Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
Os passageiros da Linha do Oeste entre Meleças e Caldas da Rainha terão de esperar até ao início de 2027 para voltar a andar de comboio. A Infraestruturas de Portugal (IP) aponta para janeiro a reabertura desta ligação sobre carris, um ano após o conjunto de tempestades ter obrigado a grandes reparações nesta via férrea. Os arranjos da linha vão custar mais de 40 milhões de euros.
O regresso dos comboios irá ocorrer em dois momentos: até ao final de 2026, entre Torres Vedras e Caldas da Rainha; no início de 2027, entre Meleças e Torres Vedras, mesmo com as obras a estenderem-se até ao final de abril, indicou ao 24notícias fonte oficial da IP.
No início de fevereiro, mesmo antes da análise no terreno, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, antecipava: “a Linha do Oeste vai estar, no mínimo, nove meses parada para toda a sua reconstrução”. Em 23 de janeiro, antes da tempestade Kristin, o troço Malveira-Dois Portos (concelho de Torres Vedras) já estava fechado devido à depressão Ingrid.
Há mais de sete meses que não há comboios entre Meleças e Caldas da Rainha, no total de 85 quilómetros. E apenas a partir de 16 de março o percurso passou a ser feito com autocarros de substituição, que demoram mais tempo, limitam a deslocação de passageiros e impedem o uso das bicicletas.
Também foi a 16 de março que voltaram as ligações entre Caldas da Rainha e Coimbra-B, mas com menos serviços diários do que anteriormente. Entre 28 de janeiro e 15 de março também este percurso esteve sem circulação de comboios.
Quando a linha reabrir, os comboios elétricos apenas poderão circular entre Meleças e Malveira. Para funcionarem entre Malveira e Caldas da Rainha, será preciso esperar pela entrada em funcionamento da subestação de Runa, também marcada para 2027. A eletricidade chegará a esta parte da Linha do Oeste com sete anos de atraso face ao anunciado no programa de investimentos Ferrovia 2020, apresentado em fevereiro de 2016.
Reparações de 40 milhões
Foi preciso esperar pelo início de junho para começarem a ser assinados os contratos. Esta etapa decorreu praticamente até ao final de julho.
A 1 de junho foi assinada a fiscalização de todas as empreitadas, por 1,96 milhões de euros. Entre 12 de junho e 24 de julho, foram assinados quatro ajustes diretos, no total de 35 milhões de euros, para estabilizar 13 taludes e reconstruir um aterro no percurso entre Meleças e Torres Vedras, o mais afetado pelas tempestades. A 8 de julho foram contratados os serviços de reparação para o troço entre Torres Vedras e Caldas da Rainha, no valor de 5,16 milhões de euros, segundo a informação do portal dos contratos públicos.
As reparações decorrem enquanto são concluídas as obras de eletrificação da Linha do Oeste entre Meleças e Caldas da Rainha.
No caso do troço Meleças-Torres Vedras, os danos “não tinham paralelo com as intervenções em curso” porque “em alguns locais houve arrastamento da plataforma da via devido ao deslizamento de taludes” junto à linha; ou seja, os carris ficaram completamente fora do espaço que lhes era destinado. Com a ligação Torres-Caldas, as obras foram acrescentadas aos trabalhos já em curso.
Cinco meses para contratos
Foram necessários cinco meses entre a ocorrência das tempestades e o início das reparações da linha.
As portuguesas Mota-Engil, Tecnovia, Teixeira Duarte e TPF e a espanhola Convensa foram as empresas escolhidas pela IP para as obras. Escolhidas porque foi usada a figura do ajuste direto mesmo para contratos de vários milhões de euros, ao abrigo do decreto-lei 40-A, que criou um regime excecional e temporário de simplificação administrativa e financeira para a reconstrução e reabilitação das infraestruturas afetadas pela tempestade “Kristin”.
“A IP optou pela solução que melhor permitia reduzir os prazos administrativos associados a uma intervenção simultânea nos diversos locais afetados. Neste contexto, recorreu ao ajuste direto junto de empresas com disponibilidade e reconhecida capacidade técnica e financeira para desenvolver as caracterizações necessárias, elaborar os estudos e projetos e executar os trabalhos no mais curto prazo possível, de forma autónoma e simultânea”, justifica a mesma fonte.
Os cinco meses para a contratação de obras deveram-se ao “período necessário para desenvolver os procedimentos de contratação, preparação das soluções técnicas e criação das condições para o início praticamente simultâneo das intervenções em todas as frentes de obra, com equipas e meios dedicados”, acrescenta a IP.
IP recusa equipas próprias
Atualmente, a IP “dispõe de equipas próprias permanentemente mobilizadas para assegurar a vigilância da rede, a resposta imediata a situações anómalas e a implementação das medidas necessárias à salvaguarda das condições de segurança e operacionalidade da infraestrutura”.
No entanto, com a expetativa de mais fenómenos climáticos extremos nos próximos anos, o 24notícias perguntou à empresa pública o que a impede de criar uma equipa própria para grandes reparações ferroviárias, podendo intervir mais rapidamente e sem estar dependente de fornecedores externos.
Após salientar que são construídas, mantidas e reabilitadas infraestruturas “cada vez mais resilientes aos efeitos dos fenómenos climáticos extremos”, a empresa justificou que a “constituição de estruturas permanentes […] implicaria a afetação contínua de recursos humanos altamente especializados e de equipamentos pesados que, na generalidade do tempo, não teriam uma utilização compatível com o respetivo custo, conduzindo a uma solução menos eficiente e com maiores encargos para o erário público”.
A gestora da rede ferroviária nacional sustentou ainda que a “combinação de competências internas de resposta imediata, avaliação técnica, gestão e fiscalização das intervenções com a capacidade de mobilização de empresas especializadas” permite “reunir rapidamente meios humanos, técnicos e equipamentos complementares, garantindo uma resposta mais robusta e eficaz do que aquela que seria possível assegurar exclusivamente com recursos próprios”.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.