Alturas diversas, texturas, iluminação e proporção são alguns elementos que transformam o décor das estantes
Antes associadas apenas ao armazenamento e à organização, hoje as estantes assumem um papel arquitetônico, ajudando a construir atmosferas afetivas e criativas e revelando a personalidade de quem vive na casa. Livros antigos, fotografias, obras de arte, plantas pendentes e objetos de design traduzem o crescente interesse por interiores mais intimistas e personalizados, nos quais cada elemento carrega memórias, referências e gostos dos moradores. Isso, porém, não significa preencher as prateleiras de forma aleatória. Nas estantes modernas, cada objeto ocupa um lugar e desempenha uma função na composição.
Para a arquiteta Flavia Malvaccini, do escritório homônimo, especializado em projetos pautados pela identidade e pela expressão dos moradores, a organização é o ponto de partida para uma estante bem resolvida. "Os objetos devem estar bem posicionados, alinhados e distribuídos com cuidado. Esse é sempre o primeiro passo", afirma. Por ocuparem grandes superfícies, as estantes exigem atenção ao equilíbrio entre volumes, funcionalidade e estética, além de uma curadoria cuidadosa, com ritmo e intenção.
A Casa Vogue conversou com a arquiteta Flavia Malvaccini e com a designer de interiores Daniela Cianciaruso para entender como decorar uma estante como um profissional e reuniu 15 inspirações cheias de charme e personalidade. Confira:
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1. Entenda a função da sua estante
Antes mesmo de escolher os objetos que irão decorar a estante, defina a verdadeira função do elemento e sua relação com o ambiente. O décor de uma estante na cozinha não será o mesmo que o de uma estante na sala de TV, e vice-versa. Inicie com os seguintes questionamentos: A estante será principalmente uma biblioteca? Terá espaço para a televisão? Será usada para criar um espaço de bar? Ou servirá apenas como elemento decorativo? Essa definição de propósito irá orientar todas as escolhas seguintes.
Também é importante tratar a estante como parte da arquitetura, e não apenas como um móvel para apoiar os objetos. Vale investir em uma pintura interna, um fundo revestido em madeira, tecido, pedra, espelho ou papel de parede que pode transformar completamente sua presença no ambiente.
2. Entenda a proporção da estante
Depois de definir sua função, é hora de analisar suas proporções. "É importante observar as dimensões dos nichos e estabelecer uma linguagem visual para o conjunto", explica a designer de interiores Daniela Cianciaruso, do Estúdio Glik de Interiores. Se a composição for predominantemente formada por prateleiras, avalie a altura e a profundidade disponíveis em cada uma delas.
3. Atenção às cores dos objetos
Na hora de selecionar os objetos, observe como as cores dialogam com o restante do ambiente. A estante deve conversar com a arquitetura e o mobiliário, ao mesmo tempo em que valoriza livros, lembranças de viagem e outros itens afetivos.
Uma boa estratégia é partir da paleta predominante do ambiente e complementá-la com objetos carregados de significado, mesmo que escapem dessa cartela de cores.
4. Nem tudo é curadoria
Embora seja interessante incorporar novas peças, o protagonismo deve continuar com os objetos que despertam emoção. "É muito mais importante a estante refletir a coleção que o cliente possui e que o emociona. Isso traz uma memória afetiva todos os dias, em vez de simplesmente combinar com a decoração", afirma Daniela.
Uma boa estante não deve parecer uma coleção aleatória de objetos bonitos, mas uma composição coerente com a personalidade dos moradores e com a linguagem do projeto.
5. O equilíbrio é chave
No décor das estantes, o equilíbrio é fundamental — e os espaços vazios também fazem parte da composição. Eles criam áreas de respiro, valorizam os objetos ao redor e ainda deixam espaço para futuras lembranças, como peças adquiridas em viagens ou presentes especiais. Em geral, vale buscar uma distribuição equilibrada entre cheios e vazios, exceto quando a proposta é uma biblioteca repleta de livros.
"Eu acredito que uma estante cheia é sempre mais interessante do que uma vazia. Ela pode funcionar como um museu pessoal do morador. Além dos livros, abriga porta-retratos e objetos que remetem a viagens, momentos marcantes ou à história da família", diz Flavia.
Isso não significa que todos os nichos precisem estar completamente preenchidos. Alguns podem receber apenas uma peça, uma pequena pilha de livros ou permanecer parcialmente vazios. O equilíbrio costuma surgir justamente da alternância entre áreas mais densas e outras mais leves.
6. A altura também importa
Um dos erros mais comuns é pensar apenas na quantidade de objetos e ignorar suas alturas. Segundo Flavia, o ideal é trabalhar com pelo menos três alturas diferentes ao longo da composição. "Misturar objetos de diferentes alturas quebra a monotonia da produção."
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Também vale distribuir as peças de maior impacto visual por diferentes pontos da estante, evitando concentrá-las em apenas um lado. O objetivo é criar movimento de forma natural, sem uma alternância excessivamente calculada.
7. Trabalhe o ritmo dos itens decorativos
Além das alturas, repetições sutis de materiais, formatos ou tonalidades ajudam a criar uma sensação de continuidade e reforçam a curadoria do conjunto.
8. Crie pequenos conjuntos
"Outro recurso importante é pensar em cada nicho como uma pequena composição, sem perder de vista o conjunto", recomenda Daniela. Uma solução clássica é alternar livros organizados na vertical com pilhas na horizontal, finalizadas por esculturas ou pequenos objetos decorativos.
"Essa variação quebra a rigidez das linhas, cria diferentes alturas e torna a composição mais dinâmica", completa.
9. Não se esqueça dos livros
Os livros continuam sendo protagonistas nas estantes e ajudam a construir uma narrativa visual repleta de significado. Aposte na combinação de volumes verticais e horizontais, criando espaço para incorporar objetos decorativos entre eles.
"Os livros podem ser organizados por tema, tamanho ou frequência de uso. Não acredito que seja necessário agrupá-los pela cor da lombada, pois isso pode tornar o resultado artificial e dificultar a localização dos títulos", afirma Daniela.
Já os livros consultados com frequência, assim como controles remotos e outros itens de uso cotidiano, devem permanecer em locais de fácil acesso, priorizando a funcionalidade.
10. Incorpore plantas
A presença da natureza também reforça o caráter acolhedor da estante e suaviza as linhas retas da marcenaria. Espécies adaptadas à sombra ou meia-sombra, como jibóias, filodendros, marantas, zamioculcas e peperômias, são boas escolhas.
Antes de incorporá-las, porém, avalie a incidência de luz natural, a ventilação e a facilidade de manutenção. Também é importante utilizar vasos com proteção adequada para evitar que a umidade danifique a madeira ou a pintura.
11. Invista em soluções de iluminação
A iluminação é outro elemento essencial para valorizar a composição. Sempre que possível, invista em fitas ou perfis de LED embutidos na parte frontal das prateleiras, direcionando a luz para os objetos — e não para a estrutura da estante.
"Esse recurso destaca as peças e cria um efeito sofisticado, semelhante ao de uma galeria de arte. Também recomendo utilizar luz de temperatura neutra ou quente, que valoriza os materiais e mantém uma atmosfera acolhedora", finaliza Flavia.
Para complementar, abajures decorativos ajudam a criar diferentes camadas de iluminação e ainda acrescentam personalidade à composição.
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