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Por Flávia Viana
No ar simultaneamente na TV Globo, como o Tom de "Quem Ama Cuida", e no streaming, reassumindo a pele de Ubaldo Vaqueiro na segunda temporada de "Cangaço Novo" (Prime Video), Allan Souza Lima vive aquele momento em que o trabalho domina todas as telas.
A volta da série, que rapidamente escalou o topo de audiência da plataforma, confirma a pegada intensa que o ator imprime em cena e o coloca no centro das conversas do público.
Allan Souza Lima está no ar em "Quem Ama Cuida" (TV Globo) e "Cangaço Novo" (Prime Video)
Imagem: DivulgaçãoEssa presença se estende em breve para as telonas em duas obras independentes que integram sua próxima safra de trabalhos. Em "Lusco-Fusco", drama dirigido por Bel Bechara e Sandro Serpa, ele interpreta Matias, cuja postura opressiva molda as tensões de uma narrativa sobre violência familiar conduzida por uma equipe majoritariamente feminina.
Logo em seguida, em "Talismã", sob a direção de Thais Fujinaga, Allan vive Orlando, um professor de dança por meio do qual explora o corpo e o movimento como ferramentas centrais de sua atuação.
O terreno está pronto, então, para o passo seguinte no cinema, onde ele sai da frente das câmeras para assumir o comando de seu primeiro longa-metragem. Em "Poeta Bélico", projeto produzido pela Ikebana Filmes a partir de um argumento próprio desenvolvido desde 2013, Allan assina a direção de uma trama pós-apocalíptica que será rodada no cenário árido de Cabaceiras, na Paraíba.
Com roteiro de Ulisses da Motta e estrutura inspirada nos 14 quadros da Via Crucis, o filme colocará lado a lado dois sobreviventes antagônicos — o Guerrilheiro de Renato Góes e o Poeta de Alejandro Claveaux — para discutir os limites entre a violência e a resistência da linguagem.
Dividindo a condução artística com a preparadora de elenco Fátima Toledo, ele expande para o formato de grande porte uma linguagem de direção que já vinha testando em curtas como "Ópio" e "O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde no Jardim Zoológico".
Fechando esse ciclo multifacetado, a urgência criativa do artista também transborda para a literatura com a preparação de seu primeiro livro.
Nascida de um ritual de escrita diária durante quarenta e dois dias para processar um luto, a obra foge de uma autobiografia engessada ao usar memórias particulares para puxar reflexões universais sobre o tempo, a infância e as transformações inevitáveis da existência.
Embora o título oficial ainda permaneça sob rigoroso sigilo, Allan tem dividido pequenos vislumbres e detalhes do processo em sua conta no Instagram, alimentando a expectativa do público para mais essa investida autoral.