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Os líderes do Reino Unido, França e Canadá defenderam esta terça-feira, numa declaração conjunta, que a “expansão sistemática dos colonatos na Cisjordânia” representa “uma ameaça direta e urgente” para a paz no conflito israelo-palestiniano.
Na declaração, o Presidente francês, Emmanuel Macron, e os primeiros-ministros britânico e canadiano, Andy Burnham e Mark Carney, respetivamente, sinalizaram “um ponto de viragem” na sua “abordagem para proteger a solução de dois Estados [Israel e Palestina]” e justificaram uma ação coordenada para proibir “a importação de produtos provenientes dos colonatos e aplicar sanções específicas contra os colonatos” ilegais ao abrigo do direito internacional.
“A expansão sistemática dos colonatos na Cisjordânia, incluindo a mais recente decisão do Governo de Israel de avançar com o colonato E1, bem como o aumento dramático da violência por parte dos colonos, representa uma ameaça direta e urgente” à solução de paz dos dois Estados.
Ainda na declaração, os três líderes reiteraram o “desejo de uma parceria estreita e produtiva com Israel”, o “apoio duradouro ao povo israelita” e um “compromisso inabalável com a segurança de Israel“.
Momentos antes, num comunicado conjunto separado divulgado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, 12 Estados — Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polónia, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido — confirmaram a intenção de introduzir restrições nacionais e apoiar medidas europeias que limitem o comércio de bens provenientes de colonatos israelitas na Cisjordânia.
Os 12 países alegaram que a situação na Cisjordânia “está a deteriorar-se rapidamente perante níveis sem precedentes de violência de colonos e expansão de colonatos”.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias, mantendo também a anexação de Jerusalém Oriental, não reconhecida pela comunidade internacional.
Lado a lado com cerca de três milhões de palestinianos, mais de 500 mil israelitas vivem atualmente em colonatos na Cisjordânia, considerados ilegais pelas Nações Unidas à luz do direito internacional.
A política de colonização tem sido mantida por sucessivos governos israelitas desde 1967, mas intensificou-se após a formação do atual executivo liderado por Benjamin Netanyahu, no final de 2022, e ganhou novo impulso na sequência do ataque do movimento islamita palestiniano Hamas, em 7 de outubro de 2023.
A violência intensificou-se na Cisjordânia igualmente desde 7 de outubro de 2023, com ataques quase diários de colonos e incursões regulares em aldeias palestinianas.