pela Reuters. As conversações estarão ainda numa fase preliminar e a CNP poderá acabar por não apresentar uma proposta. Também poderão surgir outros potenciais interessados na Coface.

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A eventual operação teria como principal obstáculo acionista a Arch Capital Group, que detém cerca de 29,9% da Coface e é o maior acionista da seguradora. Segundo a informação divulgada pela Bloomberg, uma eventual transação teria de contar com a posição deste acionista. A Coface está cotada na Bolsa de Paris desde 2014 e, após a divulgação da notícia, as suas ações chegaram a subir 8,9%, colocando a capitalização bolsista em cerca de 2,6 mil milhões de euros.

Para além da Arch, são também acionistas de referência, com cerca de 5% cada um, a Silchester Investors, a Allianz Global Investors e o empresário Olivier Goudet. Para analistas, é considerado 65% do capital em free-float.

A Coface tem um perfil bastante diferente do negócio tradicional da CNP. Especializada na proteção das empresas contra o risco de incumprimento dos seus clientes, a seguradora disponibiliza seguro de crédito comercial, informação empresarial, cobrança de dívidas, seguro single-risk, caução e factoring. A aquisição permitiria assim à CNP ganhar uma plataforma internacional num negócio diretamente ligado à atividade das empresas, às exportações e às cadeias de fornecimento, afirma o site de notícias.

Coface e CNP Assurances já estão em Portugal

A eventual operação teria também uma dimensão portuguesa. A Coface opera diretamente em Portugal através de uma sucursal, com instalações em Lisboa, disponibilizando soluções de seguro de crédito, informação comercial, cobrança, single risk e outros serviços associados à gestão do risco de crédito e disponibiliza em Portugal plataformas digitais para clientes e mediadores.

Do lado da potencial compradora, a ligação a Portugal também existe. A CNP Assurances está presente no mercado português através da CNP Partners, plataforma do grupo para Itália, Espanha e Portugal, com atividade centrada sobretudo em poupança patrimonial e proteção e previdência. A própria CNP identifica Portugal entre os 17 países onde o grupo desenvolve atividade internacional.

A presença ibérica da CNP tem mais de duas décadas. A CNP Iberia refere uma atividade em Portugal e Espanha assente em seguros de vida, acidentes e proteção de pagamentos, tanto em seguro direto como em resseguro.

Existe ainda uma segunda ligação relevante: a CNP Santander Insurance, joint venture entre a CNP Assurances e o Banco Santander, desenvolve produtos de proteção para clientes do Santander Consumer Finance em 12 países europeus, incluindo Portugal. A atividade inclui, entre outros, seguros de proteção ao crédito.

A dimensão financeira da CNP é outro elemento relevante para avaliar a possibilidade de uma eventual aquisição. Em 2025, o grupo registou 39,1 mil milhões de euros de volume de prémios, mais 8,6% em termos comparáveis, e um resultado líquido atribuível de 1,492 mil milhões de euros. O rácio de cobertura do SCR situou-se em 256%, enquanto os capitais próprios atingiram 22,7 mil milhões de euros.

A CNP é integralmente controlada pela La Banque Postale, depois de o banco francês ter concluído a integração da seguradora no seu grupo. A operação insere-se num modelo de bancassurance que combina a distribuição através dos canais bancários com uma estratégia multiparceiros em França e nos mercados internacionais. O grupo conta com mais de 8.700 trabalhadores e cerca de 10 milhões de segurados em poupança e reforma e 33 milhões de clientes em proteção de bens e pessoas.

Os números da Coface dão dimensão ao ativo que estaria em causa. Em 2025, a companhia registou cerca de 1,85 mil milhões de euros de volume de negócios e 222 milhões de euros de resultado líquido, enquanto o rácio de solvência se situou em cerca de 197%. A empresa tem ainda uma componente de serviços não seguradores, nomeadamente informação empresarial, cobrança e factoring.

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