Newsletter/ Como lhe contámos tudo sobre o eclipse (e um momento emotivo em direto)

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Fotografia de João Santos Duarte

“Fisicamente, sim. Emocionalmente talvez nunca, ahahah!”

Foi desta forma, meio a brincar, meio a sério, que o Martim Andrade, um dos nossos enviados esta semana a Bragança para fazer reportagem, me respondeu esta sexta-feira por mensagem à pergunta: “Já estás recuperado do eclipse?”

O Martim foi um dos jornalistas do Observador que, durante semanas, foram incansáveis para ajudar os nossos leitores a estarem preparados para o acontecimento. Entre outras coisas, ele deu-nos a conhecer o maior caçador de eclipses do mundo, ensinou a fazer um projetor para aquelas pessoas que não conseguiram arranjar os tão famosos óculos, e contou-nos a história de como tinha sido o último grande eclipse total em 1912.

Este seria mais um acontecimento histórico (afinal, o próximo do género visível em Portugal será só em 2144) e tanto o Martim como o Diogo Ventura, o fotojornalista que o acompanhou a Bragança, queriam estar obviamente preparados. Nada poderia falhar. Na véspera, foram até à aldeia de Rio de Onor, à hora a que o eclipse iria acontecer, para estudar a posição com a melhor visibilidade para o sol e perceber onde as pessoas da aldeia iriam ficar. Tinham tudo preparado mas, no momento decisivo, acabaram por nem sequer conseguir ir para o sítio que tinham estudado previamente.

No dia do eclipse, foram primeiro fazer reportagem ao aeródromo de Bragança e só depois foram para Rio de Onor. Só que, para fazer esse percurso, já tiveram de ir escoltados pela GNR, numa caravana que incluía jornalistas de outros órgãos de comunicação, porque os acessos tinham sido cortados. Acabaram por ir parar a uma estrada entre Rio de Onor e Guadramil, onde estavam cerca de 100 pessoas, entre famílias e entusiastas com telescópios. E depressa perceberam que, embora não fosse o sítio que tinham preparado previamente, estavam muito bem posicionados na mesma.

“Vê-se uma coroa linda do sol. Eu até estou com falta de palavras… porque este é um momento mesmo único. Isto é impressionante”. Foi desta forma emocionada, que, pelas 19h30, o Martim relatou em direto, na Rádio Observador, os 17 segundos de penumbra em que a Lua cobriu pela totalidade o Sol em Rio de Onor.

Para conseguir apanhar rede suficiente e reportar o momento em direto, o Martim afastou-se um pouco enquanto o Diogo Ventura estava de câmara apontada para o eclipse para captar estas imagens impressionantes. (Nesta fotogaleria é possível ver também os magníficos trabalhos do João Porfírio, que estava no Cabo da Roca, em Sintra; e da Inês Lacerda, que estava em Gaia). Quando a totalidade do eclipse e a adrenalina do direto passaram, o Martim e o Diogo confessam que deram um grande abraço. Afinal, tinham acabado de presenciar um momento histórico.

Enquanto isso, em Lisboa, a Rádio Observador estava numa emissão especial no telhado do MAAT, Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia. Se não viu em direto pode ainda rever tudo no Youtube (o vídeo já vai com quase 100 mil visualizações). Se olhar com atenção vai perceber que, em alguns momentos, o Ricardo Conceição, que coordenou e apresentou a emissão especial, tem o braço direito para trás. Estava a agarrar uma das pernas da tenda para evitar que voasse… O vento que se fazia sentir naquela tarde foi um dos maiores inimigos de toda a operação logística. Afinal, queremos que a rádio esteja sempre “no ar”, mas isso já não se aplica necessariamente às tendas que protegem os convidados…

No Observador, estava também uma equipa a trabalhar para tentar dar a melhor experiência possível aos leitores que estavam a acompanhar o eclipse através do nosso site. Muitos deles, possivelmente, estariam na mesma situação que os nossos jornalistas: pessoas cujo trabalho as impedia de, àquela hora, tentarem estar no melhor sítio possível para testemunhar o eclipse. Mas não foi por isso que deixámos de ver o fenómeno (até porque era preciso dar uso aos 50 óculos que alguém tinha encomendado pela internet dias antes e que acabaram por abastecer boa parte da redação). Dividimo-nos em pequenas equipas para, durante alguns minutos, fazer “expedições” à rua à caça do eclipse. E o entusiasmo foi enorme quando a primeira equipa regressou à redação e anunciou: “Vê-se perfeitamente ao fundo da rua!”.

Foi assim que, pelo menos durante breves momentos, todos os que estavam a trabalhar conseguiram não perder um momento único antes de voltarem a correr novamente para o computador para lhe contar tudo o que se estava a passar em Portugal, e no mundo. Como diz o lema da Rádio Observador: “Aconteça o que acontecer”.

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