Continua após publicidade
Uma grande obra de Oscar Niemeyer começa a ganhar forma diante de um dos cenários mais emblemáticos da Amazônia e eleva o patamar do processo de requalificação urbana de Manaus. Projetada há mais de duas décadas e prevista para ser concluída ainda neste ano, a Oca será o principal marco arquitetônico do Parque Encontro das Águas Rosa Almeida, na zona Leste da capital, de frente para o ponto em que as águas escuras do rio Negro encontram as barrentas do Solimões. A obra chega em um momento de transformação da cidade, que vem recuperando espaços públicos e o Centro Histórico com o objetivo de ampliar sua vocação turística e a qualidade de vida, aproveitando um patrimônio que nenhuma intervenção urbana é capaz de criar: sua extraordinária geografia. Mirantes, áreas de convivência, imóveis históricos recuperados e novos equipamentos culturais procuram aproximar novamente Manaus de seus rios.
O projeto de Niemeyer nasceu em 2005, durante a gestão do então prefeito Serafim Corrêa, que convidou o arquiteto a criar um espaço para valorizar o Encontro das Águas. Niemeyer, então com 97 anos, encontrou na própria paisagem a inspiração para o desenho. “A Amazônia é um lugar fantástico, tem o rio, o encontro dos rios”, disse na época. A obra, inicialmente chamada de Memorial Encontro das Águas, deveria ter sido inaugurada em 2006, mas esbarrou na falta de recursos e acabou atravessando sucessivas administrações sem sair do papel. Retomado pela atual gestão, o desenho original foi atualizado e incorporado a um projeto urbanístico mais amplo.
Com mais de 120.000 metros quadrados, o Parque Encontro das Águas Rosa Almeida terá áreas verdes, trilhas, espaços de contemplação e convivência, restaurante, quiosques e mirante. No centro do conjunto está a Oca, uma construção de concreto marcada por duas grandes lâminas que se projetam para o alto e simbolizam os rios Negro e Solimões. A própria arquitetura, portanto, nasce da paisagem que a cerca e procura transformar o fenômeno natural em experiência cultural.
“Manaus já é conhecida pela força da natureza. Damos a essa potência uma nova dimensão de cultura, arquitetura e experiência urbana”, diz o prefeito Renato Junior. Primeira obra de Niemeyer no Amazonas, a Oca acrescenta à transformação urbana da capital a assinatura de um dos arquitetos mais importantes do mundo e ajuda a projetar o novo equipamento público como uma referência internacional de arquitetura, turismo e requalificação sustentável.
Publicidade